A HERMENÊUTICA COMO MÉTODO EMPÍRICO DE INVESTIGAÇÃO - B2


 WELLER, Wivian – UNB – wivian@unb.br
GT: Filosofia da Educação / n.17
Agência Financiadora: Outra


Considerações introdutórias


A  filosofia  nas  suas  diferentes  etapas  históricas  tem  pretendido
“tomar  consciência  do  método”  ...  Hoje,  a  reflexão  filosófica,
por  intermédio  da  epistemologia,  vem  dando  importante
contribuição  ao  estudo  sobre  os  métodos  científicos  e,  sem
dúvida,  essa  contribuição  é  ainda  mais  necessária  na  atual  fase
de  aprimoramento  da  pesquisa  educacional  em  face  dos  riscos
de tecnicismos (Gamboa, 2000, p. 65).


A  discussão  em  torno  da  pesquisa  social  empírica  sempre  provocou  debates  e
controvérsias  que levaram pesquisadores e pesquisadoras a optar por diferentes teorias
ou  quadros  de  referência  para  o  desenvolvimento  de  suas  análises  (entre  outros:
funcionalismo, estruturalismo, materialismo histórico, fenomenologia social, sociologia
compreensiva  ou  interpretativa,  etnometodologia)  assim  como  por  diferentes  métodos
de abordagem (dedutivo, indutivo, abdutivo, dialético, hermenêutico, fenomenológico).
Tais discussões dividiram também o modo de se fazer pesquisa: Durante muito tempo, a
oposição  entre  objetivismo  e  subjetivismo  esteve  marcada  pelas  etiquetas  “pesquisa
quantitativa”  versus  “pesquisa  qualitativa”,  atribuindo-se  a  primeira  maior  grau  de
representatividade,  confiabilidade  e  relevância.  A  pesquisa  quantitativa  -  também
conhecida  como survey  research  -  tornou-se  sobretudo  a  partir  das  décadas  de  1950  e
1960  o  padrão  de  investigação  dominante,  atendendo  as  demandas  do  mercado  e  dos
organismos governamentais. Não obstante, no final da década de 1960 e início de 1970
esse  formalismo  metodológico  empiricista  passou  a  ser  contestado,  assim  como  a
própria  concepção  de  ciência  foi  colocada  em  questão  (Martins,  2004).  Tais
questionamentos  contribuíram  para  a  retomada  das  metodologias  qualitativas,  que
atualmente,    não  são  vistas  em  contraposição  aos  métodos  quantitativos,  mas  como
enfoques  diferentes  e  necessários  no  campo  da  pesquisa  social  empírica  (Flick,  2004,
p. 271-279). 
No  âmbito  das  discussões  sobre  os  limites  da  ciência  contemporânea,  que
apontam para a necessidade de mudança dos paradigmas vigentes (Santos, 1989) e para
a  retomada  da  pesquisa  qualitativa,  é  preciso  refletir  sobre  os  problemas  que  dizem


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respeito à qualidade de muitos estudos e pesquisas acadêmicas realizadas, cujas análises
permanecem muitas vezes dentro dos limites do que é estabelecido como senso comum.
A  dificuldade  de  transcender  o  nível  do  senso  comum  nas  análises  científicas    foi
apontada  por  Karl  Mannheim  em  seu  artigo  “Contribuições  para  a  teoria  da
interpretação      das      visões       de      mundo”      (“Beiträge       zur      Theorie       der
Weltanschaungsinterpretation”)  publicado  pela  primeira  vez  em  1921/22.  Segundo  o
autor,


se olharmos para um ‘objeto natural’, veremos à primeira vista,
aquilo que o caracteriza ... [Contudo] um produto cultural ... não
pode  ser  compreendido  em  seu  próprio  e  verdadeiro  sentido  se
nos  atermos  simplesmente  sobre  aquele  ‘nível  de  sentido’  que
ele  transmite  quando  o  olhamos  inteiramente  em  seu  sentido
objetivo.  É  necessário  considerar  seu  sentido  expressivo  e
documentário, se quisermos esgotar inteiramente seu significado
(Mannheim, 1964, p. 104 – tradução nossa).


Analisando  o  estado  da  arte  das  abordagens  qualitativas  em  geral, 
especialmente  dois  problemas,  que  dizem  respeito  à  metodologia  e  à  prática  de
pesquisa. Por um lado, as pesquisas qualitativas exigem o conhecimento e o domínio da
reflexão epistemológica e metodológica no campo das Ciências Humanas e Sociais. Para
Gamboa,


os estudos epistemológicos buscam na filosofia seus princípios e
na  ciência  seu  objeto  e  têm  como  função  não    abordar  os
problemas gerais das relações entre a filosofia e a ciência, senão
também  servem  como  ponto  de  encontro  entre  elas.  Esse
encontro    é  possível  na  prática  concreta.  Portanto,  quando
falamos  de  epistemologia  da  pesquisa  educacional,  fazemo-lo
com  base  nas  práticas  concretas  de  pesquisa  na  área  de
educação, procurando instrumentos analíticos na filosofia (2000,
p. 69).


