HISTÓRIA DOS NÚMEROS
APRESENTAÇÃO
Este trabalho é fruto de
pesquisas feitas a busca de respostas para questionamentos feitos pelo
professor (a) no curso de Metodologia do Ensino da Matematica, onde deveria
fazer um breve relato, porem ao estudar, verifiquei que não deveria ocultar
aquilo que me era disposto em muitos intens, para que futuramente o mesmo me
servisse de material de estudo.
Desta forma, procurei
responder as questões o mais completo possível.
FLAVIO
MARQUES DA SILVA GUEDES
A
noção de número e suas extraordinárias generalizações estão intimamente ligadas
à história da humanidade. E a própria vida está impregnada de matemática:
grande parte das comparações que o homem formula, assim como gestos e atitudes
cotidianas, aludem conscientemente ou não a juízos aritméticos e propriedades
geométricas. Sem esquecer que a ciência, a indústria e o comércio nos colocam
em permanente contato com o amplo mundo da matemática.
A LINGUAGEM DOS NÚMEROS
Em todas as épocas da evolução humana, mesmo nas mais
atrasadas, encontra-se no homem o sentido do número. Esta faculdade lhe permite
reconhecer que algo muda em uma pequena coleção (por exemplo, seus filhos, ou
suas ovelhas) quando, sem seu conhecimento direto, um objeto tenha sido
retirado ou acrescentado.
O sentido do número, em sua significação primitiva e no seu
papel intuitivo, não se confunde com a capacidade de contar, que exige um
fenômeno mental mais complicado. Se contar é um atributo exclusivamente humano,
algumas espécies de animais parecem possuir um sentido rudimentar do número.
Assim opinam, pelo menos, observadores competentes dos costumes dos animais.
Muitos pássaros têm o sentido do número. Se um ninho contém quatro ovos,
pode-se tirar um sem que nada ocorra, mas o pássaro provavelmente abandonará o
ninho se faltarem dois ovos. De alguma forma inexplicável, ele pode distinguir
dois de três.
O CORVO ASSASSINADO
Um senhor feudal estava decidido a matar um corvo que tinha
feito ninho na torre de seu castelo. Repetidas vezes tentou surpreender o
pássaro, mas em vão: quando o homem se aproximava, o corvo voava de seu ninho,
colocava-se vigilante no alto de uma árvore próxima, e só voltava à torre
quando já vazia. Um dia, o senhor recorreu a um truque: dois homens entraram na
torre, um ficou lá dentro e o outro saiu e se foi. O pássaro não se deixou
enganar e, para voltar, esperou que o segundo homem tivesse saído. O
estratagema foi repetido nos dias seguintes com dois, três e quatro homens,
sempre sem êxito. Finalmente, cinco homens entraram na torre e depois saíram
quatro, um atrás do outro, enquanto o quinto aprontava o trabuco à espera do
corvo. Então o pássaro perdeu a conta e a vida.
As espécies zoológicas com sentido do número são muito
poucas (nem mesmo incluem os monos e outros mamíferos). E a percepção de
quantidade numérica nos animais é de tão limitado alcance que se pode
desprezá-la. Contudo, também no homem isso é verdade. Na prática, quando o
homem civilizado precisa distinguir um número ao qual não está habituado, usa
conscientemente ou não - para ajudar seu sentido do número - artifícios tais
como a comparação, o agrupamento ou a ação de contar. Essa última,
especialmente, se tornou parte tão integrante de nossa estrutura mental que os
testes sobre nossa percepção numérica direta resultaram decepcionantes. Essas
provas concluem que o sentido visual direto do número possuído pelo
homem civilizado raras vezes ultrapassa o número quatro, e que o sentido tátil
é ainda mais limitado.
LIMITAÇÕES VÊM DE LONGE
Os estudos sobre os povos primitivos fornecem uma notável
comprovação desses resultados. Os selvagens que não alcançaram ainda o grau de
evolução suficiente para contar com os dedos estão quase completamente
disprovidos de toda noção de número. Os habitantes da selva da África do Sul
não possuem outras palavras numéricas além de um, dois e muitos,
e ainda essas palavras estão desvinculadas que se pode duvidar que os indígenas
lhes atribuam um sentido bem claro.
Realmente não há razões para crer que nossos remotos
antepassados estivessem mais bem equipados, já que todas as linguagens
européias apresentam traços destas antigas limitações: a palavra inglesa thrice,
do mesmo modo que a palavra latina ter, possui dois sentidos:
"três vezes" e "muito". Há evidente conexão entre as
palavras latinas tres (três) e trans (mais além). O mesmo
acontece no francês: trois (três) e très (muito).
Como nasceu o conceito de número? Da experiência? Ou, ao
contrário, a experiência serviu simplesmente para tornar explícito o que já
existia em estado latente na mente do homem primitivo? Eis aqui um tema
apaixonante para discussão filosófica.
Julgando o desenvolvimento dos nossos ancestrais pelo
estado mental das tribos selvagens atuais, é impossível deixar de concluir que
sua iniciação matemática foi extremamente modesta. Um sentido rudimentar de
número, de alcance não maior que o de certos pássaros, foi o núcleo do qual
nasceu nossa concepção de número. Reduzido à percepção direta do número, o
homem não teria avançado mais que o corvo assassinado pelo senhor feudal.
Todavia, através de uma série de circunstâncias, o homem aprendeu a completar
sua percepção limitada de número com um artifício que estava destinado a
exercer influência extraordinária em sua vida futura. Esse artifício é a
operação de contar, e é a ele que devemos o progresso da humanidade.
O NÚMERO SEM CONTAGEM
Apesar disso, ainda que pareça estranho, é possível chegar
a uma idéia clara e lógica de número sem recorrer a contagem. Entrando numa
sala de cinema, temos diante de nós dois conjuntos: o das poltronas da sala e o
dos espectadores. Sem contar, podemos assegurar se esses dois conjuntos têm ou
não igual número de elementos e, se não têm, qual é o de menor número. Com
efeito, se cada assento está ocupado e ninguém está de pé, sabemos sem contar
que os dois conjuntos têm igual número. Se todas as cadeiras estão ocupadas e
há gente de pé na sala, sabemos sem contar que há mais pessoas que poltronas.
Esse conhecimento é possível graças a um procedimento que
domina toda a matemática, e que recebeu o nome de correspondência biunívoca.
Esta consiste em atribuir a cada objeto de um conjunto um objeto de outro, e
continuar assim até que um ou ambos os conjuntos se esgotem.
A técnica de contagem, em muitos povos primitivos, se reduz
precisamente a tais associações de idéias. Eles registram o número de suas
ovelhas ou de seus soldados por meio de incisões feitas num pedaço de madeira
ou por meio de pedras empilhadas. Temos uma prova desse procedimento na origem
da palavra "cálculo", da palavra latina calculus,
que significa pedra.
A IDÉIA DE CORRESPONDÊNCIA
A correspondência biunívoca resume-se numa
operação de "fazer corresponder". Pode-se dizer que a contagem se
realiza fazendo corresponder a cada objeto da coleção (conjunto), um número que
pertence à sucessão natural: 1,2,3...
A gente aponta para um objeto e diz: um; aponta
para outro e diz: dois; e assim sucessivamente até esgotar os objetos
da coleção; se o último número pronunciado for oito, dizemos que a coleção tem
oito objetos e é um conjunto finito. Mas o homem de hoje, mesmo com
conhecimento precário de matemática, começaria a sucessão numérica não pelo um
mas por zero, e escreveria 0,1,2,3,4...
A criação de um símbolo para representar o "nada"
constitui um dos atos mais audaciosos da história do pensamento. Essa criação é
relativamente recente (talvez pelos primeiros séculos da era cristã) e foi
devida às exigências da numeração escrita. O zero não só permite
escrever mais simplesmente os números, como também efetuar as operações.
Imagine o leitor - fazer uma divisão ou multiplicação em números romanos! E no
entanto, antes ainda dos romanos, tinha florescido a civilização grega, onde
viveram alguns dos maiores matemáticos de todos os tempos; e nossa numeração é
muito posterior a todos eles.
DO RELATIVO AO ABSOLUTO
Pareceria à primeira vista que o processo de
correspondência biunívoca só pode fornecer um meio de relacionar, por
comparação, dois conjuntos distintos (como o das ovelhas do rebanho e o das
pedras empilhadas), sendo incapaz de criar o número no sentido
absoluto da palavra. Contudo, a transição do relativo ao absoluto não é
difícil.
Criando conjuntos modelos, tomados do mundo que
nos rodeia, e fazendo cada um deles caracterizar um agrupamento possível, a
avaliação de um dado conjunto fica reduzida à seleçào, entre os conjuntos
modelos, daquele que possa ser posto em correspondência biunívoca com o
conjunto dado.
Começou assim: as asas de um pássaro podiam simbolizar o
número dois, as folhas de um trevo o número três, as patas do cavalo o número
quatro, os dedos da mão o número cinco. Evidências de que essa poderia ser a
origem dos números se encontram em vários idiomas primitivos.
É claro que uma vez criado e adotado, o número se desliga
do objeto que o representava originalmente, a conexão entre os dois é esquecida
e o número passa por sua vez a ser um modelo ou um símbolo. À medida que o
homem foi aprendendo a servir-se cada vez mais da linguagem, o som das palavras
que exprimiam os primeiros números foi substituindo as imagens para as quais
foi criado. Assim os modelos concretos iniciais tomaram a forma abstrata dos nomes
dos números. É impossível saber a idade dessa linguagem numérica falada, mas
sem dúvida ela precedeu de vários milhões de anos a aparição da escrita.
Todos os vestígios da significação inicial das palavras que
designam os números foram perdidos, com a possível excessão de cinco
(que em várias línguas queria dizer mão, ou mão estendida). A explicação para
isso é que, enquanto os nomes dos números se mantiveram invariáveis desde os
dias de sua criação, revelando notável estabilidade e semelhança em todos os
grupos linguísticos, os nomes dos objetos concretos que lhes deram nascimento
sofreram uma metamorfose completa.
PALAVRAS QUE REPRESENTAM NÚMEROS EM ALGUMAS LÍNGUAS INDO-EUROPÉIAS:
|
Nº
|
Grego arcaico
|
Latim
|
Alemão
|
Inglês
|
Francês
|
Russo
|
|
1
|
en
|
unus
|
eins
|
one
|
un
|
odyn
|
|
2
|
duo
|
duo
|
zwei
|
two
|
deux
|
dva
|
|
3
|
tri
|
tres
|
drei
|
three
|
trois
|
tri
|
|
4
|
tetra
|
quatuor
|
vier
|
four
|
quatre
|
chetyre
|
|
5
|
pente
|
quinque
|
fünf
|
five
|
cinq
|
piat
|
|
6
|
hex
|
sex
|
sechs
|
six
|
six
|
chest
|
|
7
|
hepta
|
septem
|
sieben
|
seven
|
sept
|
sem
|
|
8
|
octo
|
octo
|
acht
|
eight
|
huit
|
vosem
|
|
9
|
ennea
|
novem
|
neun
|
nine
|
neuf
|
deviat
|
|
10
|
deca
|
decem
|
zehn
|
ten
|
dix
|
desiat
|
|
100
|
hecaton
|
centum
|
hundert
|
hundred
|
cent
|
sto
|
|
1000
|
xilia
|
mille
|
tausend
|
thousand
|
mille
|
tysiatsa
|
Fonte: Dicionário Enciclopédico Conhecer - Abril Cultural
2 - HISTÓRIA DA GEOMETRIA
Uma estranha construção
feita pelos antigos persas para estudar o movimento dos astros. Um compasso
antigo. Um vetusto esquadro e, sob ele, a demonstração figurada do teorema de
Pitágoras. Um papiro com desenhos geométricos e o busto do grande Euclides. São
etapas fundamentais no desenvolvimento da Geometria. Mas, muito antes da
compilação dos conhecimentos existentes, os homens criavam, ao sabor da
experiência, as bases da Geometria. E realizavam operações mentais que depois
seriam concretizadas nas figuras geométricas.
UMA MEDIDA PARA A VIDA
As origens da Geometria (do grego medir a terra)
parecem coincidir com as necessidades do dia-a-dia. Partilhar terras férteis às
margens dos rios, construir casas, observar e prever os movimentos dos astros,
são algumas das muitas atividades humanas que sempre dependeram de operações
geométricas. Documentos sobre as antigas civilizações egípcia e babilônica
comprovam bons conhecimentos do assunto, geralmente ligados à astrologia. Na
Grécia, porém, é que o gênio de grandes matemáticos lhes deu forma definitiva.
Dos gregos anteriores a Euclides, Arquimedes e Apolônio, consta apenas o
fragmento de um trabalho de Hipócrates. E o resumo feito por Proclo ao comentar
os "Elementos" de Euclides, obra que data do século V a.C., refere-se
a Tales de Mileto como o introdutor da Geometria na Grécia, por importação do
Egito.
Pitágoras deu nome a um importante teorema sobre o
triângulo-retângulo, que inaugurou um novo conceito de demonstração matemática.
Mas enquanto a escola pitagórica do século VI a.C. constituía uma espécie de
seita filosófica, que envolvia em mistério seus conhecimentos, os
"Elementos" de Euclides representam a introdução de um método
consistente que contribui há mais de vinte séculos para o progresso das ciências.
Trata-se do sistema axiomático, que parte dos conceitos e proposições admitidos
sem demonstração (postulados o axiomas) para construir de maneira lógica tudo o
mais. Assim, três conceitos fundamentais - o ponto, a reta e o círculo - e
cinco postulados a eles referentes servem de base para toda Geometria chamada
euclidiana, útil até hoje, apesar da existência de geometrias não-euclidianas
baseadas em postulados diferentes (e contraditórios) dos de Euclides.
O CORPO COMO UNIDADE
As primeiras unidades de medida referiam-se direta ou
indiretamente ao corpo humano: palmo, pé, passo, braça, cúbito. Por volta de
3500 a.C. - quando na Mesopotâmia e no Egito começaram a ser construídos os
primeiros templos - seus projetistas tiveram de encontrar unidades mais uniformes
e precisas. Adotaram a longitude das partes do corpo de um único homem
(geralmente o rei) e com essas medidas construíram réguas de madeira e metal,
ou cordas com nós, que foram as primeiras medidas oficiais de comprimento.
ÂNGULOS E FIGURAS
Tanto entre os sumérios como entre os egípcios, os campos
primitivos tinham forma retangular. Também os edifícios possuíam plantas
regulares, o que obrigava os arquitetos a construírem muitos ângulos retos (de
90º). Embora de bagagem intelectual reduzida, aqueles homens já resolviam o
problema como um desenhista de hoje. Por meio de duas estacas cravadas na terra
assinalavam um segmento de reta. Em seguida prendiam e esticavam cordas que
funcionavam à maneira de compassos: dois arcos de circunferência se cortam e determinam
dois pontos que, unidos, secionam perpendicularmente a outra reta, formando os
ângulos retos.
