A Física no Ensino Médio
No presente trabalho tenho como objetivo fazer uma análise reflexiva sobre o Ensino da Física no ensino médio, estudando e refletindo idéias e teorias de estudiosos sobre o assunto.
Não me proponho a responder a todos os questionamentos existentes. Nem aqueles questionamentos externos (feito por todos, feitos de forma subjetiva) e nem os internos (questionamentos feitos por mim mesmo).
Tenho como idéia principal, questionar a problemática existente na transmissão da física como ciência e tentar fazer compreender que como toda ciência, ela existe para ser estudada.
Que como toda ciência, ela existe para responder questionamentos...
Como objetivo específico desta pesquisa, pretendo:
a)saber quais são as expectativas e decepções de um aluno de física;
b)conhecer os mecanismos que definem o que é ser professor de física;
c)refletir por meio de teorias a construção do conhecimento da física;
d) tentar definir porque o ensino da física no Brasil é um fracasso.;
e)tentar responder por que formamos tão pouco físicos no Brasil.
Para que os objetivos específicos acima sejam viáveis, procurei formular algumas questões a serem respondidas por mim na intenção de não me exaurir em pesquisas desnecessárias e obter um melhor direcionamento para meus objetivos:
a) Para onde esta caminhando o ensino no Brasil?
b) Os professores de Física estão preparados para lidar com esta disciplina?
c) Qual a grande dificuldade prática de ensinar física (ciências para a vida)?
d) Como é o ensino desta disciplina nas Universidades?
Respondendo a estas perguntas, pretendo chegar aos limites pedagógicos existentes nos PCN’S, nas escolas de Ensino Primário, Fundamental , Médio até as Universidades.
UMA NOTA SOBRE O ENSINO DE FÍSICA NO BRASIL
Acredito que nas escolas perde-se tempo demais tentando ensinar aos alunos normas e regras “decorebas”, mas isso não funciona.
O aluno só apreende aquilo que lhe interessa (ou chama atenção de alguma forma), e neste caso, no caso da física, muito conteúdo ministrado, pouco ensinado e em contrapartida aluno desinteressado.
Como professor de física para o ensino médio, lembro-me bem quando em 2001 estava dando aula em uma escola pública no período noturno e me deparei com o problema principal deste ensaio.
A matéria que acabara de ensinar era Campo elétrico e o tópico era Campo Elétrico Gerado por várias cargas puntiformes, naquela noite eu ensinara como fazer esse cálculo....
De repente olhei para a classe, e vi aqueles alunos cansados do trabalho, sem os requisitos matemáticos necessários para compreender do que se tratava e sem a motivação necessária; e ainda fazendo comentários do tipo por que afinal de contas tinham que aprender aquilo? Então como professor tentei usar exemplos: olhe as lâmpadas, a TV, os computadores - tudo é devido ao desenvolvimento da Física.
Mas a isso os alunos me responderam:
“e daí, não pretendo trabalhar com essas coisas, nem fabricá-las”.
E ainda que essa resposta seja imatura e inconseqüente, parece ter a maior lógica do mundo ao jovem que, a partir disso, se fecha ao conhecimento. E que trabalho o professor terá para mudar tal postura! Se é que é possível fazê-lo.
De fato, o objetivo do professor de Física, Química ou Biologia não é ensinar a resolver exercícios ou procedimentos vazios. O objetivo original é
“ensinar a compreender e analisar os fenômenos naturais a partir dos conceitos daquelas ciências”.
Mas para conseguí-lo, criou-se a seguinte técnica:
· Conceitos;
· Exemplos;
· Exercícios;
· Prova.
E isso repetidamente, para todos os tópicos.
Assim o objetivo original se perdeu nos exercícios, e passou a ser os próprios exercícios.
Hoje os professores de física ensinam como resolver exercícios de bloquinhos empurrando bloquinhos, ou bloquinhos pendurados em outros que arrastam outros; corpos de caem de alturas de 45m sem resistência do ar, aviões que jogam objetos de 3km de altura ainda sem resistência com o ar, cargas elétricas voadoras que penetram em regiões com campos elétricos ou magnéticos e passam a girar, ou objetos que deslizam sobre superfícies inclinadas sem qualquer atrito.
Tudo isso tem seu lugar quando o objetivo é ensinar a analisar os fenômenos naturais. Mas será que o tempo do curso de Física para o Ensino Médio permite isso?
Assim, o curso de Física para o Ensino Médio tal como temos hoje é algo inacabado e permanece inacabado para a maioria dos alunos. Isso porque pretende ensinar a Física pela Física, pelo valor que ela tem por si só, e não chega a fazê-lo; para que isso fosse possível, deveria ter duração de pelo menos mais dois ou três anos e isso é obviamente inviável.
Logo, ensinar Física no Ensino Médio não tem sentido.
O aluno de Ensino Médio não precisa aprender A Física; precisa aprender as aplicações da Física em seu mundo, para compreender os fenômenos, e controlá-los melhor, para seu benefício, se isso for possível.
Fala-se em Educação de qualidade por todos os lados, mas o que é “educação de qualidade?”, “como oferecer qualidade se já não sabemos mais seu conceito em educação?”
Qualidade para o professor de Biologia e ter um laboratório onde possa ministrar suas aulas de forma prática para despertar o interesse do aluno pelos mistérios da fauna e da flora.