As  abordagens  qualitativas  devem,  portanto,  superar  o  objetivismo  que
reivindica um acesso privilegiado à realidade, e, ao mesmo tempo, rebater as críticas de
que  os  resultados  produzidos  por  pesquisas  qualitativas  seriam  de  caráter  meramente
subjetivo  e/ou  de  cientificidade  duvidosa  devido  à  proximidade  entre  pesquisador(a)  e
entrevistado(a).  Para  tanto  é  necessário  que  as  pesquisas  levem  em  conta  alguns
princípios  norteadores  desses  novos  enfoques  desenvolvidos  a  partir  das  décadas  de

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1970 e 1980, entre outros, o princípio da abertura, da comunicação, da processualidade,
da reflexividade, da explicação e da flexibilidade (Neves, 1998). Sem a adoção desses
princípios  e  sem  o  controle  teórico-metodológico  permanente  do  próprio  processo  de
interpretação,  os  estudos  qualitativos  dificilmente  escaparão  dos  “rótulos”  atribuídos  a
esse tipo de pesquisa.
Por  outro,  fazem-se  necessários  estudos  voltados  para  a reconstrução das bases
filosóficas  que  deram  origem  às  abordagens  teórico-metodológicas  de  caráter
qualitativo  no  campo  das  ciências  sociais  e  da  educação.  Nesse  sentido,  o  presente
trabalho visa a analisar a contribuição da hermenêutica no desenvolvimento de aportes
teórico-metodológicos para a pesquisa qualitativa.




A hermenêutica como teoria e método de interpretação 


A hermenêutica surgiu como “reflexão teórica-metodológica acerca da prática de
interpretação  dos  textos  sagrados,  clássicos  (literários)  e  jurídicos  (leis)”  (Domingues,
2004,  p.  345).  Compreende  atualmente  um  vasto  campo  com  diferentes  objetivos  e
posições  filosóficas,  assim  como  diferentes  métodos  de  interpretação  de  textos
inspirados em teóricos como Schleiermacher (1768-1834), Dilthey (1833-1911), Weber
(1864-1920)1, Mannheim (1893-1947)2, Heidegger (1889-1976), Gadamer (1900-2002),
Habermas (1929-) e Ricœur (1913-)3.
Na  busca  de  cientificidade  para  as  ciências  interpretativas  o  filósofo  Wilhelm
Dilthey  publica  no  ano  de  1900  um  texto  sobre  o  “Surgimento  da  Hermenêutica”  (cf.
Dilthey, 2004) e no qual o autor estabelece uma distinção entre “explicar” (Erklären) e
“compreender” (Verstehen) para as ciências humanas. Dilthey defende a necessidade de
um método distinto àqueles utilizados nas ciências naturais, ou seja, “as ciências sociais
e  a  história  não  poderiam  ser  adaptadas  à  lógica  das  ciências  naturais  porque  a
compreensão  interpretativa  tem  um  papel  diferente  nas  ciências”  (Scocuglia,  2002,  p.
251)4. 



1   Sobre  a  posição  de  Weber  como  hermeneuta  cf.  Domingues  (2004,  p.  367-374)  e  Bauman  (1978,
p. 69-88).
2   Cf. Bauman (1978); Hekman (1990).
3   Ricœur pertence à corrente conhecida como hermenêutica fenomenológica (cf. Halder, 2000).
4  Nas  palavras  de  Dilthey  (1982,  p.  144)  “a  natureza  é  explicada,  a  vida  espiritual  é  compreendida”
(“Die Natur erklären wir, das Seelenleben verstehen wir”).


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Essa distinção realizada por Dilthey é retomada e aprimorada por Mannheim na
elaboração  de  seu método  documentário  de  interpretação  como  uma  forma  de  análise
das visões de mundo de uma determinada época e como uma metodologia centrada na
análise dos fenômenos “culturais” e não dos fenômenos “naturais”. Para Mannheim, 


la  interpretación  se  ocupa  de  la  más  profunda  comprensión  del
sentido.  La  explicación  genético-causal  proporciona  la  historia
de  las  condiciones  de  la  actualización  y  la  realización  del
sentido. Sin embargo, el sentido mismo no puede ser, en última
instancia,  explicado  causalmente.  El  sentido  en  su  contenido
más  auténtico  sólo  puede  ser  compreendido  o  interpretado
(Mannheim, 1964, p. 151 apud Muñoz, 1993, p. 53).