O problema mais comum para um construtor é traçar, por um
ponto dado, a perpendicular a uma reta. O processo anterior não resolve este
problema, em que o vértice do ângulo reto já está determinado de antemão. Os
antigos geômetras, o solucionavam por meio de três cordas, colocadas de modo a
formar os lados de um triângulo-retângulo. Essas cordas tinham comprimentos
equivalentes a 3, 4 e 5 unidades respectivamente. O teorema de Pitágoras
explica porque: em todo triângulo-retângulo, a soma dos quadrados dos catetos é
igual ao quadrado da hipotenusa (lado oposto ao ângulo reto). E 32+42=52,
isto é, 9+16=25.
Qualquer trio de números inteiros ou não que respeitem tal
relação definem triângulos-retângulos, que já na antiguidade foram padronizados
na forma de esquadros.
PARA MEDIR SUPERFÍCIES
Os sacerdotes encarregados de arrecadar os impostos sobre a
terra provavelmente começaram a calcular a extensão dos campos por meio de um
simples golpe de vista. Certo dia, ao observar trabalhadores pavimentando com
mosaicos quadrados uma superfície retangular, algum sacerdote deve ter notado
que, para conhecer o total de mosaicos, bastava contar os de uma fileira e
repetir esse número tantas vezes quantas fileiras houvesse. Assim nasceu a
fórmula da área do retângulo: multiplicar a base pela altura.
Já para descobrir a área do triângulo, os antigos fiscais
seguiram um raciocínio extremamente geométrico. Para acompanhá-lo, basta tomar
um quadrado ou um retângulo e dividí-lo em quadradinhos iguais. Suponhamos que
o quadrado tenha 9 "casas" e o retângulo 12. Esses números exprimem
então a área dessas figuras. Cortando o quadrado em duas partes iguais, segundo
a linha diagonal, aparecem dois triângulos iguais, cuja área, naturalmente, é a
metade da área do quadrado.
Quando deparavam com uma superfície irregular da terra (nem
quadrada, nem triangular), os primeiros cartógrafos e agrimensores apelavam
para o artifício conhecido como triangulação: começando num ângulo
qualquer, traçavam linhas a todos os demais ângulos visíveis do campo, e assim
este ficava completamente dividido em porções triangulares, cujas áreas somadas
davam a área total. Esse método - em uso até hoje - produzia pequenos erros,
quando o terreno não era plano ou possuía bordos curvos.
De fato, muitos terrenos seguem o contorno de um morro ou o
curso de um rio. E construções há que requerem uma parede curva. Assim, um novo
problema se apresenta: como determinar o comprimento de uma circunferência e a
área de um círculo. Por circunferência entende-se a linha da periferia do
círculo, sendo este uma superfície. Já os antigos geômetras observavam que,
para demarcar círculos, grandes ou pequenos, era necessário usar uma corda,
longa ou curta, e girá-la em torno de um ponto fixo, que era a estaca cravada
no solo como centro da figura. O comprimento dessa corda - conhecido hoje como raio
- tinha algo a ver com o comprimento da circunferência. Retirando a corda da
estaca e colocando-a sobre a circunferência para ver quantas vezes cabia nela,
puderam comprovar que cabia um pouco mais de seis vezes e um quarto. Qualquer
que fosse o tamanho da corda, o resultado era o mesmo. Assim tiraram algumas
conclusões:
a) o comprimento de uma
circunferência é sempre cerca de 6,28 vezes maior que o de seu raio;
b) para conhecer o
comprimento de uma circunferência, basta averiguar o comprimento do raio e
multiplicá-lo por 6,28.
E a área do círculo? A história da Geometria explica-a de
modo simples e interessante. Cerca de 2000 anos a.C., um escriba egípcio
chamado Ahmes matutava diante do desenho de um círculo no qual havia traçado o
respectivo raio. Seu propósito era encontrar a área da figura.
Conta a tradição que Ahmes solucionou o problema
facilmente: antes, pensou em determinar a área de um quadrado e calcular
quantas vezes essa área caberia na área do círculo. Que quadrado escolher? Um
qualquer? Parecia razoável tomar o que tivesse como lado o próprio raio da
figura. Assim fez, e comprovou que o quadrado estava contido no círculo mais de
3 vezes e menos de 4, ou aproximadamente, três vezes e um sétimo (atualmente
dizemos 3,14 vezes). Concluiu então que, para saber a área de um círculo, basta
calcular a área de um quadrado construído sobre o raio e multiplicar a
respectiva área por 3,14.
O número 3,14 é básico na Geometria e na Matemática. Os
gregos tornaram-no um pouco menos inexato: 3,1416. Hoje, o símbolo p ("pi") representa esse número irracional, já
determinado com uma aproximação de várias dezenas de casas decimais. Seu nome
só tem uns duzentos anos e foi tirado da primeira sílaba da palavra peripheria,
significando circunferência.
NOVAS FIGURAS
Por volta de 500 a.C., as primeiras universidades eram
fundadas na Grécia. Tales e seu discípulo Pitágoras coligiram todo o
conhecimento do Egito, da Etúrria, da Babilônia, e mesmo da Índia, para
desenvolvê-los e aplicá-los à matemática, navegação e religião. A curiosidade
crescia e os livros sobre Geometria eram muito procurados. Um compasso logo
substituiu a corda e a estaca para traçar círculos, e o novo instrumento foi
incorporado ao arsenal dos geômetras. O conhecimento do Universo aumentava com
rapidez e a escola pitagórica chegou a afirmar que a Terra era esférica, e não
plana. Surgiam novas construções geométricas, e suas áreas e perímetros eram
agora fáceis de calcular.
Uma dessas figuras foi chamada polígono, do grego polygon,
que significa "muitos ângulos". Atualmente até rotas de navios e
aviões são traçadas por intermédio de avançados métodos de Geometria,
incorporados ao equipamento de radar e outros aparelhos. O que não é de
estranhar"desde os tempos da antiga Grécia, a Geometria sempre foi uma
ciência aplicada, ou seja, empregada para resolver problemas práticos. Dos
problemas que os gregos conseguiram solucionar, dois merecem referência: o
cálculo da distância de um objeto a um observador e o cálculo da altura de uma
construção.
No primeiro caso, para calcular, por exemplo, a distância
de um barco até a costa, recorria-se a um curioso artifício. Dois observadores
se postavam de maneira que um deles pudesse ver o barco sob um ângulo de 90º
com relação à linha da costa e o outro sob um ângulo de 45º. Isto feito, a nave
e os dois observadores ficavam exatamente nos vértices de um triângulo
isósceles, porque os dois ângulos agudos mediam 45º cada um, e portanto os
catetos eram iguais. Bastava medir a distância entre os dois observadores para
conhecer a distância do barco até a costa.
O cálculo da altura de uma construção, de um monumento ou
de uma árvore é também muito simples: crava-se verticalmente uma estaca na
terra e espera-se o instante em que a extensão de sua sombra seja igual à sua
altura. O triângulo formado pela estaca, sua sombra e a linha que une os
extremos de ambos é isósceles. Basta medir a sombra para conhecer a altura.
3
- HISTÓRIA DA ÁLGEBRA
(uma visão geral)
(uma visão geral)
Estranha e intrigante é a origem da palavra "álgebra". Ela não se sujeita a uma etimologia nítida como, por exemplo, a palavra "aritmética", que deriva do grego arithmos ("número"). Álgebra é uma variante latina da palavra árabe al-jabr (às vezes transliterada al-jebr), usada no título de um livro, Hisab al-jabr w'al-muqabalah, escrito em Bagdá por volta do ano 825 pelo matemático árabe Mohammed ibn-Musa al Khowarizmi (Maomé, filho de Moisés, de Khowarizm). Este trabalho de álgebra é com frequência citado, abreviadamente, como Al-jabr.
Uma
tradução literal do título completo do livro é a "ciência da restauração
(ou reunião) e redução", mas matematicamente seria melhor "ciência da
transposição e cancelamento"- ou, conforme Boher, "a transposição de
termos subtraídos para o outro membro da equação" e "o cancelamento
de termos semelhantes (iguais) em membros opostos da equação". Assim, dada
a equação:
x2 + 5x + 4 = 4 - 2x + 5x3
al-jabr fornece
x2 + 7x + 4 = 4 + 5x3
e al-muqabalah fornece
x2 + 7x = 5x3
Talvez a melhor tradução fosse simplesmente "a ciência das equações".
Ainda que originalmente "álgebra" refira-se a equações, a palavra hoje tem um significado muito mais amplo, e uma definição satisfatória requer um enfoque em duas fases:
(1) Álgebra antiga (elementar) é o estudo das equações e métodos de resolvê-las.
(2) Álgebra moderna (abstrata) é o estudo das estruturas matemáticas tais como grupos, anéis e corpos - para mencionar apenas algumas.
De fato, é conveniente traçar o desenvolvimento da álgebra em termos dessas duas fases, uma vez que a divisão é tanto cronológica como conceitual.
EQUAÇÕES ALGÉBRICAS E NOTAÇÃO
A
fase antiga (elementar), que abrange o período de 1700 a.C. a 1700 d.C.,
aproximadamente, caracterizou-se pela invenção gradual do simbolismo e pela
resolução de equações (em geral coeficientes numéricos) por vários métodos,
apresentando progressos pouco importantes até a resolução "geral" das
equações cúbicas e quárticas e o inspirado tratamento das equações polinomiais
em geral feito por François Viète, também conhecido por Vieta (1540-1603).
O desenvolvimento da notação algébrica evoluiu ao longo de três estágios: o retórico (ou verbal), o sincopado (no qual eram usadas abreviações de palavras) e o simbólico. No último estágio, a notação passou por várias modificações e mudanças, até tornar-se razoavelmente estável ao tempo de Isaac Newton. É interessante notar que, mesmo hoje, não há total uniformidade no uso de símbolos. Por exemplo, os americanos escrevem "3.1416" como aproximação de Pi, e muitos europeus escrevem "3,1416". Em alguns países europeus, o símbolo "÷" significa "menos". Como a álgebra provavelmente se originou na Babilônia, parece apropriado ilustrar o estilo retórico com um exemplo daquela região. O problema seguinte mostra o relativo grau de sofisticação da álgebra babilônica. É um exemplo típico de problemas encontrados em escrita cuneiforme, em tábuas de argila que remontam ao tempo do rei Hammurabi. A explanação, naturalmente, é feita em português; e usa-se a notação decimal indo-arábica em vez da notação sexagesimal cuneiforme. A coluna à direita fornece as passagens correspondentes em notação moderna. Eis o exemplo:
O desenvolvimento da notação algébrica evoluiu ao longo de três estágios: o retórico (ou verbal), o sincopado (no qual eram usadas abreviações de palavras) e o simbólico. No último estágio, a notação passou por várias modificações e mudanças, até tornar-se razoavelmente estável ao tempo de Isaac Newton. É interessante notar que, mesmo hoje, não há total uniformidade no uso de símbolos. Por exemplo, os americanos escrevem "3.1416" como aproximação de Pi, e muitos europeus escrevem "3,1416". Em alguns países europeus, o símbolo "÷" significa "menos". Como a álgebra provavelmente se originou na Babilônia, parece apropriado ilustrar o estilo retórico com um exemplo daquela região. O problema seguinte mostra o relativo grau de sofisticação da álgebra babilônica. É um exemplo típico de problemas encontrados em escrita cuneiforme, em tábuas de argila que remontam ao tempo do rei Hammurabi. A explanação, naturalmente, é feita em português; e usa-se a notação decimal indo-arábica em vez da notação sexagesimal cuneiforme. A coluna à direita fornece as passagens correspondentes em notação moderna. Eis o exemplo:
[1]
Comprimento, largura. Multipliquei comprimento por largura, obtendo assim a
área: 252. Somei comprimento e largura: 32. Pede-se: comprimento e largura.
|
[2]
[Dado] 32 soma; 252 área.
|
x+y=k
xy=P
} ... (A)
|
|
[3]
[Resposta] 18 comprimento; 14 largura.
|
|
|
[4]
Segue-se este método: Tome metade de 32 [que é 16].
|
k/2
|
|
16
x 16 = 256
|
(k/2)2
|
|
256
- 252 = 4
|
(k/2)2
- P = t2 } ... (B)
|
|
A
raiz quadrada de 4 é 2.
|
![]() |
|
16
+ 2 = 18 comprimento.
|
(k/2)
+ t = x.
|
|
16
- 2 = 14 largura
|
(k/2)
- t = y.
|
|
[5]
[Prova] Multipliquei 18 comprimento por 14 largura.
18 x
14 = 252 área
|
((k/2)+t)
((k/2)-t)
= (k2/4)
- t2 = P = xy.
|
Nota-se
que na etapa [1] o problema é formulado, na [2] os dados são apresentados, na
[3] a resposta é dada, na [4] o método de solução é explicado com números
e, finalmente, na [5] a resposta é testada. A "receita" acima é usada
repetidamente em problemas semelhantes. Ela tem significado histórico e
interesse atual por várias razões.Antes de tudo não é a maneira como
resolveríamos hoje o sistema (A). O procedimento padrão nos atuais textos
escolares de álgebra é resolver, digamos, a primeira equação para y
(em termos de x), substituir na segunda equação e, então, resolver a
equação quadrática resultante em x; isto é, usaríamos o método de
substituição. Os babilônios também sabiam resolver sistemas por substituição,
mas frequentemente preferiam usar seu método paramétrico. Ou seja, usando-se
notação moderna, eles concebiam x e y em termos de uma nova
incógnita (ou parâmetro) t fazendo x=(k/2)+t e y=(k/2)-t.
Então
o produto
xy
= ((k/2) + t) ((k/2) - t) = (k/2)2 - t2
= P
levava-os
à relação (B):
(k/2)2
- P = t2
Em
segundo lugar, o problema acima tem significado histórico porque a álgebra
grega (geométrica) dos pitagóricos e de Euclides seguia o mesmo método de
solução - traduzida, entretanto, em termos de segmentos de retas e áreas e
ilustrada por figuras geométricas. Alguns séculos depois, outro grego,
Diofanto, também usou a abordagem paramétrica em seu trabalho com equações
"diofantinas". Ele deu início ao simbolismo moderno introduzindo
abreviações de palavras e evitando o estilo um tanto intrincado da álgebra
geométrica.
Em
terceiro lugar, os matemáticos árabes (inclusive al-Khowarizmi) não usavam o
método empregado no problema acima; preferiam eliminar uma das incógnitas por
substituição e expressar tudo em termos de palavras e números.
Antes
de deixar a álgebra babilônica, notemos que eles eram capazes de resolver uma
variedade surpreendente de equações, inclusive certos tipos especiais de
cúbicas e quárticas - todas com coeficientes numéricos, naturalmente.
ÁLGEBRA NO EGITO
A
álgebra surgiu no Egito quase ao mesmo tempo que na Babilônia; mas faltavam à
álgebra egípcia os métodos sofisticados da álgebra babilônica, bem como a
variedade de equações resolvidas, a julgar pelo Papiro Moscou e o Papiro Rhind
- documentos egípcios que datam de cerca de 1850 a.C. e 1650 a.C.,
respectivamente, mas refletem métodos matemáticos de um período anterior.