Para o professor de física, o ensino de qualidade é a priorização das respostas dos acontecimentos do mundo, acompanhados de possíveis experimentos práticos e palpáveis.
A física existe desde os primórdios da terra, quando o homem se deu conta de que era um ser pensante. Nunca esteve sozinha. Surgiu acompanhada pelos cálculos da matemática e aos poucos foi criando seu próprio caminho.
A filosofia nos faz questionar sobre os acontecimentos e a física responde estes questionamentos.
O procedimento reflexivo , pensado, controlado, que permite descobrir novos fatos fez a diferença na história humana.
Com este pensamento o homem criou o fogo, a roda, se tornou ereto, rápido, ágil e conseguiu transpor a barreira entre a terra e o céu, chegando aos dias atuais.
Nem sempre existiu a física como disciplina, estudava-se apenas a aplicação sem o conhecimento.
Hoje existe o conhecimento teórico em sala de aula, mas não existe o conhecimento prático.
Nas Faculdades e Universidades formadoras de Físicos, ainda se encontra laboratórios magníficos, mas para o aluno chegar a estes laboratórios, toda a sua vida acadêmica já se processou e nesta fase ele apenas confirma suas escolhas.
Ensinar é um processo conjunto, algumas áreas de destacam mais do que outras, e quando isto acontece essa área é usada como modelo para todas as outras, como padrão de qualidade. Mas o que é qualidade para uns não é para outros.
Encontramos alunos que amam estudar química, mas se negam a estudar matemática para conhecer os princípios básicos de cálculos.
Mas a ciência é uma mistura de paciência, cálculos, experimentos, observações, erros, acertos, mas principalmente persistência.
Foi o que aconteceu com Galileu (físico e astrônomo italiano); e Newton (físico inglês), dois físicos que por intermédio do seu trabalho fez com que a física deixasse de ser um ato experimental e passasse a ser um “método cientifico”.
Gallileu (1564-1642) com base em inúmeras experiências que realizou ou idealizou, contribuiu de maneira decisiva para a ciência.
Newtom (1642-1727) também com base em suas experiências e também em experiências anteriores realizadas, mudou a ciência, criando o “principio da inércia” que foi também denominada de “primeira lei de Newton”.
Poderia citar vários estudiosos que existiram antes deles, como Platão e Aristóteles, mas a física moderna teve como patriarcas estes dois homem que mudaram o rumo da história.
Então, vos pergunto: por que não trata-la como “método científico” no momento de ensina-la a outrem?
A física não é uma disciplina morta, estática, que se decora, ela esta presente em casa, na rua, no elevador, no carro, no papel que cai e tudo que podemos imaginar.
Pode-se afirmar que tudo que nos rodeia é coberto pela física, desde o ato de sermos “homo-Sapiens” até a ida do homem a lua, ou a capacidade de toneladas de ferro voar como um pássaro e/ou de deslizar sobre as águas dos oceanos (avião/navio).
O mundo esta coberto pela física. Tudo é transformação...metamorfose.
Se o conhecimento geral do mundo e as informações são enviadas “on line” por intermédio do computador, é certo dizer que tudo que temos e nos rodeia é “física pura” e estuda-la não deveria ser um ato apenas obrigatório, mas prazeroso.
Todas as ciências se desenvolveram através da física. Sendo por isso, o principal alicerce de todas as outras,
Por isso, dever-se-ia repensar o ensino da Física no Brasil, que deixaria de ser apenas mais uma disciplina e passaria a fazer parte da vida de todos os alunos e daqueles que passassem por ela.
Em sala de aula, professores se detêm a resolver problemas e fazer o aluno decorar formulas que são apelidadas pelos alunos de “formulas mágicas” e acabam com toda a grandeza e beleza que é estuda-la.
Os profissionais desta área, confundem muito o objetivo e os caminhos para se alcançar estes objetivos no momento de elaborar as aulas e ministra-las.
O objetivo da física não é e nunca foi resolver problemas, mas indicar caminhos através dos problemas para o compreendimento e análise dos fenômenos naturais, respeitando os conceitos pré-estabelecidos pela ciência como instrumento de pesquisa.
Claro que a física não se restringe aos fenômenos naturais, pois está presente na constante mudança do homem e em sua evolução de criação continua.
A Física deveria ser iniciada lá nos primeiros anos escolares, pura, respondendo questionamentos comum que as crianças fazem. Mas estas respostas deveriam vir simples e prática. E para tal dever-se-ia construir laboratórios equipados, montar horários convenientes, preparar aulas com “qualidade”, respeitando tempo, espaço, condições e o mais importante , despertar o interesse pelo assunto abordado.
Deveria despertar no aluno, a luz do querer saber, o prazer da descoberta e a prática dos procedimentos e na analises críticas das aplicações da Física.
Por isso, me proponho a fazer uma análise reflexiva sobre o Ensino da Física no Brasil, por que tentar exemplifica-la e elucida-la como educação para a vida, questionando sua transmissão e aplicação no mundo acadêmico em geral, é mais do que interessante ...é fascinante.
Tão fascinante como ensinar e aprender que são um dos maiores desafios que o homem enfrenta em todas as épocas desde que o mundo é mundo.
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