Na  acepção  da  hermenêutica  como  “ciência  da  cultura”  (Kunstlehre)  ou  como
teoria  do  conhecimento  das  “ciências  do  espírito”  (Geisteswissenschaften)  Dilthey  e
posteriormente  Mannheim  estão  preocupados  em  fazer  da  “compreensão”,  que  não
deixa  de  ser  um  processo  cotidiano  que  acompanha  toda  ação  social,  um  método
científico  de  construção  de  conhecimento  ou    nas  palavras  de  Mannheim    de
transformação  do  conhecimento  pré-reflexivo  ou  ateórico  em  conhecimento  teórico
(Mannheim  1964  e  1980).  Alguns  aportes  teóricos  das  metodologias  qualitativas  nas
ciências  sociais  e  na  educação  tomaram  a  concepção  hermenêutica  de  Dilthey  como
ponto  de  partida  de  suas  reflexões  teórico-metodológicas,  mas  acabaram  por
desenvolver novos enfoques, não só em relação ao objeto a ser estudado, mas ao próprio
conceito  ou  significado  da  “compreensão”.  Nesse  sentido,  os  objetos  estudados  nas
ciências  sociais  e  na  educação  não  compreendem  apenas  textos  literários  ou  obras  de
arte  mas,  sobretudo,  as  expressões  ou  interações  estabelecidas  na  comunicação  diária,
que, no processo de pesquisa, são coletadas através de entrevistas narrativas, grupos de
discussão  ou  outros  procedimentos  como  as  gravações  em  vídeo.  Enquanto  Dilthey
argumentava  que  a  particularidade  das  “ciências  do  espírito”  está  na  compreensão  da
“vida  espiritual”  ou  do  sentido  oculto,  que  está  por  detrás  das  ações  humanas,  as
metodologias  qualitativas  atuais  argumentam  que  não  é  possível  estabelecer  uma
separação rigorosa entre sujeito e objeto. Em outras palavras: as abordagens qualitativas
não  trabalham  com  campos  ‘recortados’  ou  ‘medidos’  de  forma  objetiva,  mas  com
construtos  sociais,  cuja  importância    será  reconhecida  no  processo  interativo  de
pesquisa  e  de  interpretação  dos  dados  coletados.  Ao  invés  da  compreensão
hermenêutica dos “níveis espirituais” (Seelenzustände), a interpretação hermenêutica no


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âmbito  das  metodologias  qualitativas  atuais  busca  reconstruir  os  processos  interativos,
que produzem o “sentido prático” ou a construção social da realidade (Köller, 2003).




O desenvolvimento de metodologias qualitativas de inspiração hermenêutica 


No período do pós-guerra até o final da década de setenta do século passado, as
pesquisas  empíricas  no  campo  das  ciências  sociais  e  da  educação  eram  desenvolvidas
sob  forte  influencia  das  abordagens  quantitativas  em  combinação  com  variáveis
macrosociológicas  como  “poder,  ideologia,  autoridade,  desigualdade  social,  alienação,
etc.”  que  buscavam  captar  uma  “visão  exclusivamente  macroscópica  do  social”  (Pais,
2003,  p.  75-76).  Segundo  Sandín  Esteban  (2003)  as  discussões  sobre  a  influência  do
positivismo  lógico  nas  ciências  humanas  assim  como  as  críticas  às  categorias
estabelecidas  nas  ciências  exatas  e  adotadas  pelas  ciências  humanas  levaram  ao
reconhecimento  da  hermenêutica  como  aporte  teórico-metodológico  para  a  pesquisa
qualitativa no campo educacional:


Empezó  a  reconocerse  la  hermenéutica  como  una  filosofía  que
permitía fundamentar y legitimar aproximaciones interpretativas
a  través  de  métodos  de  investigación  que  se  centraban  en  la
comprensión  y  el  significado  en  contextos  específicos.  Ese
reconocimiento fue la consecuencia de la polémica suscitada en
la  segunda  mitad  de  nuestro  siglo  acerca  de  los  límites  del
programa  propuesto  por  el  positivismo  lógico  y  de  la
consecuente     necesidad      de     fundamentos     filosóficos     y
epistemológicos alternativos para la investigación educativa. De
ese  modo,  el  viraje  hacia  la  hermenéutica  que  han  venido
protagonizando  profesionales  e  investigadores  del  campo  de  la
educación  puede  interpretarse  como  parte  de  la  larga  crisis  que
ha  supuesto  el  serio  cuestionamiento  de  la  autoridad  del
positivismo como fundamento filosófico y metodológico para la
acción y la investigación educativa (op. cit., p. 61).