Para
equações lineares, os egípcios usavam um método de resolução consistindo em uma
estimativa inicial seguida de uma correção final - um método ao qual os europeus
posteriormente deram o nome umtanto abstruso de "regra da falsa
posição". A álgebra do Egito, como a da Babilônia, era retórica.
O
sistema de numeração egípcio, relativamente primitivo em comparação com o dos
babilônios, ajuda a explicar a falta de sofisticação da álgebra egípcia. Os
matemáticos europeus do século XVI tiveram de estender a noção indo-arábica de
número antes de poderem avançar significativamente além dos resultados
babilônios de resolução de equações.
ÁLGEBRA GEOMÉTRICA GREGA
A
álgebra grega conforme foi formulada pelos pitagóricos e por Euclides era
geométrica. Por exemplo, o que nós escrevemos como:
(a+b)2
= a2 + 2ab + b2
era
concebido pelos gregos em termos do diagrama apresentado na Figura 1 e era
curiosamente enunciado por Euclides em Elementos, livro II, proposição
4:
Se
uma linha reta é dividida em duas partes quaisquer, o quadrado sobre a linha
toda é igual aos quadrados sobre as duas partes, junto com duas vezes o
retângulo que as partes contém. [Isto é, (a+b)2 = a2
+ 2ab + b2.]
Somos
tentados a dizer que, para os gregos da época de Euclides, a2 era
realmente um quadrado.
Não há
dúvida de que os pitagóricos conheciam bem a álgebra babilônica e, de fato,
seguiam os métodos-padrão babilônios de resolução de equações. Euclides deixou
registrados esses resultados pitagóricos. Para ilustrá-lo, escolhemos o teorema
correspondente ao problema babilônio considerado acima.
Do
livro VI dos Elementos, temos a proposição 28 (uma versão
simplificada):
Dada
uma linha reta AB [isto é, x+y=k], construir ao longo dessa linha um
retângulo com uma dada área [xy = P], admitindo que o retângulo
"fique aquém" em AB por uma quantidade "preenchida" por
outro retângulo [o quadrado BF na Figura 2], semelhante a um dado
retângulo [que aqui nós admitimos ser qualquer quadrado].
Na
solução desta construção solicitada (Fig.2) o trabalho de Euclides é quase
exatamente paralelo à solução babilônica do problema equivalente. Conforme
indicado por T.L.Heath / EUCLID: II, 263/, os passos são os seguintes:
|
Bissecte
AB em M:
|
k/2
|
|
Construa
o quadrado MBCD:
|
(k/2)2
|
|
Usando
VI, 25, construa o quadrado DEFG com área igual ao excesso de MBCD sobre a
área dada P:
|
t2
= (k/2)2 - P
|
|
Então
é claro que
|
y
= (k/2) - t
|
Como
fazia frequentemente, Euclides deixou o outro caso para o estudante - neste
caso, x=(k/2)+t, o que Euclides certamente percebeu mas não formulou.
É de
fato notável que a maior parte dos problemas-padrão babilônicos tenham sido
"refeitos" desse modo por Euclides. Mas por quê? O que levou os gregos
a darem à sua álgebra esta formulação desajeitada? A resposta é básica: eles
tinham dificuldades conceituais com frações e números irracionais.
Mesmo
que os matemáticos gregos fossem capazes de contornar as frações, tratando-as
como razões de inteiros, eles tinham dificuldades insuperáveis com números como
a raiz quadrada de 2, por exemplo. Lembramos o "escândalo lógico" dos
pitagóricos quando descobriram que a diagonal de um quadrado unitário é
incomensurável com o lado (ou seja, diag/lado é diferente da razão de dois
inteiros).
Assim,
foi seu estrito rigor matemático que os forçou a usar um conjunto de segmentos
de reta como domínio conveniente de elementos.
Pois, ainda que raiz quadrada de 2
não possa ser expresso em termos de inteiros ou suas razões, pode ser
representado como um segmento de reta que é precisamente a diagonal do quadrado
unitário. Talvez não seja apenas um gracejo dizer que o contínuo linear era
literalmente linear.
De
passagem devemos mencionar Apolônio (c. 225 a.C.), que aplicou métodos
geométricos ao estudo das secções cônicas. De fato, seu grande tratado Secções
cônicas contém mais geometria analítica das cônicas - toda fraseada em
terminologia geométrica - do que os cursos universitários de hoje.
A
matemática grega deu uma parada brusca. A ocupação romana tinha começado, e não
encorajava a erudição matemática, ainda que estimulasse alguns outros ramos da
cultura grega. Devido ao estilo pesado da álgebra geométrica, esta não poderia
sobreviver somente na tradição escrita; necessitava de um meio de comunicação
vivo, oral. Era possível seguir o fluxo de idéias desde que um instrutor
apontasse para diagramas e explicasse; mas as escolas de instrução direta não
sobreviveram.
ÁLGEBRA NA EUROPA
A
álgebra que entrou na Europa (via Liber abaci de Fibonacci e traduções) havia
regredido tanto em estilo como em conteúdo. O semi-simbolismo (sincopação) de
Diofanto e Brahmagupta e suas realizações relativamente avançadas não estavam
destinados a contribuir para uma eventual irrupção da álgebra.
A
renascença e o rápido florescimento da álgebra na Europa foram devidos aos
seguintes fatores:
1.
facilidade de manipular trabalhos numéricos através do
sistema de numeração indo-arábico, muito superior aos sistemas (tais como o
romano) que requeriam o uso do ábaco;
2.
invenção da imprensa com tipos móveis, que acelerou a
padronização do simbolismo mediante a melhoria das comunicações, baseada em
ampla distribuição;
3.
ressurgimento da economia, sustentando a atividade
intelectual; e a retomada do comércio e viagens, facilitando o intercâmbio de
idéias tanto quanto de bens.
Cidades
comercialmente fortes surgiram primeiro na Itália, e foi lá que o renascimento
algébrico na Europa efetivamente teve início.
4
- A HISTÓRIA DA MATEMÁTICA COMERCIAL E FINANCEIRA
I-) Introdução
É bastante antigo o conceito de juros, tendo sido
amplamente divulgado e utilizado ao longo da História. Esse conceito surgiu
naturalmente quando o Homem percebeu existir uma estreita relação entre o
dinheiro e o tempo. Processos de acumulação de capital e a desvalorização da
moeda levariam normalmente a idéia de juros, pois se realizavam basicamente
devido ao valor temporal do dinheiro.
As tábuas mais antigas mostram um alto grau de habilidade
computacional e deixam claro que o sistema sexagesimal posicional já estava de
longa data estabelecida. Há muitos textos desses primeiros tempos que tratam da
distribuição de produtos agrícolas e de cálculos aritméticos baseados nessas
transações. As tábuas mostram que os sumérios antigos estavam familiarizados
com todos os tipos de contratos legais e usuais, como faturas, recibos, notas
promissórias, crédito, juros simples e compostos, hipotecas, escrituras de
venda e endossos.
Há tábuas que são documentos de empresas comerciais e outras
que lidam com sistemas de pesos e medidas. Muitos processos aritméticos eram
efetuados com a ajuda de várias tábuas.Das 400 tábuas matemáticas cerca de
metade eram tábuas matemáticas. Estas últimas envolvem tábuas de multiplicação,
tábuas de inversos multiplicativos, tábuas de quadrados e cubos e mesmo tábuas
de exponenciais. Quanto a estas, provavelmente eram usadas, juntamente com a
interpelação, em problemas de juros compostos. As tábuas de inversos eram
usadas para reduzir a divisão à multiplicação.
II-) Os Juros e
os Impostos
Os juros e os impostos existem desde a época dos primeiros
registros de civilizações existentes na Terra. Um dos primeiros indícios
apareceu na já na Babilônia no ano de 2000 aC. Nas citações mais antigas, os
juros eram pagos pelo uso de sementes ou de outras conveniências emprestadas;
os juros eram pagos sob a forma de sementes ou de outros bens. Muitas das
práticas existentes originaram-se dos antigos costumes de empréstimo e devolução
de sementes e de outros produtos agrícolas.
A História também revela que a idéia se tinha tornado tão bem
estabelecida que já existia uma firma de banqueiros internacionais em 575 aC,
com os escritórios centrais na Babilônia. Sua renda era proveniente das altas
taxas de juros cobradas pelo uso de seu dinheiro para o financiamento do
comércio internacional. O juro não é apenas uma das nossas mais antigas
aplicações da Matemática Financeira e Economia, mas também seus usos sofreram
poucas mudanças através dos tempos.
Como em todas as instruções que tem existido por milhares de
anos, algumas das práticas relativas a juros tem sido modificadas para
satisfazerem às exigências atuais, mas alguns dos antigos costumes ainda
persistem de tal modo que o seu uso nos dias atuais ainda envolve alguns
procedimentos incômodos.
Entretanto, devemos lembrar que todas as antigas práticas que
ainda persistem foram inteiramente lógicas no tempo de sua origem. Por exemplo,
quando as sementes eram emprestadas para a semeadura de uma certa área, era
lógico esperar o pagamento na próxima colheita - no prazo de um ano. Assim, o
cálculo de juros numa base anual era mais razoável; tão quanto o
estabelecimento de juros compostos para o financiamento das antigas viagens
comerciais, que não poderiam ser concluídas em um ano.Conforme a necessidade de
cada época, foi se criando novas formas de se trabalhar com a relação
tempo-juros (juros semestral, bimestral, diário, etc).
Há tábuas nas coleções de Berlirn, de Yale e do Louvre que contêm
problemas sobre juros compostos e há algumas tábuas em Istambul que parecem ter
sido original- mente tábuas de a' para n de 1 a 10 e para a = 9, 16, 100 e 225.
Com essas tábuas podem-se resolver equações exponenciais do tipo a' = b. Em uma
tábua do Louvre, de cerca de 1700 a.C., há o seguinte problema: Por quanto
tempo deve-se aplicar uma certa soma de dinheiro a juros compostos anuais de
20% para que ela dobre?.
III-) O Valor e a
Moeda
Na época em que os homens viviam em comunidades restritas, tirando
da natureza todos os produtos de que tinham necessidade, sem dúvida devia
existir muito pouca comunicação entre as diversas sociedades. Mas com o
desenvolvimento do artesanato e da cultura e em razão da desigual repartição
dos diversos produtos naturais, a troca comercial mostrou-se pouco a pouco
necessária.
O primeiro tipo de troca comercial foi o escambo, fórmula
segundo a qual se trocam diretamente (e, portanto sem a intervenção de uma
"moeda" no sentido moderno da palavra) gêneros e mercadorias correspondentes
a matérias primas ou a objetos de grande necessidade.
Por vezes, quando se tratava de grupos que entretinham relações
pouco amistosas, essas trocas eram feitas sob a forma de um escambo silencioso.
Uma das duas partes depositava, num lugar previamente estabelecido, as diversas
mercadorias com as quais desejava fazer a troca e, no dia seguinte, encontrava
em seu lugar (ou ao lado delas) os produtos propostos pelo outro parceiro. Se a
troca fosse considerada conveniente levavam-se os produtos, senão retornava-se
no dia seguinte para encontrar uma quantidade maior. O mercado podia então
durar vários dias ou mesmo terminar sem troca quando as duas partes não podiam
encontrar terreno para entendimento.
Cenas como tais puderam ser observadas por exemplo entre os
aranda da Austrália, os vedda do Ceilão, os bosquímanos e os pigmeus da África,
os botocudos do Brasil, bem como na Sibéria e na Polinésia.
Com a intensificação das comunicações entre os diversos grupos e a importância cada vez maior das transações, a prática do escambo direto tornou-se bem rapidamente um estorvo. Não se podiam mais trocar mercadorias segundo o capricho de tal ou qual indivíduo ou em virtude de um uso consagrado ao preço de intermináveis discussões.
Com a intensificação das comunicações entre os diversos grupos e a importância cada vez maior das transações, a prática do escambo direto tornou-se bem rapidamente um estorvo. Não se podiam mais trocar mercadorias segundo o capricho de tal ou qual indivíduo ou em virtude de um uso consagrado ao preço de intermináveis discussões.
Houve portanto a necessidade de um sistema relativamente
estável de avaliações e de equivalências, fundado num princípio (vizinho
daquele da base de um sistema de numeração) dando a definição de algumas
unidades ou padrões fixos. Nesse sistema é sempre possível estimar tal ou qual
valor, não somente para as operações de caráter econômico mas também (e talvez
sobretudo) para a regulamentação de problemas jurídicos importantes e, todas as
espécies de produtos, matérias ou objetos utilitários serviram nessa
ocasião.
A primeira unidade de escambo admitida na Grécia pré-helênica
foi o boi. Não é por acaso que a palavra latina pecúnia quer dizer
"fortuna, moeda, dinheiro": provém, com efeito, de pecus, que
significa "gado, rebanho"; além disso, o sentido próprio da palavra
pecunia corresponde ao "ter em bois".
Mas nos tempos antigos a operação de escambo, longe de ser um ato simples, devia ser, ao contrário, envolta de formalidades complexas, muito provavelmente ligadas à mística e às práticas mágicas. É em todo caso o que revela a análise etnológica feita nas sociedades "primitivas" contemporâneas, que se viu confirmar por um certo número de descobertas arqueológicas. Pode-se, portanto, supor que nas culturas pastorais a idéia de boi-padrão (moeda de sangue) sucedeu à idéia de "boi de sacrifício", ela mesma ligada ao valor intrínseco estimado do animal.
Mas nos tempos antigos a operação de escambo, longe de ser um ato simples, devia ser, ao contrário, envolta de formalidades complexas, muito provavelmente ligadas à mística e às práticas mágicas. É em todo caso o que revela a análise etnológica feita nas sociedades "primitivas" contemporâneas, que se viu confirmar por um certo número de descobertas arqueológicas. Pode-se, portanto, supor que nas culturas pastorais a idéia de boi-padrão (moeda de sangue) sucedeu à idéia de "boi de sacrifício", ela mesma ligada ao valor intrínseco estimado do animal.
Em contrapartida, nas ilhas do Pacífico as mercadorias foram
estimadas em colares de pérolas ou de conchas. Após um certo período,
começou-se por trocar faixas de tecido por animais ou objetos. O tecido era a
moeda; a unidade era o palmo da fita de duas vezes oitenta fios de
largura.
Tais métodos apresentavam, contudo, sérias dificuldades de aplicação. Assim, à medida que o comércio se desenvolvia, os metais desempenharam um papel cada vez maior nas transações comerciais, vindo a tornar-se no fim das contas a "moeda de troca" preferida dos vendedores e compradores. E as avaliações das diversas mercadorias passaram a ser feitas quantitativamente pelo peso, cada uma delas referindo a uma espécie de peso-padrão relativo a um ou a outro metal.