Com o crescente interesse pela pesquisa qualitativa a partir da década de oitenta
do  século  XX,  a  hermenêutica  passa  a  ocupar  um  papel  central  no  campo  das
metodologias  interpretativas,  sobretudo  nos  países  de  língua  alemã.  Essa  aproximação
entre  hermenêutica  e  ciências  sociais  vêm  sendo  discutida  por  autores  como  Hans-
Georg Soeffner (2004), Norbert Schröer (1994), Ronald Hitzler & Anne Honer (1997),
Ronald Hitzler, Jo Reichertz & Norbert Schröer (1999).


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Ronald Kurt (2004) apresenta-nos em seu trabalho um estudo sobre os diferentes
representantes  e  momentos  históricos  da  hermenêutica,  destacando  sua  relação  com as
ciências sociais, especialmente com a sociologia compreensiva. Segundo Kurt (op cit), a
sociologia  compreensiva  e  os  trabalhos  primórdios  que  a  fundamentaram,  foram
realizados  à  distância  da  hermenêutica  e  autores  como  Max  Weber  e  Alfred  Schütz
buscaram  traçar  seus  próprios  caminhos.  A  despeito  de  algumas  aproximações  através
da  adoção  de  alguns  conceitos  heideggerianos  por  Alfred  Schütz,  a  relação  entre
sociologia compreensiva e hermenêutica permaneceu distante. Nem mesmo a discussão
em  torno  da  distinção  realizada  por  Dilthey  entre  “compreender”  e  “explicar”,  assim
como  dos  debates  entre  Gadamer  e  Habermas  contribuíram  para  uma  aproximação
maior entre hermenêutica e ciências sociais (Kurt, 2004, p. 235).
A  crítica  de  Ronald  Kurt  (2004)  com  relação  ao  distanciamento  entre  a
hermenêutica  e  a  sociologia  compreensiva  mereceria  um  estudo  à  parte,  o  qual
ultrapassaria  os  objetivos  deste  trabalho.  Mas  a  crítica  do  autor  não  se  aplica,  por
exemplo,  à  relação  entre  hermenêutica  e  sociologia  do  conhecimento,  ou  mais
especificamente ao diálogo de Karl Mannheim com a hermenêutica, o que talvez possa
ser  visto  como  um  dos  motivos  para  o  distanciamento  ou  não-consideração  de  seus
escritos por parte de alguns grupos de intelectuais de Heidelberg e Frankfurt no período
de  1920-1933,  ou  seja,  no  período  em  que  Mannheim  viveu  na  Alemanha.  De  acordo
com Susan Hekman:


A  sociologia  do  conhecimento  de  Mannheim  tem  uma  afinidade
notável  com  a  aproximação  antifundacional  de  Gadamer.  Como
Gadamer,  Mannheim  ataca  a  concepção  de  verdade  iluminista  e
adere  a  uma  perspectiva  que,  apesar  de  ele  não  chamar  de
«hermenêutica», é uma teoria da interpretação que tem muito em
comum  com  a  hermenêutica  contemporânea    O  seu  ataque
explícito ao conceito de verdade utilizado nas ciências naturais e a
sua  adesão  a  uma  teoria  da  interpretação  que,  como  a  de
Gadamer,  reconhece  a  inevitabilidade  dos  «preconceitos»  tanto
por  parte  do  intérprete  como  por  parte  do  interpretado  fornecem
uma base comum entre as duas posições (op cit, 1990, p. 88).


Além  das  afinidades  entre  o  pensamento  de  Mannheim  e  Gadamer,  Susan
Hekman  destaca  outros  aspectos  de  relevância  crucial  para  os  estudos  e  pesquisas
contemporâneas:

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A  terceira  razão  pela  qual  a  sociologia  do  conhecimento  de
Mannheim é útil no actual contexto é também metodológica. A
sociologia do conhecimento antifundacional que eu defendo tem
de ser capaz de estabelecer uma continuidade entre dois tipos de
investigação,  que  têm  estado  separados  na  maior  parte  do
pensamento  do  século  XX:  a  investigação  filosófica  das  pré-
compreensões  subjacentes  que  constituem  a  vida  social  do
homem  (por  exemplo,  das  Man  de  Heidegger  e  os
«preconceitos»  de  Gadamer)  e  a  análise  de  sistemas  explícitos
da crença e a sua relação com grupos específicos ... [Mannheim]
define as duas espécies de investigação como ligadas, afirmando
que a preocupação do filósofo com o que Heidegger chama «das
Man»  marca  o  início  da  tarefa  do  sociólogo  (1952:  197-8).  A
obra de Mannheim pode, portanto, utilizar-se para estabelecer o
argumento  de  que  existe  uma  continuidade  entre  estas  duas
espécies  de  investigação  e  que  a  sociologia  do  conhecimento,
corretamente entendida, engloba ambas (idem, p. 88-89).