Tais métodos apresentavam, contudo, sérias dificuldades de aplicação. Assim, à medida que o comércio se desenvolvia, os metais desempenharam um papel cada vez maior nas transações comerciais, vindo a tornar-se no fim das contas a "moeda de troca" preferida dos vendedores e compradores. E as avaliações das diversas mercadorias passaram a ser feitas quantitativamente pelo peso, cada uma delas referindo a uma espécie de peso-padrão relativo a um ou a outro metal.
Igualmente no Egito faraônico, os gêneros e as mercadorias
foram freqüentemente estimados e pagos em metal (cobre, bronze e, por vezes,
ouro ou prata), que se dividia inicialmente em pepitas e palhetas. A avaliação
era feita também sob a forma de lingotes ou de anéis, cujo valor se determinava
em seguida pela pesagem.
Até o momento não somente tratamos de um simples escambo, mas
também um verdadeiro sistema econômico. A partir de então, graças ao padrão de
metal, as mercadorias passaram a não mais ser trocadas ao simples prazer dos
contratantes ou segundo usos consagrados freqüentemente arbitrários, mas em
função de seu "justo preço".
Até então, tratava-se somente de introduzir nas transações e
nos atos jurídicos uma espécie de peso-padrão, unidade de valor à qual o preço
de cada uma das mercadorias ou ações consideradas era referido. Partindo desse
princípio, tal metal ou tal outro podia então servir em toda ocasião como
"salário", "multa" ou como "valor de troca", e no
caso da "multa", algum tipo de cálculo de juros primário era
utilizado para se obter um certo valor para a mesma.
Aprendendo a contar abstratamente e agrupar todas as espécies
de elementos seguindo o princípio da base, o homem aprendeu assim a estimar,
avaliar e medir diversas grandezas (pesos, comprimentos, áreas, volumes,
capacidades etc.). Aprende igualmente a atingir e conceber números cada vez
maiores, antes mesmo de ser capaz de dominar a idéia do infinito.
Pôde elaborar também várias técnicas operatórias (mentais,
concretas e, mais tarde, escritas) e erguer os primeiros rudimentos de urna
aritmética inicialmente prática, antes de tornar-se abstrata e conduzir à
álgebra - onde hoje temos a Matemática Financeira amplamente desenvolvida.
Foi-lhe também aberta a via para a elaboração de um calendário
e de uma astronomia, bem como para o desenvolvimento de uma geometria
estruturada inicialmente em medidas de comprimento, áreas e volumes, antes de
ser especulativa e axiomática. Numa palavra, a aquisição desses dados
fundamentais permitiu pouco a pouco à humanidade tentar medir o mundo,
compreendê-lo um pouco melhor, colocar a seu serviço alguns de seus inúmeros
segredos e organizar, para desenvolvê-la, sua economia.
5
- ORIGEM DOS SINAIS
Adição ( + ) e subtração ( - )
O emprego regular do sinal + ( mais ) aparece na Aritmética Comercial de João Widman d'Eger publicada em Leipzig em 1489.
Entretanto, representavam não à adição ou à subtração ou aos números positivos ou negativos, mas aos excessos e aos déficit em problemas de negócio. Os símbolos positivos e negativos vieram somente ter uso geral na Inglaterra depois que foram usados por Robert Recorde em 1557.Os símbolos positivos e negativos foram usados antes de aparecerem na escrita. Por exemplo: foram pintados em tambores para indicar se os tambores estavam cheios ou não.
O emprego regular do sinal + ( mais ) aparece na Aritmética Comercial de João Widman d'Eger publicada em Leipzig em 1489.
Entretanto, representavam não à adição ou à subtração ou aos números positivos ou negativos, mas aos excessos e aos déficit em problemas de negócio. Os símbolos positivos e negativos vieram somente ter uso geral na Inglaterra depois que foram usados por Robert Recorde em 1557.Os símbolos positivos e negativos foram usados antes de aparecerem na escrita. Por exemplo: foram pintados em tambores para indicar se os tambores estavam cheios ou não.
Os antigos matemáticos gregos, como se observa na obra de Diofanto,
limitavam-se a indicar a adição juntapondo as parcelas - sistema que ainda hoje
adotamos quando queremos indicar a soma de um número inteiro com uma fração.
Como sinal de operação mais usavam os algebristas italianos a letra P, inicial da palavra latina plus.
Multiplicação ( . ) e divisão ( : )
O sinal
de X, como que indicamos a multiplicação,
é relativamente moderno. O matemático inglês Guilherme Oughtred empregou-o pela
primeira vez, no livro Clavis Matematicae publicado em 1631. Ainda nesse
mesmo ano, Harriot, para indicar também o produto a efetuar, colocava um ponto
entre os fatores. Em 1637, Descartes já se limitava a escrever os fatores
justapostos, indicando, desse modo abreviado, um produto qualquer. Na obra de
Leibniz escontra-se o sinal
para
indicar multiplicação: esse mesmo símbolo colocado de modo inverso indicava a
divisão.
O ponto foi introduzido como um símbolo para a multiplicação por G. W. Leibniz. Julho em 29, 1698, escreveu em uma carta a John Bernoulli: "eu não gosto de X como um símbolo para a multiplicação, porque é confundida facilmente com x; freqüentemente eu relaciono o produto entre duas quantidades por um ponto . Daí, ao designar a relação uso não um ponto mas dois pontos, que eu uso também para a divisão."
As formas a/b e
,
indicando a divisão de a por b, são atribuídas aos árabes: Oughtred, e, 1631, colocava
um ponto entre o dividendo o divisor. A razão entre duas quantidades é indicada
pelo sinal :, que apareceu em
1657 numa obra de Oughtred. O sinal ÷,
segundo Rouse Ball, resultou de uma combinação de dois sinais existentes - e :
O ponto foi introduzido como um símbolo para a multiplicação por G. W. Leibniz. Julho em 29, 1698, escreveu em uma carta a John Bernoulli: "eu não gosto de X como um símbolo para a multiplicação, porque é confundida facilmente com x; freqüentemente eu relaciono o produto entre duas quantidades por um ponto . Daí, ao designar a relação uso não um ponto mas dois pontos, que eu uso também para a divisão."
As formas a/b e
Sinais de relação ( =,
< e > )
Robert Recorde, matemático inglês, terá sempre o seu nome apontado na história
da Matemática por ter sido o primeiro a empregar o sinal = ( igual ) para
indicar igualdade. No seu primeiro livro, publicado em 1540, Record colocava o
símbolo
entre
duas expressões iguais; o sinal = ; constituído por dois pequenos traços
paralelos, só apareceu em 1557. Comentam alguns autores que nos manuscritos da
Idade Média o sinal = aparece como uma abreviatura da palavra est.
Guilherme Xulander, matemático alemão, indicava a igualdade , em fins do século XVI, por dois pequenos traços paralelos verticais; até então a palavra aequalis aparecia, por extenso, ligando os dois membros da igualdade.
Guilherme Xulander, matemático alemão, indicava a igualdade , em fins do século XVI, por dois pequenos traços paralelos verticais; até então a palavra aequalis aparecia, por extenso, ligando os dois membros da igualdade.
Os sinais > ( maior que ) e < ( menor que ) são devidos a Thomaz Harriot,
que muito contribuiu com seus trabalhos para o desenvolvimento da análise
algébrica.
6
- ORIGEM DOS NÚMEROS IRRACIONAIS
A origem histórica
da necessidade de criação dos números irracionais está intimamente ligada com
fatos de natureza geométrica e de natureza aritemética. Os de natureza
geométrica podem ser ilustrados com o problema da medida da diagonal do
quadrado quando a comparamos com o seu lado.
Este problema geométrico arrasta outro de natureza aritemética, que consiste na
impossibilidade de encontrar números conhecidos - racionais - para raízes
quadradas de outros números, como por exemplo, raiz quadrada de 2. Estes
problemas já eram conhecidos da Escola Pitagórica (séc. V a.c.), que considerava
os irracionais heréticos.
A Ciência grega consegui um aprofundamento de
toda a teoria dos números racionais, por via geométrica - "Elementos de
Euclides" - mas não avançou, por razões essencialmente filosóficas, no
campo do conceito de número. Para os gregos, toda a figura geométrica era
formada por um número finito de pontos, sendo estes concebidos como minúsculos
corpúsculos - "as mónadas" - todos iguais entre si; daí resultava
que, ao medir um comprimento de n mónadas com outro de m, essa medida seria
sempre representada por uma razão entre dois inteiros n/m (número racional);
tal comprimento incluía-se, então na categoria dos comensuráveis.
Ao encontrar os irracionais, aos quais não
conseguem dar forma de fracção, os matemáticos gregos são levados a conceber
grandezas incomensuráveis. A reta onde se marcavam todos os racionais era, para
eles, perfeitamente contínua; admitir os irracionais era imaginála cheia de
"buracos".
É no
séc. XVII, com a criação da Geometria Analítica (Fermat e Descartes), que se
estabelece a simbiose do geométrico com o algébrico, favorecendo o tratamento
aritemético do comensurável e do incomensurável. Newton (1642-1727) define pela
primeira vez "número", tanto racional como irracional.
O IRRACIONAL ø
O IRRACIONAL ø
ø
=1,6180339887... ou ø =(1 + sqr(5))/2 é considerado símbolo de harmonia. Os
artistas gregos usavam-no em arquitetura; Leonardo da Vinci, nos seus trabalhos
artísticos; e, no mundo moderno, o arquiteto Le Corbusier, com base nele,
apresentou, em 1948, O modulor. O número de ouro descobre-se em relações
métricas:
- na natureza: em animais (como na concha do Nautilus) flores, frutos, na disposição dos ramos de certas árvores;
- em figuras geométricas, tais como o retângulo de ouro, hexágono e decágono regulares e poliedros regulares;
- em inúmeros monumentos, desde a Pirâmide de Quéops até diversas catedrais, na escultura, pintura e até na música.
- na natureza: em animais (como na concha do Nautilus) flores, frutos, na disposição dos ramos de certas árvores;
- em figuras geométricas, tais como o retângulo de ouro, hexágono e decágono regulares e poliedros regulares;
- em inúmeros monumentos, desde a Pirâmide de Quéops até diversas catedrais, na escultura, pintura e até na música.
7
- ORIGEM DOS NÚMEROS NEGATIVOS
O número é um
conceito fundamental em Matemática que tomou forma num longo desenvolvimento
histórico. A origem e formulação deste conceito ocorreu simultaneamente com o
despontar, entenda-se nascimento, e desenvolvimento da Matemática.
As
atividades práticas do homem, por um lado, e as exigências internas da
Matemática por outro determinaram o desenvolvimento do conceito de número. A
necessidade de contar objetos levou ao aparecimento do conceito de número
Natural.
Todas as nações que desenvolveram formas de escrita introduziram o conceito de
número Natural e desenvolveram um sistema de contagem. O desenvolvimento
subsequente do conceito de número prosseguiu principalmente devido ao próprio
desenvolvimento da Matemática.
Os
números negativos aparecem pela primeira vez na China antiga. Os chineses
estavam acostumados a calcular com duas coleções de barras - vermelha para os
números positivos e preta para os números negativos.No entanto, não aceitavam a
ideia de um número negativo poder ser solução de uma equação. Os Matemáticos
indianos descobriram os números negativos quando tentavam formular um algoritmo
para a resolução de equações quadráticas.
São exemplo disso as
contribuições de Brahomagupta, pois a aritmética sistematizada dos números
negativos encontra-se pela primeira vez na sua obra. As regras sobre grandezas
eram já conhecidas através dos teoremas gregos sobre subtracção, como por
exemplo (a -b)(c -d) = ac +bd -ad -bc, mas os hindus converteram-nas em regras
numéricas sobre números negativos e positivos.
Diofanto (Séc. III) operou facilmente com os números negativos. Eles apareciam
constantemente em cálculos intermédios em muitos problemas do seu
"Aritmetika", no entanto havia certos problemas para o qual as
soluções eram valores inteiros negativos como por exemplo:
4 = 4x +20
3x -18 = 5x^2
3x -18 = 5x^2
Nestas situações Diofanto limitava-se a classificar o problema de absurdo. Nos
séculos XVI e XVII, muitos matemáticos europeus não apreciavam os números
negativos e, se esses números apareciam nos seus cálculos, eles
consideravam-nos falsos ou impossíveis. Exemplo deste facto seria Michael
Stifel (1487- 1567) que se recusou a admitir números negativos como raízes de
uma equação, chamando-lhes de "numeri absurdi". Cardano usou os
números negativos embora chamando-os de "numeri ficti". A situação
mudou a partir do (Séc.XVIII) quando foi descoberta uma interpretação
geométrica dos números positivos e negativos como sendo segmentos de direções
opostas.
Demonstração da regra dos sinais (segundo
Euler)
Euler, um virtuoso do cálculo como se constata nos seus artigos científicos
pela maneira audaz como manejava os números relativos e sem levantar questões
quanto à legitimidade das suas construções forneceu uma explicação ou
justificação para a regra os sinais. Consideremos os seus argumentos:
1- A multiplicação de uma dívida por um número positivo não oferece
dificuldade, pois 3 dívidas de a escudos é uma dívida de 3a escudos, logo
(b).(-a) = -ab.
2- Por
comutatividade, Euler deduziu que (-a).(b) = -ab
Destes dois argumentos conclui que o produto de uma quantidade positiva por uma quantidade negativa e vice-versa é uma quantidade negativa.
Destes dois argumentos conclui que o produto de uma quantidade positiva por uma quantidade negativa e vice-versa é uma quantidade negativa.
3-
Resta determinar qual o produto de (-a) por (-b). É evidente diz Euler que o
valor absoluto é ab. É pois então necessário decidir-se entre ab ou -ab. Mas
como (-a) ´ b é -ab, só resta como única possibilidade que (-a).(-b) =
+ab.
É claro que este tipo de argumentação vem demonstrar que qualquer "espírito" mais zeloso, como Stendhal, não pode ficar satisfeito, pois principalmente o terceiro argumento de Euler não consegue provar ou mesmo justificar coerentemente que - por - = +. No fundo, este tipo de argumentação denota que Euler não tinha ainda conhecimentos suficientes para justificar estes resultados aceitalvelmente.
É claro que este tipo de argumentação vem demonstrar que qualquer "espírito" mais zeloso, como Stendhal, não pode ficar satisfeito, pois principalmente o terceiro argumento de Euler não consegue provar ou mesmo justificar coerentemente que - por - = +. No fundo, este tipo de argumentação denota que Euler não tinha ainda conhecimentos suficientes para justificar estes resultados aceitalvelmente.
Na mesma obra de Euler
podemos verificar que ele entende os números negativos como sendo apenas uma
quantidade que se pode representar por uma letra precedida do sinal - (menos).
Euler não compreende ainda que os números negativos são quantidades menores que
zero.
8
- ORIGEM DAS PROBABILIDADES
O passo decisivo para fundamentação teórica da inferência
estatística, associa-se ao desenvolvimento do cálculo das probabilidades. A
origem deste costuma atribuir-se a questões postas a Pascal (1623-1662) pelo
célebre cavaleiro Méré, para alguns autores um jogador inveterado, para outros
um filósofo e homem de letras.