Essa  aproximação  entre  os  dois  tipos  de  investigação  (hermenêutica  e
sociológica)  e  de  inclusão  de  ambas  perspectivas  no  processo  de  interpretação, 
começa  a  ganhar  visibilidade  na  década  de  oitenta  do  século  passado,  quando  as
abordagens  qualitativas  começam  a  ser  vistas  não  mais  em  oposição  aos  métodos
quantitativos, mas como enfoques diferentes e necessários no campo da pesquisa social
empírica. De acordo com Kurt (2004), a hermenêutica inspirou a criação de métodos de
coleta  de  dados  qualitativos  e  de  diferentes  correntes  teórico-metodológicas  de  análise
desses dados, dentre as quais destacamos5: a hermenêutica objetiva (associada a Ulrich
Oevermann;  cf.  abaixo),  a  hermenêutica  sociológica  do  conhecimento  (entre  outros:
Soeffner, Hitzler, Schröer, Reichertz6), a Tiefenhermeneutik ou  hermenêutica profunda
(criada por Alfred Lorenzer; cf. König, 2004), a análise de narrativas (associada a Fritz
Schütze,  cf.  Bauer  &  Jovchelovitch,  2000)  e  o  método  documentário  de  interpretação
(desenvolvido por Ralf Bohnsack, 2001, 2003).
Embora  a  hermenêutica  tenha  inspirado  a  criação  de  diferentes  abordagens
interpretativas, Kurt (2004, p. 236) afirma que as potencialidades da hermenêutica para
o  campo  das  ciências  sociais  assim  como  para  a  pesquisa  em  educação,  foram  pouco
exploradas até o momento; trata-se, portanto, de uma aproximação ainda em fase inicial.
Algumas  metodologias  qualitativas  de  inspiração  hermenêutica  surgiram  a  partir  de
estudos  e  pesquisas  empíricas  no  campo  educacional,  entre  outras,  a  hermenêutica


5   Para uma visão geral dessas distintas abordagens cf. Hitzler & Honer, 1997.
6
   Para uma apresentação desta abordagem na lingua inglesa, cf. Jo Reichertz, 2004.


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objetiva de Ulrich Oevermann, cuja apresentação e discussão será realizada no tópico a
seguir.




A hermenêutica objetiva de Ulrich Oevermann


A  hermenêutica  objetiva  de  Ulrich  Oevermann    professor  da  Universidade  de
Frankfurt  –,  encontra-se  em  consonância  com  a  teoria  crítica  e  com  a  hermenêutica
crítica de Jürgen Habermas. Segundo Bohnsack (2003, p. 69), as reflexões e análises de
Habermas foram decisivas para a transformação da hermenêutica em uma metodologia
relevante para as ciências sociais e diríamos que também o foram para as pesquisas no
campo  educacional.  Mas  mesmo  estando  vinculado  à  Escola  de  Frankfurt  e  atuando
como  professor  nesta  Universidade,  a  proposta  de  Oevermann  em  muito  se  difere  das
reflexões habermasianas sobre hermenêutica. De acordo com Bohnsack (op cit, p. 71), a
diferença  entre  Habermas  e  Oevermann  reside  no  fato  de  que  o  primeiro  concentrou
suas  análises  em  problemas  epistemológicos  (erkenntnistheoretischen  Problemen)  ao
passo que o segundo concebeu a hermenêutica objetiva a partir da experiência prática,
ou  seja,  com  base  nas  pesquisas  empíricas  coordenadas  por  ele.  Trata-se  de  uma
proposta  metodológica  de  coleta  e  análise  de  dados  empíricos  desenvolvida  e
fundamentada  na  prática  e  não  em  categorias  teóricas  previamente  elaboradas,  cujo
objetivo é a reconstrução do meio social pesquisado. 
Inicialmente,  a  proposta  de  Oevermann  esteve  voltada  somente  para  a
«reconstrução do sentido estrutural objetivo» do texto, ou seja, para a captação daquilo
que os produtores de texto pensavam, esperavam, objetivavam ou pretendiam expressar
no  momento  da  elaboração.  Posteriormente  passa-se  a  defender  a  tese  de  que  as
intenções  subjetivas  dos  produtores  de  texto  não  são  relevantes  para  a  análise  na
perspectiva da hermenêutica objetiva. Realmente relevante para a interpretação ou o que
deve ser levado em consideração pelo intérprete é o sentido estrutural objetivo do texto
em  seu  idioma  e  comunidade  de  interação  específica.  Os  integrantes  dessa  corrente
metodológica  passaram  a  utilizar  o  atributo  ‘objetivo’  não    em  relação  ao  objeto
estudado  (Gegenstandsbereich),  mas  também  em  relação  à  validade  da  interpretação
realizada  por  meio  desse  procedimento.  Segundo  esses  autores  a  perspectiva  da
hermenêutica  objetiva  possibilita  a  elaboração  ou  construção  de  resultados  objetivos
sobre o objeto estudado. 