Parece, no entanto, mais
verosímil aceitar que as questões postas por Méré (1607-1684) eram de natureza
teórica e não fruto da prática de jogos de azar. Parece, também, aceitável que
não foram essas questões que deram origem ao cálculo das probabilidades. Do que
não resta dúvida é de que a correspondência trocada entre Pascal e Fermat
(1601-1665) - em que ambos chegam a uma solução correta do célebre problema da
divisão das apostas - representou um significativo passo em frente no domínio
das probabilidades.
Também há autores que sustentam que o cálculo das
probabilidades teve a sua origem na Itália com Paccioli (1445-1514), Cardano
(1501-1576), Tartaglia (1499-1557), Galileo (1564-1642) e outros. Se é certo
que nomeadamente Cardano no seu livro Liber de Ludo Aleae, não andou longe de
obter as probabilidades de alguns acontecimentos, a melhor forma de
caracterizar o grupo é dizer que marca o fim da pré- história da teoria das
probabilidades.
Três anos depois de Pascal ter previsto que aliança do rigor
geométrico com a incerteza do azar daria origem a uma nova ciência, Huyghens
(1629-1645), entusiasmado pelo desejo de " dar regras a coisas que parecem
escapar á razão humana" publicou "De Ratiociniis in Ludo Aleae"
que é
considerado como sendo o primeiro livro sobre cálculo das
probabilidades e tem a particularidade notável de introduzir o conceito de esperança
matemática.
Leibniz (1646-1716), como pensador ecléctico que era,
não deixou de se ocupar das probabilidades. Publicou, com efeito, duas obras,
uma sobre a " arte combinatória" e outra sobre as aplicações do
cálculo das probabilidades às questões financeiras.
Foi ainda devido ao conselho de Leibniz que Jacques Bernoulli
se dedicou ao aperfeiçoamento da teoria das probabilidades. A sua obra
"Ars Conjectandi", foi publicada oito anos depois da sua morte e nela
o primeiro teorema limite da teoria das probabilidades é rigorosamente provado.
Pode dizer-se que foi devido às contribuições de Bernoulli que o cálculo das
probabilidades adquiriu o estatuto de ciência. São fundamentais para o
desenvolvimento do cálculo das probabilidades as contribuições dos astrónomos,
Laplace, Gauss e Quetelet.
9 - ORIGEM DO ZERO
Embora a
grande invenção prática do zero seja atribuída aos hindus, desenvolvimentos
parciais ou limitados do conceito de zero são evidentes em vários outros
sistemas de numeração pelo menos tão antigos quanto o sistema hindu, se não
mais. Porém o efeito real de qualquer um desses passos mais antigos sobre o
desenvolvimento pleno do conceito de zero - se é que de fato tiveram algum
efeito - não está claro.
O sistema
sexagesimal babilônico usado nos textos matemáticos e astronômicos era
essencialmente um sistema posicional, ainda que o conceito de zero não
estivesse plenamente desenvolvido. Muitas das tábuas babilônicas indicam apenas
um espaço entre grupos de símbolos quando uma potência particular de 60 não era
necessária, de maneira que as potências exatas de 60 envolvidas devem ser
determinadas, em parte, pelo contexto. Nas tábuas babilônicas mais tardias
(aquelas dos últimos três séculos a.C.)
usava-se um símbolo para indicar uma potência ausente, mas isto só
ocorria no interior de um grupo numérico e não no final.
Quando os gregos prosseguiram o
desenvolvimento de tabelas astronômicas, escolheram explicitamente o sistema
sexagesimal babilônico para expressar suas frações, e não o sistema egípcio de
frações unitárias. A subdivisão repetida de uma parte em 60 partes menores
precisava que às vezes “nem uma parte” de uma unidade fosse envolvida, de modo
que as tabelas de Ptolomeu no Almagesto (c.150 d.C.) incluem o símbolo
ou 0 para indicar isto.
Bem mais
tarde, aproximadamente no ano 500, textos gregos usavam o ômicron, que é a
primeira letra palavra grega oudem (“nada”). Anteriormente, o ômicron,
restringia a representar o número 70, seu valor no arranjo alfabético regular.
Talvez o
uso sistemático mais antigo de um símbolo para zero num sistema de valor
relativo se encontre na matemática dos maias das Américas Central e do Sul. O
símbolo maia do zero era usado para indicar a ausência de quaisquer unidades
das várias ordens do sistema de base vinte modificado. Esse sistema era muito
mais usado, provavelmente, para registrar o tempo em calendários do que para
propósitos computacionais.
É
possível que o mais antigo símbolo hindu para zero tenha sido o ponto negrito,
que aparece no manuscrito Bakhshali, cujo conteúdo talvez remonte do século III
ou IV d.C., embora alguns historiadores o localize até no século XII. Qualquer
associação do pequeno círculo dos hindus, mais comuns, com o símbolo usado
pelos gregos seria apenas uma conjectura.
Como a
mais antiga forma do símbolo hindu era comumente usado em inscrições e manuscritos
para assinalar um espaço em branco, era chamado sunya, significando
“lacuna” ou “vazio”. Essa palavra entrou para o árabe como sifr, que
significa “vago”.
Ela foi
transliterada para o latim como zephirum ou zephyrum por volta do ano 1200, mantendo-se seu som mas não seu sentido. Mudanças sucessivas
dessas formas, passando inclusive por zeuero, zepiro e cifre, levaram as nossas palavras “cifra” e “zero”.
O significado duplo da palavra “cifra” hoje - tanto pode se referir ao símbolo
do zero como a qualquer dígito - não ocorria no original hindu.
10
- ORIGEM DO CONCEITO DE
DERIVADA DE UMA FUNÇÃO
DERIVADA DE UMA FUNÇÃO
O
conceito de função que hoje pode parecer simples, é o resultado de uma lenta e
longa evolução histórica iniciada na Antiguidade quando, por exemplo, os
matemáticos Babilónios utilizaram tabelas de quadrados e de raízes quadradas
e cúbicas ou quando os Pitagóricos tentaram relacionar a altura do som
emitido por cordas submetidas à mesma tensão com o seu comprimento.
Nesta época o conceito de função não estava
claramente definido: as relações entre as variáveis surgiam de
forma implícita e eram descritas verbalmente ou por um gráfico.
Só
no séc. XVII, quando Descartes e Pierre Fermat introduziram as coordenadas
cartesianas, se tornou possível transformar problemas geométricos em
problemas algébricos e estudar analiticamente funções.
A
Matemática recebe assim um grande impulso, nomeadamente na sua
aplicabilidade a outras ciências - os cientistas passam, a partir de
observações ou experiências realizadas, a procurar determinar a fórmula ou
função que relaciona as variáveis em estudo. A partir daqui todo o estudo
se desenvolve em torno das propriedades de tais funções.
Por
outro lado, a introdução de coordenadas, além de facilitar o estudo de curvas
já conhecidas permitiu a "criação" de novas curvas, imagens
geométricas de funções definidas por relacões entre variáveis.
Foi
enquanto se dedicava ao estudo de algumas destas funções que Fermat deu
conta das limitações do conceito clássico de reta tangente a uma curva como
sendo aquela que encontrava a curva num único ponto. Tornou-se assim
importante reformular tal conceito e encontrar um processo de traçar uma
tangente a um gráfico num dado ponto - esta dificuldade ficou conhecida na
História da Matemática como o " Problema da Tangente".
Fermat
resolveu esta dificuldade de uma maneira muito simples: para determinar uma
tangente a uma curva num ponto P considerou outro ponto Q sobre a curva;
considerou a reta PQ secante à curva. Seguidamente fez deslizar Q ao longo da
curva em direcção a P, obtendo deste modo retas PQ que se aproximavam duma
reta t a que Fermat chamou a reta tangente à curva no ponto P.
Fermat
notou que para certas funções, nos pontos onde a curva assumia valores
extremos, a tangente ao gráfico devia ser uma reta horizontal, já que ao
comparar o valor assumido pela função num desses pontos P(x, f(x)) com o valor
assumido no outro ponto Q(x+E, f(x+E)) próximo de P, a diferença entre f(x+E) e
f(x) era muito pequena, quase nula, quando comparada com o valor de E,
diferença das abcissas de Q e P. Assim, o problema de determinar extremos e de
determinar tangentes a curvas passam a estar intimamente relacionados.
Estas
ideias constituiram o embrião do conceito de DERIVADA e levou Laplace a considerar Fermat "o verdadeiro
inventor do Cálculo Diferencial". Contudo, Fermat não dispunha de notação
apropriada e o conceito de limite não estava ainda claramente definido.
No
séc.XVII, Leibniz algebriza o Cálculo Infinitésimal, introduzindo os conceitos
de variável, constante e parâmetro, bem como a notação dx e dy para designar
"a menor possível das diferenças em x e em y. Desta notação surge o nome
do ramo da Matemática conhecido hoje como " Cálculo Diferencial
".
Assim,
embora só no século XIX Cauchy introduzia formalmente o conceito de limite e o
conceito de derivada, a partir do séc. XVII, com Leibniz e Newton, o Cálculo
Diferencial torna-se um instrumento cada vez mais indispensável pela sua
aplicabilidade aos mais diversos campos da Ciência.
11 - ORIGEM DOS SISTEMAS LINEARES E
DETERMINANTES
Na
matemática ocidental antiga são poucas as aparições de sistemas de equações
lineares. No Oriente, contudo, o assunto mereceu atenção bem maior. Com seu
gosto especial por diagramas, os chineses representavam os sistemas lineares
por meio de seus coeficientes escritos com barras de bambu sobre os quadrados
de um tabuleiro.
Assim
acabaram descobrindo o método de resolução por eliminação — que consiste em
anular coeficientes por meio de operações elementares. Exemplos desse
procedimento encontram-se nos Nove capítulos sobre a arte da matemática, um
texto que data provavelmente do século 111 a.C.
Mas foi
só em 1683, num trabalho do japonês Seki Kowa, que a idéia de determinante
(como polinômio que se associa a um quadrado de números) veio à luz. Kowa,
considerado o maior matemático japonês do século XVII, chegou a essa noção
através do estudo de sistemas lineares, sistematizando o velho procedimento
chinês (para o caso de duas equações apenas).
O uso
de determinantes no Ocidente começou dez anos depois num trabalho de Leibniz,
ligado também a sistemas lineares. Em resumo, Leibniz estabeleceu a condição de
compatibilidade de um sistema de três equações a duas incógnitas em termos do
determinante de ordem 3 formado pelos coeficientes e pelos termos independentes
(este determinante deve ser nulo). Para tanto criou até uma notação com índices
para os coeficientes: o que hoje, por exemplo, escreveríamos como a12,
Leibniz indicava por 12.
A
conhecida regra de Cramer para resolver sistemas de n equações a n incógnitas,
por meio de determinantes, é na verdade uma descoberta do escocês Colin
Maclaurin (1698-1746), datando provavelmente de 1729, embora só publicada
postumamente em 1748 no seu Treatise of algebra. Mas o nome do suíço Gabriel
Cramer (1704-1752) não aparece nesse episódio de maneira totalmente gratuita.
Cramer também chegou à regra (independentemente), mas depois, na sua Introdução
à análise das curvas planas (1750), em conexão com o problema de determinar os
coeficientes da cônica geral
A + By + Cx + Dy2 + Exy +
x2 = 0.
O
francês Étienne Bézout (1730-1783), autor de textos matemáticos de sucesso em
seu tempo, sistematizou em 1764 o processo de estabelecimento dos sinais dos
termos de um determinante. E coube a outro francês, Alexandre Vandermonde
(1735-1796), em 1771, empreender a primeira abordagem da teoria dos
determinantes independente do estudo dos sistemas lineares — embora também os
usasse na resolução destes sistemas.
O
importante teorema de Laplace, que permite a expansão de um determinante
através dos menores de r filas escolhidas e seus respectivos complementos
algébricos, foi demonstrado no ano seguinte pelo próprio Laplace num artigo que,
a julgar pelo título, nada tinha a ver com o assunto: "Pesquisas sobre o
cálculo integral e o sistema do mundo".
O termo determinante, com o sentido atual, surgiu em 1812 num
trabalho de Cauchy sobre o assunto. Neste artigo, apresentado à Academia de Ciências,
Cauchy sumariou e simplificou o que era conhecido até então sobre
determinantes, melhorou a notação (mas a atual com duas barras verticais
ladeando o quadrado de números só surgiria em 1841 com Arthur Cayley) e deu uma
demonstração do teorema da multiplicação de determinantes — meses antes J. F.
M. Binet (1786-1856) dera a primeira demonstração deste teorema, mas a de
Cauchy era superior.
Além de Cauehy, quem mais contribuiu para consolidar a teoria
dos determinantes foi o alemão Carl G. J. Jacobi (1804-1851), cognominado às
vezes "o grande algorista". Deve-se a ele a forma simples como essa
teoria se apresenta hoje elementarmente. Como algorista, Jacobi era um
entusiasta da notação de determinante, com suas potencialidades. Assim, o importante
conceito de jacobiano de uma função, salientando um dos pontos mais
característicos de sua obra, é uma homenagem das mais justas.
12
- SURGIMENTO DA GEOMETRIA ANALÍTICA
A
Geometria, como ciência dedutiva, foi criada pelos gregos. Mas, apesa do seu
brilhantismo faltava operacionalidade à geometria grega. E isto só iria ser
conseguido mediante a Álgebra como princípio unificador. Os gregos, porém, não
eram muito bons em álgebra. Mais do que isso, somente no século XVII a álgebra
estaria razoavelmente aparelhada para uma fusão criativa com a geometria.
Ocorre
porém que o fato de haver condições para uma descoberta não exclui o toque de
genialidade de alguém. E no caso da geometria analítica, fruto dessa fusão, o
mérito não foi de uma só pessoa. Dois franceses, Pierre de Fermat (1601-1665) e
René Descartes (1596-1650), curiosamente ambos graduados em Direito, nenhum
deles matemático profissional, são os responsáveis por esse grande avanço
científico: o primeiro movido basicamente por seu grande amor, a matemática e o
segundo por razões filosóficas. E, diga-se de passagem, não trabalharam juntos:
a geometria analítica é um dos muitos casos, em ciência, de descobertas
simultâneas e independentes.
Se o
bem-sucedido Pierre de Fermat zeloso e competente conselheiro junto ao
Parlamento de Toulouse, dedicava muitas de suas melhores horas de lazer à
matemática, certamente não era porque faltasse, alguém em sua posição, outras
maneiras de preencher o tempo disponível.
Na
verdade Fermat simplesmente não conseguia fugia à sua verdadeira vocação e,
apesar de praticar matemática como hobby, nenhum de seus contemporâneos
contribuiu tanto para o avanço desta ciência quanto ele. Além da geometria
analítica, Fermat teve papel fundamental na criação do Cálculo Diferencial, do
Cálculo de Probabilidades e, especialmente, da teoria dos números, ramo da
matemática que estuda as propriedades dos números inteiros.