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De  acordo  com  Reichertz  (op  cit),  a  validade  da  análise  é  garantida  através  da
observação  rigorosa  dos  princípios  ou  normas  da  interpretação  hermenêutica-objetiva,
na qual o intérprete deverá considerar tanto o sentido latente ou objetivo, por exemplo,
de  uma  expressão,  texto,  imagem  ou  fotografia  como  o  seu  sentido  subjetivo  ou
intencional (cf. abaixo). 




Sobre a origem da hermenêutica objetiva


Como  citado  anteriormente,  a  hermenêutica  objetiva  surgiu  a  partir  de  uma
pesquisa  empírica  no  campo  da  educação.  Concretamente,  sua  origem  remonta  a  um
estudo realizado no final da década de sessenta e início da década de setenta do século
passado sobre «Origem Familiar e Escola» (Elternhaus und Schule), sob a coordenação
de  Ulrich  Oevermann,  Lothar  Krappmann  e  Kurt  Kreppner  (cf.  Reichertz,  2004).
Tratava-se,  inicialmente,  de  uma  pesquisa  quantitativa  que  buscava  estabelecer  uma
correlação  entre ‘origem social e desenvolvimento da aprendizagem’. Mas Oevermann
chegou  à  conclusão de que era preciso estudar o meio social no qual se constituem os
processos de socialização, ou seja, a interação com a família. Portanto, na busca de uma
ferramenta analítica adequada para compreender o processo de socialização Oevermann
e sua equipe desenvolveram um conjunto de procedimentos para coleta e análise destes
dados.  Para  tanto  a  hermenêutica  objetiva  apoiou-se,  por  um  lado,  na  teoria  crítica  da
Escola de Frankfurt, e, por outro, na teoria da linguagem de George Herbert Mead, no
conceito  de  ‘regra’  (rules)  de  John  Searle  e  no  princípio  lógico  da  ‘abdução’  de  Jame
Peirce (cf. Reichertz, 2004, p. 291).
Posteriormente Oevermann não mais se ateve à fundamentação metodológica de
seu método mas à teorização de alguns conceitos ou temas específicos, entre outros: o
conceito  de  “estrutura”,  a  teoria  das  profissões,  as  formas  de  organização  das
reportagens  criminais,  a  crítica  aos  mídia  (Medienkritik),  a  importância  da  religião,  o
desenvolvimento de inovações, assim como constantes estudos sobre a pintura artística.
Outros  autores  vinculados  à  hermenêutica  objetiva  buscaram  ampliar  a  discussão
relativa  às  implicações  teóricas  e  metodológicas  desse  procedimento  de  análise,
transformando-o  em  um  importante  instrumento  para  a  interpretação  de  textos  ou
entrevistas,  imagens  e  fotografias  (cf.  Reichertz,  2004,  1997;  Wohlrab-Sahr,  2003).
Atualmente  a  hermenêutica  objetiva  está  associada  a  um  conjunto  de  metodologias

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qualitativas  de  caráter  reconstrutivo,  e,  representa  -  juntamente  com  o  método  de
interpretação  analítica  (erzählanalytische  Verfahrensweise)  de  Fritz  Schütze  e  o
método  documentário  de  interpretação  de  Ralf  Bohnsack  -,  um  dos  principais
referenciais  teórico-metodológicos  utilizados  nas  pesquisas  qualitativas  em  Ciências
Sociais e Educação nos países de língua alemã7. 




Princípios ou normas da interpretação hermenêutica objetiva


Contrariamente  ao que muitos poderiam imaginar, Reichertz (2004) afirma não
existir  um  procedimento  de  análise  específico,  embora  a  bibliografia  sobre  a
hermenêutica  objetiva  apresente  algumas  estratégias  a  serem  adotadas  por  aqueles que
pretendem  trabalhar  com  o  método.  Wohlrab-Sahr  (2003)  é  enfática  ao  afirmar  que  a
observação rigorosa dos princípios ou normas de interpretação segundo a hermenêutica
objetiva  são  decisivos  para  a  validade  da  interpretação  e  elaboração  de  resultados
objetivos  sobre  o  objeto  estudado.  A  autora  enumera  sete  princípios  ou  normas  de
interpretação da hermenêutica objetiva (cf. op cit, p. 124-126):


a)  A  primeira  norma  pressupõe  uma  interpretação  seqüencial  do  texto,  ou  seja,  de
segmento  em  segmento.  O  trabalho  de  interpretação começa no início de um texto
ou  entrevista  e  tem  por  objetivo  a  reconstrução  dos  segmentos seguintes com base
nas  interpretações  ou  ‘elaborações  objetivas’  realizadas  até  essa  etapa.  Algumas
perguntas  auxiliam  o  intérprete  nessa  fase  de  análise,  por  exemplo:  Que  problema
emerge para a pessoa “A”, na situação “X” e no momento “Z”? Que possibilidades
de  ação  a  pessoa  “A”  potencialmente  teria  diante  da  situação  “X”  e  no  momento
“Z”? E, em um segundo momento: que iniciativas foram tomadas pela pessoa “A”
ou o que a mesma afirmou e quais são os novos problemas que se apresentam para a
pessoa “A” diante da decisão tomada ou da afirmação realizada? Após a verificação
inicial  com  base  nessas  perguntas  o  intérprete  analisa  as  alternativas  apontadas
como possíveis, contrastando-as com as alternativas adotadas pelo entrevistado.




7   Textos  para  download,  detalhes  e  informações  sobre o conjunto de pesquisas e atividades realizadas
no  campo  da  hermenêutica  objetiva  encontram-se  disponíveis  no  site:  http://user.uni-frankfurt.de/
~hermeneu/lehrstuhl.htm. 


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b)  Associada  a  essa  primeira  norma,  o  intérprete  aplica  uma  segunda  ferramenta  de
interpretação  denominada  Explicação  mental-experimental  de  possíveis  leituras
(gedankenexperimentelle  Explikation  von  Lesarten).  Segundo  a  autora,  o  exercício
mental  de  construção  de  possíveis  leituras  sobre  uma  ação  ou  afirmação  do
entrevistado  tem  por  objetivo  a  captação  daquilo  que  é  específico  na  situação  em
questão,  evitando,  dessa  forma,  conclusões  apressadas  ou  previamente  elaboradas
por  parte  do  intérprete.  Esse  procedimento  pressupõe  o  desenvolvimento  de  uma
série de possíveis leituras no início da interpretação, que vão sendo abandonadas na
medida em que a especificidade do caso ou de sua estrutura são evidenciadas. 


c)  Mesmo  se  tratando  de  um  processo  de  interpretação  extensivo  a  hermenêutica
objetiva  se  orienta  pelo  princípio  definido  como  ‘regra  do  poupar’
(Sparsamkeitsregel),  ou  seja,  da  inclusão  de  possíveis  leituras  efetivamente
relacionadas  ao  texto.  Nesse  sentido,  afirmações  sobre  disposições  físicas  do
entrevistado,  quando  ausentes  no  texto,  não  constituem  objeto  da  interpretação
hermenêutica.  O  mesmo  se  aplica  às  interpretações  inconsistentes  e  casuais  sobre
supostos  motivos  para  a  ação  ou  afirmação  do  entrevistado,  mas  que  não  se
encontram de forma explícita no texto.


d)  Outro  princípio  diretamente  associado  ao  anterior  diz  respeito  ao  caráter  literal
(Wörtlichkeit)  da  interpretação.  Mesmo  se  tratando  de  uma  análise  que  objetiva  a
reconstrução do sentido latente de uma expressão, o intérprete não deve adentrar-se
pelo caminho ‘dedutivo’, de elaborações do que o entrevistado supostamente estaria
pensando  ao  formular uma determinada frase. A interpretação literal do texto deve
tomar  a  fala  do  entrevistado  como  base e não suposições teóricas, retiradas muitas
vezes  de  contextos  sociais  e  momentos históricos completamente distintos daquele
ao qual o entrevistado se encontra vinculado. Somente numa etapa posterior, após a
identificação  da  especificidade  do  caso  (conforme  explicitado  acima)  o  intérprete
pode e deve recorrer a outras ferramentas teóricas ou categorias de análise.


e)  Os  procedimentos  anteriores  correspondem  ao  princípio  interpretativo  que
Oevermann definiu como  totalidade. Na acepção do autor tal princípio implica em
um  processo  de  interpretação  e  busca  de  sentido  para  todos  as  expressões  ou
palavras  contidas  em  um  segmento,  mesmo  aquelas  aparentemente  desprovidas  de


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sentido.  De  acordo  com  a  hermenêutica  objetiva  a  reconstrução  de  um  caso  não  é
realizada por meio da classificação, ou seja, da inclusão ou exclusão de elementos a
partir de um critério específico, mas através da ‘captação da legalidade interna’ do
caso  (‘die  innere  Gesetzmäßigkeit  eines  Falles  zu  erschließen’).  Nesse  sentido,
expressões  aparentemente  sem  sentido  no  contexto  de  uma  frase  ou  segmento
devem ser detalhadamente analisadas com o objetivo de verificar se as mesmas são
compatíveis com as interpretações realizadas ou se apontam contradições na análise
desenvolvida pelo intérprete até essa etapa.