A
contribuição de Fermat à geometria analítica encontra-se num pequeno texto
intitulado Introdução aos Lugares Planos e Sólidos e data no máximo, de 1636
mais que só foi publicado em 1679, postumamente, junto com sua obra completa.
É que fermat, bastante modesto, era avesso a
publicar seus trabalhos. Disso resulta, em parte, o fato de Descartes comumente
ser mais lembrado como criador da Geometria Analítica.
O
interesse de Descartes pela matemática surgiu cedo, no “College de la Fleche”,
escola do mais alto padrão, dirigida por jesuítas, na qual ingressará aos oito
anos de idade. Mas por uma razão muito especial e que já revelava seus pendores
filosóficos: a certeza que as demonstrações ou justificativas matemáticas
proporcionam.
Aos
vinte e um anos de idade, depois de freqüentar rodas matemáticas em Paris (além
de outras) já graduado em Direito, ingressa voluntariamente na carreira das
armas, uma das poucas opções “dignas” que se ofereciam a um jovem como ele,
oriundo da nobreza menor da França. Durante os quase nove anos que serviu em
vários exércitos, não se sabe de nenhuma proeza militar realizada por
Descartes. É que as batalhas que ocupavam seus pensamentos e seus sonhos
travavam-se no campo da ciência e da filosofia.
A
Geometria Analítica de Descartes apareceu em 1637 no pequeno texto chamado A
Geometria como um dos três apêndices do Discurso do método, obra considerada o
marco inicial da filosofia moderna. Nela, em resumo, Descartes defende o método
matemático como modelo para a aquisição de conhecimentos em todos os campos.
A
Geometria Analítica, como é hoje, pouco se assemelha às contribuições deixadas
por Fermat e Descartes. Inclusive sua marca mais característica, um par de
eixos ortogonais, não usada por nenhum deles. Mais, cada um a seu modo, sabiam
que a idéia central era associar equações a curvas e superfícies. Neste
particular, Fermat foi mais feliz. Descartes superou Fermat na notação
algébrica.
13
- A MATEMÁTICA ORIENTAL
(ÁRABES, HINDUS E CHINESES)
(ÁRABES, HINDUS E CHINESES)
Com o
domínio romano exercido em toda a Grécia e com o posterior fechamento da escola
de Atenas pelo imperador Justiniano, a matemática e as ciências gregas entraram
em declínio. Muitos pesquisadores pegaram seus manuscritos e fugiram da Grécia
e proximidades para o oriente médio. Isto fez com que a ciência oriental
florescesse de maneira muito rápida. Este incremento das ciências orientais foi
muito importante para o desenvolvimento da matemática.
Durante
todo o período em que o império romano dominou o mundo conhecido da época,
tanto economicamente quanto culturalmente, o oriente foi a parte mais
desenvolvida. A parte ocidental não foi baseada em uma economia de irrigação,
sua agricultura era extensiva, o que não estimulou o desenvolvimento da
astronomia.
Assim,
o ocidente se contentou com um mínimo de astronomia, alguma aritmética e
algumas medições para o comércio e agrimensura. O estímulo para este
desenvolvimento veio do oriente. Após a separação política entre ocidente e
oriente, este estímulo praticamente desapareceu.
ÁRABES
CONTEXTO
HISTÓRICO
Até o
século VII os árabes encontravam-se divididos em várias tribos, algumas
sedentárias e outras nômades. Geralmente estas tribos eram hostis entre si.
Estas tribos, desde tempos remotos ocupavam a península arábica, localizada no
oriente próximo e limitada pelo mar vermelho, golfo pérsico e oceano índico.
Em 613,
Maomé (570-632) começa a pregação de uma nova religião, na condição de profeta
de Alá (deus único e verdadeiro). Esta nova religião denominou-se religião
Islâmica (Islam significa: submissão).
Em 622
ocorre a “hégira”, mudança de Maomé de Meca para Iatreb por causa das
perseguições sofridas, marcando o início do calendário islâmico. Após muitos
anos de lutas, Maomé consegue impor a nova religião a todos os muçulmanos,
sendo Meca a principal cidade sagrada. As demais cidades logo também foram
conquistadas e aderiram ao islamismo.
Depois
da morte de Maomé, os árabes foram governados pelos califas (Alá confiava o
cuidado dos fiéis). Estes califas estenderam o domínio muçulmano da Índia até a
península Ibérica. Esta expansão árabe auxiliou para que a Europa
interiorizasse a economia e aumentasse a ruralização da sociedade, expandindo o
processo de feudos.
No
início, as relações entre a Europa cristã e os muçulmanos foi extremamente
violenta e antagônica. Neste período começam a ocorrer as cruzadas, com o
intuito de tomar de volta a cidade santa de Jerusalém do domínio islâmico. Os
ataques muçulmanos praticamente fizeram desaparecer o comércio cristão no
mediterrâneo ocidental, contribuindo ainda mais para o processo de feudalismo
na Europa.
Na
península Ibérica os árabes realizaram uma revolução agrícola construindo
canais de irrigação , açudes e moinhos d’água, introduzindo o cultivo de
cana-de-açucar, algodão, cânhamo e arroz. Por todo o império circulavam moedas
cunhadas em Bagdá, capital do império. Trabalhos em couros feitos em Córdoba e
canais de irrigação em Valência foram algumas das soluções desenvolvidas na
economia.
CONTEXTO
MATEMÁTICO
Com o
domínio dos Sassânidas, reis persas que governaram a mesopotâmia (Ciro e
Xerxes), esta recuperou sua posição central ao longo das rotas comerciais,
visto que sob o domínio romano e heleno haviam perdido. Não há muitos registros
Sassânidas desta época. O que se sabe que era uma cultura muito rica, haja
visto o conto “Mil e uma noites” de Omar Khayyam.
Depois
da conquista árabe, em 641 teve origem Bagdá, em substituição à babilônia, que
havia desaparecido. A matemática do período islâmico revela a mesma mistura de
influências que se tornaram familiares em Alexandria e na Índia.
A
matemática e a astronomia foram grandemente incentivadas pelos califas de
Bagdá: Al-mansur (754-775), Harun Al-raschid (766-809) e Al-mamun (813-833).
Este último organizou em Bagdá a “casa da sabedoria”, composta de uma
biblioteca e um observatório.
As
atividades matemáticas árabes começaram com a tradução dos Siddanthas hindus
por Al-Fazari e culminaram com uma grande importância com Muhammad Ibn Musa
Al-Khwarizmi, por volta de 825. Ele escreveu vários tratados sobre matemática e
astronomia. Estes tratados explicavam o sistema de numeração hindu. A europa
ficou conhecendo este sistema de numeração graças a uma cópia latina do século
XII, visto que o original árabe se perdeu. A astronomia de Al-Khwarizmi era um
resumo dos Siddanthas, o qual mostrava uma influência grega nos textos
sânscritos.
Convém
ressaltar que a palavra “álgebra” vem do árabe “al-jabr”, que siginifica
“restauração”.
Os
árabes tiveram um papel muito importante na história da matemática, pois eles
traduziram, fielmente, os clássicos gregos (Apolônio, Arquimedes, Euclides,
Ptolomeu e outros). Estes clássicos estariam perdidos para nós sem os árabes,
visto o fechamento da escola de Atenas por Justiniano.
Outro matemático brilhante foi Omar Khayyam. Ele escreveu uma álgebra que continha uma investigação sistemática de equações cúbicas, utilizando a interseção de duas seções cônicas.
Jemshid
Al-Kashi, matemático Persa resolveu equações cúbicas por iteração e por métodos
trigonométricos, e também pelo método conhecido hoje como “método de Horner”.
Este método tem uma forte influência chinesa, o que nos faz pensar que a
matemática chinesa da dinastia Sung havia penetrado profundamente no mundo
islâmico.
Por
tudo isto, ressalta-se a importante influência do povo árabe na matemática.
Convém ressaltar, também, que os muçulmanos ao expandir o islamismo cometeram
um dos maiores crimes contra a humanidade.
Após a queda de Alexandria frente aos
muçulmanos, o califa mandou queimar todos os manuscritos encontrados na
biblioteca (cerca de 600.000) argumentando que: “se constam do alcorão não
precisam ser guardados e se não constam são inúteis”. Conta a lenda que os
escritos alimentaram as caldeiras dos banhos durante seis meses.
É
preciso lembrar, também, o papel das cruzadas. Com as cruzadas a Europa cristã
teve, novamente, contato com a matemática grega, traduzida para o árabe. Isto
veio a influenciar muito a Europa medieval e serviu como fonte para o
desenvolvimento da matemática durante a idade média.
CHINESES
A civilização chinesa, bem como a
civilização indiana, são muito mais antigas que as civilizações grega e romana,
mas não mais antigas que as civilizações egípcia e mesopotâmicas.
CONTEXTO HISTÓRICO
A civilização chinesa originou-se
às margens dos rios Yang-Tsé e Amarelo. Podemos dividir a história chinesa em
quatro grandes períodos:
- China Antiga (2000 ac – 600 ac)
- China Clássica (600 ac – 221 dc)
- China Imperial (221 dc – 1911 dc)
- China Moderna (1911 dc – hoje)
Apesar da china antiga ter sido
governada por monarquias Hsia, Shang e Chou, o poder real estava nas mãos de
numerosos pequenos senhores, governantes de pequenas cidades. Este período foi
caracterizado por inúmeras guerras, taxas sobre a população e muita pobreza do
povo.
Durante o período clássico, o
filósofo Confúcio pregava uma total reestruturação social e política. Confúcio
pregava o respeito pelas autoridades, cuidados com a pobreza, humildade, ética
por parte dos governantes e não fazer aos outros o que não queremos que nos
façam. Confúcio não conseguiu, em vida, fazer com que suas idéias fossem
aceitas pela aristocracia. No mesmo período é criado o taoísmo por Chang Tzu
(399 ac – 295 ac), o qual proclamava uma ordem no universo e recomendava a paz
e a benevolência governamental.
Estes conceitos foram criados em
virtude dos desgovernos dos senhores e a miséria de seus súditos. Em 200 ac a
dinastia Han criou um império que durou até o fim da china clássica. Esta dinastia
expandiu os limites da china e adotou o confucionismo como religião oficial.
Vindo da Índia, o budismo fundiu-se com o taoísmo e ganhou ampla aceitação
entre os camponeses.
No período imperial, a china
esteve envolvida em várias lutas internas. Com a queda da dinastia Han, os
senhores começaram a lutar entre si para exercer o domínio em suas regiões. Em
618 dc a dinastia Tang unificou a china. Depois dela seguiram-se as dinastias
Sung e Yuan. Estas dinastias patrocinaram as artes e a literatura, criando
assim a era de ouro. Com isto a china alcançou grandes dimensões e muita
influência.
Começa a ocorrer a abertura do comércio chinês
com a Europa, via oriente médio. As viagens de Marco Pólo à corte de Kublai
Khan proporcionaram o primeiro contato da civilização chinesa com o mercado
europeu.
O império chinês durou muito mais
tempo que o romano. Só foi rompido com a revolução de 1911. É importante
ressaltar que ao contrário do império romano, os imperadores chineses,
principalmente Kublai Khan, produziram uma cultura rica e uma base intelectual
sólida. Enquanto os monarcas romanos eram, geralmente militares analfabetos, os
monarcas chineses valorizavam muito a intelectualidade.
Pelo fato de que os chineses se interessavam
mais por literatura e arte, a matemática e a ciência chinesa sofreram um atraso
em relação as outras matérias.
CONTEXTO
MATEMÁTICO
Os historiadores consideram muito
difícil datar documentos matemáticos da China. O clássico mais antigo da matemática
chinesa “Chou Pei Suang Ching” tem uma variação de quase mil anos entre suas
datas mais prováveis de escrita. A maior dificuldade em datar este documento
ocorre porque foi escrito por várias pessoas, em períodos diferentes. O Chou
Pei indica que na China a geometria originou-se da mensuração, assim como na
babilônia, sendo um exercício de aritmética ou álgebra. Neste trabalho há
indicações que os chineses conheciam o teorema de Pitágoras.
Outra publicação tão antiga
quanto o Chou Pei, é o livro de matemática “Chui Chang Suan Shu” (Nove
capítulos sobre a arte da matemática, em torno de 1200 a.c.). Entre vários
assuntos abordados, chama a atenção problemas sobre mensuração de terras,
agricultura, sociedades, engenharia, impostos, cálculos, soluções de equações e
propriedades dos triângulos retângulos. Nesta mesma época os Gregos compunham
tratados logicamente ordenados e expostos de forma sistemática.
Os chineses seguiam a mesma linha
babilônica, compilando coleções com problemas específicos. Assim como os
Egípcios, os chineses alternavam, em seus experimentos, resultados precisos e
imprecisos, primitivos e elaborados. Nesta publicação aparecem soluções de
sistemas lineares com números positivos e negativos.
Como os chineses gostavam de
resolver sistemas, os diagramas foram muito utilizados por eles. É interessante
observar que o quadrado mágico teve seu primeiro registro efetuado por este
povo, mesmo que sua origem é mais antiga, porém desconhecida.
Durante toda sua história, a
ciência chinesa sofreu com vários problemas, que impediram sua continuidade e
aprimoramento. Em 213 a.c. o imperador da China mandou queimar os livros
existentes. Mesmo que algumas cópias tenham sido salvas, a perda foi
irreparável. No século XX, Mao-Tsé-Tung, com sua “Revolução Cultural” também
promoveu uma queima generalizada de livros, considerados “subversivos”.
Provavelmente houve contato
cultural entre Índia e China e entre a China e o ocidente. Muitos dizem que
houve influência babilônica na matemática chinesa, apesar de que a China não
utilizava frações sexagesimais. O sistema de numeração chinês era decimal,
porém com notações diferentes das conhecidas na época. Eles utilizavam o
sistema de “barras” (I, II, III, IIII, T). Não podemos precisar a idade deste
sistema de numeração, porém sabe-se que ele é anterior ao sistema de notação
posicional.
Esta notação em barras não era
simplesmente utilizada em placas de calcular (escrita). Barras de bambu, marfim
ou de ferro eram carregadas em sacolas pelos administradores para que os cálculos
fossem efetuados. Este método era mais simples e rápido do que o cálculo
realizado com ábaco, soroban ou suan phan.
Os chineses conheciam as
operações sobre frações comuns, utilizando o m.d.c. Trabalhavam com números
negativos por meio de duas coleções de barras (vermelha para os coeficientes
positivos e preta para os negativos), porém não aceitavam números negativos
como solução de uma equação.
A matemática chinesa é tão
diferente da matemática de outros povos da mesma época que seu desenvolvimento
ocorreu de forma independente.Lui Hui, no terceiro século, determinou um valor
para Pi utilizando, primeiro um polígono regular com 96 lados (3,14) e depois
utilizando um polígono regular com 3072 lados (3,14159).
O ponto alto da matemática
chinesa ocorreu no século XIII durante o fim do período Sung. Nesta época foi
descoberta a impressão, a pólvora, o papel e a bússola. Obras chinesas desta
época influenciaram fortemente a Coréia e o Japão. Muitas desta obras
desapareceram da China neste período, reaparecendo apenas no século XIX.