f)  O  procedimento  requer  uma  reflexão  sobre  os  conhecimentos  empregados  na
análise, uma vez que a construção de possibilidades objetivas de interpretação exige
o  domínio  de  conhecimentos  teóricos  e  do  contexto  social  do  entrevistado.  Nesse
sentido, o método hermenêutico-objetivo não prescinde da teoria e do conhecimento
sobre  o  contexto,  mas  atenta  para  o  fato  de  que  a  interpretação  objetiva  deve  ser
realizada,  em  um  primeiro  momento,  com  base  no  texto  e  não  em  conclusões
resultantes  de  informações  que  o  intérprete  possui  sobre  o  entrevistado  ou  sobre  o
meio  social  em  que  o  mesmo  está  inserido.  As  fontes  teóricas  assim  como
informações oriundas da observação participante ou de outras formas de inserção no
meio social ao qual pertence o entrevistado serão levadas em consideração somente
em um segundo momento da análise.


g)  O  procedimento  de  análise  hermenêutico-objetivo  e  o  exercício  mental  de
construção de possíveis leituras de um determinado segmento ou de uma entrevista
como  um  todo  é  um  trabalho  a  ser  realizado  em  um  coletivo.  Nesse  sentido,
recomenda-se a criação de um ‘grupo de intérpretes’ que irão discutir e analisar os
dados empíricos8.




A guisa de conclusão


Como  vimos,  a  hermenêutica  desempenhou  um  papel  crucial  no
desenvolvimento de metodologias e métodos de análise qualitativa de dados empíricos a

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partir  da  segunda  metade  do  século  XX.  Contudo,  as  possibilidades  de  interpretação
hermenêutica  são  muitas  e  sua  utilização  nas  pesquisas  em  educação  ainda  continuam
muito  restritas.  Na  práxis  educativa  ou  no  agir  pedagógico  a  hermenêutica  também
oferece  contribuições  importantes  no  sentido  de  superarmos  as  tendências  tecnicistas,
que  “deixam  escapar  a  experiência  dos  atores  envolvidos  no  processo,  com  seus
inevitáveis preconceitos e danos, e, [que] por conseqüência, empobrecem a experiência
formativa (Hermann, 2003, p. 84).
Nesse sentido, o resgate das experiências pré-reflexivas ou ateóricas (Mannheim
1964 e 1980) dos atores envolvidos no processo educativo ou nos estudos realizados, é
de fundamental importância para a construção de novos sentidos para a ação educativa e
para a pesquisa em educação. De acordo com Hermann:


A  possibilidade  compreensiva  da  hermenêutica  permite  que  a
educação torne esclarecida para si mesma suas próprias bases de
justificação,  por  meio  do  debate  a  respeito  das  racionalidades
que  atuam  no  fazer  pedagógico.  Assim,  a  educação  pode
interpretar  o  seu  próprio  modo  de  ser,  em  suas  múltiplas
diferenças (op cit, p. 83).




Referências bibliográficas



BAUER,  Martin;  JOVCHELOVITCH,  Sandra.  Entrevista  narrativa.  In:  BAUER,
Martin;  GASKELL,  George.  Pesquisa  qualitativa  com  texto,  imagem  e  som.  Um
manual prático. Petrópolis: Vozes, 2002, p. 90-113.

BAUMAN,  Zygmunt.        Hermeneutics  and  Social  Science.  Approaches  to
understanding. London: Hitchinson, 1978

BOHNSACK,  Ralf.  Rekonstruktive  Sozialforschung.  Einführung  in  Methodologie
und Praxis qualitativer Forschung (5a. ed.). Opladen: Leske + Budrich, 2003.

BOHNSACK,  Ralf.  Typenbildung,  Generalisierung  und  komparative  Analyse.
Grundprinzipien  der  dokumentarischen  Methode.  In:  BOHNSACK,  Ralf;  NENTWIG-
GESEMANN, Iris; NOHL, Arnd-Michael (orgs.): Die dokumentarische Methode und
ihre Forschungspraxis. Opladen: Leske + Budrich, 2001.

DILTHEY,  Wilhelm.  Die  Entstehung  der  Hermeneutik.  In:  STRÜBING,  Jörg;
SCHNETTLER,  Bernt  (orgs.).         Methodologie  interpretativer  Sozialforschung:


8   Para maiores detalhes sobre as normas de interpretação segundo a hermenêutica objetiva vide Wernet,
2000 e Flick, 2004, p. 222-228.

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