Yang Hui (1261 – 1275),
matemático talentoso trabalhou com séries numéricas e apresentou uma variação
chinesa para o triângulo de Pascal.
Sabe-se que a partir da idade
média na Europa, a matemática chinesa não tinha realizações que se comparassem
às européias e do oriente próximo. Possivelmente a China absorvia mais
matemática do que enviava. Possivelmente as ciências chinesas e hindus sofreram
influências mútuas durante o primeiro milênio de nossa era.
HINDUS
CONTEXTO
HISTÓRICO
Escavações arqueológicas ocorridas em Mohenjo Daro nos dão uma indicação de uma civilização muito antiga e de uma cultura muito alta na Índia, ocorrida na mesma época em que eram construídas as pirâmides no Egito. Posteriormente o país foi ocupado pelos invasores arianos que impuseram o sistema de castas, o qual trouxe um atraso muito grande ao desenvolvimento. Estes invasores arianos desenvolveram na índia a literatura sânscrita.
Na
mesma época em que Pitágoras começou a desenvolver seus teoremas e axiomas na
Grécia, Buda agia na Índia. Especula-se que Pitágoras esteve em contato com
Buda e que desenvolveu seu mais famoso teorema com os hindus.
Os
indianos dos primeiros tempos foram exterminados por volta de 1500 ac. Este
país tinha como política, vários pequenos principados desunidos, o que
propiciou muitas invasões em seu território (arianas, persas, gregas, árabes e
ingleses). Estes invasores se estabeleceram como classe dominante, evitando a
miscigenação com o povo nativo.
Entre
3000 ac e 1500 ac viveu na índia um povo, da região do rio Indo, que cultivava
a agricultura e morava em cidades. Este povo foi destruído pelos arianos. Entre
1500 ac e 500 ac os arianos desenvolveram o hinduismo, combinação de religião,
filosofia e estrutura social, a qual veio a desenvolver a base de sua
civilização.
O
hinduismo é um conjunto de crenças e leis que se baseia em três idéias
principais: culto a um grande número de deuses, transmigração da alma e o
sistema de castas que dividia rigidamente a sociedade indiana em quatro
classes: Brahmana (sacerdotes), kshatriya (guerreiros), vaisya (comerciantes e
artesãos) e sudra (camponeses).
Sidarta
Gautama (Buda), por volta de 500 ac se revolta contra esta filosofia. O budismo
foi uma resposta ao caos e à agitação desta época, encontrando muitos adeptos,
principalmente entre os pobres. Até começar a declinar, por volta de 500 d.c. o
budismo já havia se espalhado pela China, Japão e sudeste asiático.
Em 320
a.c. Chandragupta Mauria unificou todos os pequenos estados indianos e estabeleceu
o império Mauriano, seguido pelo seu neto Açoka (272-232 ac).. Em 185 ac o
império voltou a se desintegrar e ficar dividido em pequenos estados. Da queda
do império mauriano até 200 dc houve um grande desenvolvimento cultural, por
meio da literatura, arte, ciência e filosofia. Em 320 dc a índia foi novamente
unificada por Chandragupta I, originando o império dos Gupta, que se manteve
até 470 dc, o qual é considerado a era clássica da Índia.
Com a
invasão dos árabes, o islamismo foi introduzido na índia, conquistando partes
da índia ocidental nos séculos VIII, IX e X. Em 1206 Kutb ud-Din-Aibak fundou o
sultanato muçulmano de Dehli. Em 1526 Babur instala o império Mogol (Turco). No
século XVII a Índia é invadida pelos Ingleses que exercem uma tirania muito
grande contra a sua população.
CONTEXTO MATEMÁTICO
A
matemática hindu apresenta mais problemas históricos do que a grega, pois os
matemáticos indianos raramente se referiam a seus predecessores e exibiam
surpreendente independência em seu trabalho matemático.
A
Índia, assim como o Egito, tinha seus “esticadores de corda”. As primitivas
noções geométricas tomaram corpo no escrito conhecido como “Sulvasutras”
(regras de cordas). Este escrito tem três versões, sendo que a mais conhecida
tem o nome de Apastamba.
Nesta
primeira versão, da mesma época de Pitágoras, são encontradas regras para
construção de ângulos retos por meio de ternas de cordas cujos comprimentos
formam tríadas pitagóricas. Este escrito, provavelmente, sofreu influência
babilônica, visto que estas tríadas encontram-se nas tábuas cuneiformes.
A
origem e a data dos Sulvasutras são incertos, de modo que não é possível
relacioná-los com a primitiva agrimensura egípcia ou com o problema grego de
duplicar um altar.Após esta publicação, surgiram os “Siddhantas” (sistemas de
astronomia). O começo da dinastia Gupta (290) assinalou um renascimento da
cultura sânscrita e estes escritos podem ter sido um produto disto.
A trigonometria de Ptolomeu se baseava na
relação funcional entre as cordas de um círculo e os ângulos centrais que
subentendem. Para os autores dos Siddhantas, a relação ocorre entre metade de
uma corda de um círculo e metade do ângulo subentendido no centro pela corda
toda.
A Índia teve muitos matemáticos que fizeram grandes contribuições. Entre eles podemos destacar:
A Índia teve muitos matemáticos que fizeram grandes contribuições. Entre eles podemos destacar:
- Aryabhata
Publicou, em 499, uma obra
intitulada “Aryabhatiya”. Esta publicação é um pequeno volume sobre astronomia
e matemática, semelhante aos “Elementos” de Euclides, porém de oito séculos
antes. São compilações de resultados anteriores. Esta obra contém: nome das
potências de dez, até a décima; regras de mensuração (muitas erradas); área do
triângulo; volume da pirâmide (incorreto); área do círculo; volume da esfera
(incorreto) e áreas de quadriláteros (algumas incorretas). Também encontramos
cálculos com a medida do tempo e trigonometria esférica.
- Brahmagupta
Viveu na Índia central pouco mais
de cem anos depois de Aryabhata. Tem pouco em comum com seu predecessor que
vivia no leste da Índia. Seu trabalho mais importante foi a generalização da
fórmula de Heron para achar a área de qualquer quadrilátero. Também trabalhou
na solução de equações quadráticas com raízes negativas.
- Bhaskara
Considerado o mais importante
matemático do século doze (1114 – 1185). Ele preencheu as lacunas do trabalho
de Brahmagupta. É dele a primeira resposta plausível para a divisão por zero.
Em seu trabalho “Vija-Ganita” ele afirma que tal quociente é infinito. Sua
outra obra, “Lilavati”, apresenta tópicos sobre equações lineares e
quadráticas, determinadas e indeterminadas, mensuração, progressões aritméticas
e geométricas, radicais, tríadas pitagóricas, entre outras. Sua obra representa
a culminação de contribuições hindus anteriores.
- Ramanujan
Após Bhaskara, a Índia passou
vários séculos sem matemáticos de importância comparável. Srinivasa Ramanujan
(1887-1920) é considerado o gênio hindu, em aritmética e álgebra, do século
vinte.
A introdução de uma notação para
uma posição vazia, o símbolo para o zero, foi o segundo passo para o nosso
moderno sistema de numeração.
Não se sabe se o número zero
(diferente do símbolo para a posição vazia) surgiu junto com os nove numerais
hindus. É bem possível que o zero seja originário do mundo Grego, talvez de
Alexandria.
Possivelmente foi transmitido à Índia depois
que o sistema posicional já estava estabelecido lá. É interessante observar que
os Maias do Yucatán (México), anterior à Colombo, usavam notação posicional,
com notação para a “posição vazia”. Com a introdução, na notação hindu, do
décimo numeral, um ovo de ganso para o zero, o nosso moderno sistema de
numeração para os inteiros estava completo.
A nova numeração, geralmente
chamada de hindu-arábica, é uma nova combinação dos três princípios básicos,
todos de origem antiga:
i) base decimal
ii) notação posicional
iii) forma cifrada para cada um
dos dez numerais
Nenhum destes de se deveu,
originalmente, aos hindus, mas foi devido a eles que os três foram ligados pela
primeira vez para formar o nosso sistema de numeração.
Outra contribuição importante dos
hindus foi a introdução de um equivalente da função seno na trigonometria para
substituir a tabela de cordas dos gregos. A trigonometria hindu era um
instrumento útil e preciso para a astronomia.
14 - A MATEMÁTICA NA ANTIGUIDADE
(PRÉ-HISTÓRIA, EGITO ANTIGO, MESOPOTÂMIA
E GRÉCIA ANTIGA)
I
– Pré-História
Considera-se
como pré-história todo o período anterior a escrita. Neste período o homem era
nômade, vivia em pequenos grupos, caçava, pescava e morava em cavernas. Não havia
civilização como hoje nós a conhecemos.
· Contexto
Histórico
Durante
a pré-história a sociedade era extremamente rígida. As pequenas comunidades
eram formadas por clãs ou tribos comandadas por um líder ou chefe tribal. Não
havia ascensão social, fora quando a autoridade do chefe era contestada e
conseguia-se um novo líder por meio de lutas.
Não
havia forma alguma de política. Neste período havia a “lei do mais forte”.
Nesta
sociedade primitiva, os homens caçavam e obtinham todo tipo de alimento. Ás
mulheres estava destinado cuidar dos filhos e preparar o alimento que os homens
traziam.
As
comunidades (tribos) eram pequenas, mais ou menos quarenta pessoas por grupo,
pois a alimentação era escassa e em pouco tempo o alimento acabava em
determinado lugar. Por este motivo os grupos eram nômades, viviam se
deslocando, procurando alimentos.
Também
não existia um processo econômico propriamente dito, pois não existiam ainda os
processos de troca de mercadorias nem a cunhagem de moedas. As pessoas
sobreviviam com aquilo que obtinham a cada dia.
Com
o passar do tempo, as civilizações propriamente ditas, começaram a se
desenvolver no crescente fértil (rios Tigre e Eufrates na Mesopotâmia, Rios
Indo e Ganges na Índia e Delta do Nilo na África) e também onde hoje está
situada a América Central, com as culturas Asteca e Maia.
O
rompimento da pré-história e por conseqüência, a criação das civilizações e das
grandes cidades, só foi possível com o desenvolvimento da agricultura, em um
processo que ficou conhecido como “Revolução Agrícola”. Esta foi a primeira
grande revolução que mexeu com toda a humanidade. A segunda seria a “Revolução
Industrial” e a terceira a “Revolução Tecnológica”.
· Contexto
matemático
Este
período foi marcado por um baixíssimo nível intelectual, científico e
matemático. Os aspectos sociais, políticos e econômicos acima citados, tiveram
influência direta nesta pouca produção intelectual das sociedades. Mesmo assim,
podemos citar algumas descobertas científicas e matemáticas.
Neste
período houve a elaboração de um processo rudimentar de contagem: ranhuras em
ossos, marcas em galhos, desenhos em cavernas e pedras. Também podemos citar
aqui o processo que muitos utilizavam para relacionar quantidades, ou seja,
para cada unidade obtida, era colocada uma pequena pedra em um saquinho.
Alguns
povos, como os Sioux (tribo indígena americana) confeccionaram calendários
pictográficos, desenhados em cavernas.
Destaca-se
também a confecção de instrumentos e artefatos de guerra (primeiro em pedra,
depois em bronze e ferro).
Como
já comentamos anteriormente, foi somente após a revolução agrícola que as
descobertas científicas e matemáticas tiveram um maior impulso. Esta revolução
abriu o caminho não só para a criação das grandes civilizações, mas também para
tudo aquilo que cerca esta construção.
II
– Egito Antigo
A civilização Egípcia se desenvolveu ao longo
de uma extensa faixa de terra fértil que margeava o rio Nilo. Este rio
prestou-se muito ao estabelecimento de grupos humanos.
Suas
margens férteis revelaram-se propícias à agricultura e, ainda, suas águas
caudalosas facilitavam a abertura de canais de irrigação e a construção de
diques. O estudo do Egito antigo está determinado entre 4.000 a.c. à 30 a.c.
Houveram
vários períodos dentro da história egípcia antiga, mas todos eles tiveram
basicamente o mesmo aspecto social político e econômico, bem como matemático e
científico. Somente com a invasão pelos romanos no século I a.c. é que ocorre
um rompimento com sua cultura milenar.
· Contexto
Histórico
A
sociedade Egípcia era extremamente rígida. A pirâmide social era fixa e
composta desta maneira: Faraó (nobreza) – sacerdotes – escribas – camponeses -
escravos. Havia uma administração estatal, centralizada no faraó que era o
senhor absoluto de tudo que havia no Egito. O poder do faraó era fortalecido
pela crença que o poder divino estava vinculado ao poder civil na pessoa do
faraó, considerado um deus na terra.
Além
do faraó que era o senhor absoluto, havia uma poderosa nobreza fundiária que
cooperava na administração e na
exploração do trabalho dos camponeses. Apenas a família do faraó, os sacerdotes
e os nobres tinham acesso a uma educação rudimentar. Alguns escribas também
obtinham, mediante vontade do faraó, acesso à educação.
Em
um primeiro momento a economia Egípcia estava baseada na agricultura e no
trabalho escravo. Os camponeses cultivavam a terra e entregavam aos nobres e ao
faraó. Eles só tinham direito a uma pequena parte dos produtos para sua
subsistência.
Em
um segundo momento a economia foi ampliada para um comércio de troca de
mercadorias com outros povos que viviam em outras regiões, principalmente os
mesopotâmicos.
Pelo
fato de que a sociedade egípcia era uma sociedade extremamente fixa, centrada
na pessoa do faraó, que não permitia uma maior abertura para as classes
inferiores, as ciências também foram prejudicadas. Mas, mesmo assim houve um
grande avanço científico e matemático neste período.
· Contexto
matemático
Um
dos ramos da ciência que teve um avanço significativo foi a medicina. Os
médicos (sacerdotes) egípcios possuíam um grande conhecimento na medicina, como
bem comprovam as múmias de vários faraós descobertas nos dois últimos séculos,
bem como o acesso a vários papiros.
Na
matemática, também tivemos grandes avanços. A matemática egípcia sempre foi
essencialmente prática. Quando o rio Nilo estava no período das cheias, começavam
os problemas para as pessoas. Para resolver este problema foram desenvolvidos
vários ramos da matemática. Foram construídas obras hidráulicas, reservatórios
de água e canais de irrigação no rio Nilo. Procedeu-se a drenagem dos pântanos
e regiões alagadas.
Começou-se
também com uma geometria elementar e uma trigonometria básica (esticadores de
corda) para facilitar a demarcação de terras. Com isto procedeu-se a um
princípio de cálculo de áreas, raízes quadradas e frações. Também sabemos que
os egípcios conheciam as relações métricas em um triângulo retângulo. O teorema
de Pitágoras, na realidade, já era conhecido por povos bem mais antigos que os
gregos.
No
século XVIII d.c. foram descobertos vários papiros em escavações no Egito. Do
ponto de vista matemático os mais importantes são os papiros de Moscou e os
Papiros de Rhind. Estes papiros trazem uma série de problemas e coleções
matemáticas em linguagem hieróglifa. Só foi possível a decifração desta
linguagem, por Champolion, quando em 1799 uma expedição do exército Francês,
sob o comando de Napoleão Bonaparte, descobriu perto de Rosetta, Alexandria uma
pedra com escrita em três línguas: grego, demótico e hieróglifa. Somente com
esta pedra foi possível decifrar a linguagem hieróglifa e traduzir estes
papiros com grandes preciosidades matemáticas egípcias.
Outra
ciência que teve um avanço muito grande neste período foi a astronomia. Os
sacerdotes egípcios faziam cálculos astronômicos para determinar quando iriam
ocorrer as cheias do Nilo. Baseados nestes cálculos eles construíram um
calendário com 12 meses de 30 dias.
A
construção das grandes pirâmides faz supor que o conhecimento matemático dos
egípcios era muito mais avançado que o conhecido nos papiros. Talvez o fato da
escrita ser muito difícil tenha sido um dos motivos que impediu este registro.
Talvez, ainda, estes registros tenham sido feito em papiros que não chegaram
aos nossos dias.
Podemos
afirmar, com absoluta certeza, que a matemática egípcia foi um dos pilares da
matemática grega, a qual foi a base para a nossa matemática moderna. Isto em
geometria, trigonometria ou mesmo na astronomia.
III
– Mesopotâmia
A Mesopotâmia, que em Grego significa “terra
entre rios”, situava-se no oriente médio, no chamado crescente fértil, entre os
rios Tigre e Eufrates, onde hoje está situado o Iraque e a Síria,
principalmente.
Os
povos que formavam a Mesopotâmia foram os Sumérios, Acádios, Amoritas, Caldeus
e Hititas, os quais lutavam pela posse das terras aráveis.
conquistas
de vários povos, ao contrário do que ocorreu no Egito. As duas civilizações,
Egípcia e Mesopotâmica, desenvolveram-se no mesmo período. Mas, este desenvolvimento
deu-se em separado, não havendo um intercâmbio de informações.
As mesmas dificuldades que acarretaram o
desenvolvimento das ciências no Egito foram a mola propulsora deste
desenvolvimento nesta região. Porém ao contrário do que ocorria com as águas do
rio Nilo, os períodos de cheia dos rios Tigre e Eufrates eram bastante
irregulares, obrigando a realização de numerosas obras de irrigação e drenagem,
com períodos de observação e desenvolvimento com uma maior dificuldade.
· Contexto
Histórico
A
população residia em grandes cidades, governadas por um rei-sacerdote, chamado
Patesi. Como esta região estava situada em uma região permanentemente sujeita a
invasões, estas cidades eram extremamente militarizadas.
É
desta região a elaboração do primeiro código escrito de leis. O código de
Hamurabi, conhecido como “Lei de Talião”. Este código foi escrito pelo rei
Hamurabi, em torno de 2.000
a.c. e privilegiava principalmente a nobreza, em
detrimento do restante da população.
Durante
o período entre 4.000 a.c.
e 1200 a.c.
foi inventada uma das primeiras formas conhecidas de escrita, a escrita
cuneiforme e a fundação de grandes cidades (Lasash, Ur, Uruk e Babilônia). A
escrita cuneiforme era realizada por meio de cunhas produzidas em tabletes de
barro cozido, o qual garantia a sua permanência e conservação por um longo
período de tempo, sendo que muitos tabletes chegaram até nossos dias,
permitindo acesso àquela cultura. O processo de decifrar esta escrita só foi
conseguido no século XIX por Henry Cheswike Rawlison e Georg Friedrich
Grotenfrend.
Uma
das tabelas mais importantes, sob o ponto de vista matemático, foi a chamada
tábua “Plimpton 322”,
a qual traz uma série de informações matemáticas, entre elas a relação entre os
três lados de um triângulo.
Assim
como a sociedade egípcia, a sociedade mesopotâmica tinha sua pirâmide social
extremamente rígida, não permitindo a mobilidade social. Esta pirâmide tinha
duas camadas. A camada mais alta era formada pelo rei e seus familiares,
seguidos por uma nobreza fundiária, sacerdotes e ricos mercadores. Na base da
sociedade estavam os camponeses e os escravos. Esta sociedade era altamente
militarizada e extremamente cruel para com os povos dominados por meio de
guerras ou da cobrança de impostos.
Com
o advento do código de Hamurabi esta sociedade foi dividida em três grupos
distintos: Homens livres privilegiados (grandes proprietários de terra,
comerciantes e sacerdotes); Homens livres (artesãos, pequenos comerciantes e
servidores no palácio real) e Escravos (prisioneiros de guerras ou pessoas que
não conseguiam pagar as suas dívidas).
A
economia estava baseada na agricultura e no comércio de trocas. Visto a
localização geográfica da região que facilitava o contato entre os povos
conhecidos da época.
Não
havia um processo político como conhecemos hoje, pois o rei detinha o poder
absoluto e total.
· Contexto
matemático
A
ciência e, por conseqüência, a matemática mesopotâmica teve um grande
desenvolvimento por parte dos sacerdotes que detinham o saber nesta
civilização. Assim como a matemática Egípcia, esta civilização teve uma
matemática e/ou ciência extremamente prática. As matemáticas orientais surgiram
como uma ciência prática, com o objetivo de facilitar o cálculo do calendário,
a administração das colheitas, organização de obras públicas e a cobrança de
impostos, bem como seus registros.
As
águas dos rios Tigre e Eufrates proporcionavam facilidades para o transporte de
mercadorias, o que ajudou a desenvolver um processo de navegação.
Foram
desenvolvidos nestes rios grandes projetos de irrigação das terras cultiváveis
e a construção de grandes diques de contenção, abrindo assim o caminho para o
desenvolvimento de uma engenharia primitiva.
Procedeu-se
ao desenvolvimento de uma astronomia rudimentar para o cálculo do período de
cheias e vazantes dos rios, mesmo que estes períodos não fossem regulares como
os do rio Nilo no Egito.
Os
Babilônicos (assim também eram chamados os povos mesopotâmicos) tinham uma
maior habilidade e facilidade para efetuar cálculos, talvez em virtude de sua
linguagem ser mais acessível que a egípcia. Eles tinham técnicas para equações
quadráticas e bi-quadráticas, além de possuírem fórmulas para áreas de figuras
retilíneas simples e fórmulas para o cálculo do volume de sólidos simples. Sua
geometria tinha suporte algébrico. Também conheciam as relações entre os lados
de um triângulo retângulo e trigonometria básica, conforme descrito na tábua
“Plimpton 322”.
Ao
contrário dos Egípcios, que tinham um sistema posicional de base 10, os
babilônicos possuíam um sistema posicional sexagesimal bem desenvolvido, o qual
trazia enormes facilidades para os cálculos, visto que os divisores naturais de
60 são 1,2,3,4,5,6,10,12,15,20,30,60, facilitando o cálculo com frações.
Por
tudo isto que foi descrito, a matemática Babilônica tinha um nível mais elevado
que a matemática Egípcia.
Pelo
fato da Mesopotâmia estar situada no centro do mundo conhecido da época, o que
propiciava grandes invasões e muito contato com outros povos, ela teve um papel
muito grande no desenvolvimento da matemática de um povo que teve um papel
muito importante na história: o povo Grego. Graças a este contato com o povo
Grego, muito desta matemática chegou até os nossos dias.
IV
– Grécia Clássica
Consideramos o período compreendido entre 2.000 a.c. até 35 a.c. como sendo o período
clássico ou período de ouro do povo Grego. Período este que se encerra com o
domínio da Grécia pelos Romanos.
A civilização Grega foi formada por muitos
povos que se originaram da Europa central e da Ásia. Antes, porém, de comentar
sobre estes povos convém fazer um breve comentário sobre um povo que teve uma
influência muito grande sobre a construção da Grécia e de sua cultura: os
Cretenses.
Os Cretenses, habitantes da ilha de Creta,
desde 3.000 a.c.,
com expressão maior entre 2.000
a.c. à 1.500
a.c., notabilizaram-se pelo comércio marítimo,
artesanato, arte e a influência sobre os Gregos. Tiveram um comércio muito
grande com o Egito, Fenícia e a Síria. As transações comerciais eram
registradas em papiros com uma escrita acessível aos mercadores.
Este
contato com os demais povos possibilitou um intercâmbio muito grande com as
demais culturas e propiciou avanços matemáticos e científicos ampliando os
conhecimentos tecnológicos do período, haja vista as ruínas de banheiros e
sistemas de esgotos descobertos em escavações.
O povo da ilha de Creta tinha uma sociedade
original e desenvolvida, dando lugar de destaque à mulher, ao contrário das
demais civilizações do período. Registros indicam que não havia escravidão.
Quando a ilha de Creta, mais precisamente a
cidade de Cnossos, foi ocupada pelos
Aqueus, esta civilização foi subjugada. Apesar de conquistadores, os Aqueus
absorveram a cultura Cretense.
A civilização grega, propriamente dita, foi
formada nos séculos XX a.c. a XII a.c. por invasões de Aqueus, Jônios, Eólios e
Dórios.
· Contexto
Histórico
A
Grécia antiga é considerada como o berço da civilização ocidental. Mas, na
realidade, vimos que anteriormente a ela desenvolveu-se a civilização cretense.
Como a Grécia antiga era chamada de Hélade, este povo foi denominado, na
antiguidade, “Helenos”.
A
história da Grécia pode ser dividida em quatro períodos:
· Período
Homérico (Séculos XII até VIII a.c.)
Pouco
se sabe sobre este período. Sabe-se apenas que ele começou com a invasão dos
Dórios. As poucas informações são os vestígios arqueológicos obtidos em
escavações e os poemas “Ilíada” e “Odisséia” de Homero.
·
· Período
Arcaico (Séculos VIII até VI a.c.)
Este
período foi marcado por uma grande expansão marítima e comercial pelo
mediterrâneo, estreitando os laços econômicos com os demais povos, tornando a
atividade comercial a mais importante da economia Grega.
Esta
atividade consistia em comércio exterior, com a exportação de mármore, azeite,
vinhos, frutas e na importação de trigo, metais, madeiras, tecidos. Com este
crescimento da nova atividade, uma poderosa classe de comerciantes surgiu. Esta
classe passou a lutar por seus direitos, principalmente políticos, visto que
eram as famílias nobres que estavam no poder. Com isto, ocorreram grandes
modificações nas formas políticas.
A
maior delas foi a criação da democracia na cidade-estado de Atenas. Mas, mesmo
a democracia era excludente, visto que escravos, estrangeiros e mulheres não
podiam participar das decisões. Esta economia também estava baseada no emprego,
de forma predominante, da mão-de-obra escrava. Os escravos eram obtidos de três
maneiras: nascimento, guerras de conquista e condenação por dívidas.
· Período
Clássico – Época de Ouro (Séculos VI até IV a.c.)
Durante
este período a civilização grega atingiu seu apogeu, com a estabilização da
democracia, obras dos principais artistas e filósofos, bem como o
desenvolvimento do estudo da matemática e ciências.
Podemos
citar, deste período, Demócrito (460-370 a.c.) que foi o primeiro a afirmar a
existência do átomo como elemento indivisível e Hipócrates (460-377 a.c.) que, no tratamento
médico, defendeu uma análise das doenças a partir dos sintomas apresentados
pelo paciente, em substituição às crenças e superstições.
Este
período também foi marcado por guerras contra os Persas e também guerras
internas entre as cidades-estado, principalmente a guerra entre Atenas e
Esparta.
· Período
Helenístico (Séculos IV até I a.c.)
Este
período começa com a dominação da Grécia, enfraquecida pelas guerras internas e
contra os Persas, pelos Macedônios. Em 308 a.c. Filipe da Macedônia derrotou os
exércitos Gregos. A dominação foi mantida por seu filho, Alexandre Magno, o qual
dominou o mundo conhecido da época, chegando até partes da Índia. Alexandre
havia sido aluno de Aristóteles e por este motivo, mesmo com a dominação
militar, as ciências e as artes continuaram progredindo, mas em ritmo mais
reduzido. Com Alexandre Magno ocorreu a fusão da cultura Grega com a oriental,
o que auxiliou em muito a expansão das ciências e da matemática, principalmente
em contatos com Árabes e Hindus.
Com
a morte de Alexandre, seu império foi dividido entre seus três generais:
Antígono (Grécia e Macedônia), Ptolomeu (Egito) e Seleuco (Mesopotâmia, Síria e
Pérsia).
No
século I a.c. todas estas regiões foram dominadas pelos romanos. Com esta
dominação a cultura grega entrou em declínio, culminando este declínio com o
fechamento da escola de Atenas pelo imperador romano Justiniano.
Durante
todos estes períodos a sociedade Helena apresentava diferentes modos, em função
de suas estruturas políticas das suas cidades-estado. Mas, existiam semelhanças
entre elas, tais como: família patriarcal, conceitos de cidadania, sociedade
fechada, sem possibilidade de mobilidade social.
No
âmbito da política, o grande desenvolvimento foi a democracia, primeiro com
Drácon, depois Sólon e por fim Clístenes. Mas, foi somente com Péricles (462-429 a.c.) que a democracia se
consolidou. Mas, esta democracia era apenas para os cidadãos. Estrangeiros,
mulheres e escravos estavam proibidos de participar da vida política.
Podemos
afirmar, com certeza, que a liberdade de pensamento da civilização Grega
contribuiu para o desenvolvimento das ciências, em especial, a matemática. O
intercâmbio de idéias e conhecimento entre o oriente e o ocidente frutificou
nas inúmeras bibliotecas que se formaram, como a de Alexandria (Egito), que
possuía cerca de 400 mil volumes.
·
Contexto matemático
A
base da revolução matemática exercida pela civilização Grega partiu de uma
idéia muito simples. Enquanto Egípcios e Babilônicos perguntavam: “como”? os
filósofos gregos passaram a indagar: “por quê”? Assim, a matemática que até
este momento era, essencialmente, prática, passou a ter seu desenvolvimento
voltado para conceituação, teoremas e axiomas.
A
matemática, através da história, não pode ser separada da astronomia. Foram as
necessidades relacionadas com a irrigação, agricultura e com a navegação que
concederam à astronomia o primeiro lugar nas ciências, determinando o rumo da
matemática.
Dois
fatores estimularam e facilitaram o grande desenvolvimento da ciência e da
matemática pelos filósofos gregos: a substituição da escrita grosseira do antigo
oriente por um alfabeto fácil de aprender e a introdução da moeda cunhada, o
que estimulou ainda mais o comércio.
A
matemática moderna teve origem no racionalismo jônico, e teve como principal
estimulador Tales de Mileto, considerado o pai da matemática moderna. Este
racionalismo objetivou o estudo de quatro pontos fundamentais: compreensão do
lugar do homem no universo conforme um esquema racional, encontrar a ordem no
caos, ordenar as idéias em seqüências lógicas e obtenção de princípios
fundamentais. Estes pontos partiram da observação que os povos orientais tinham
deixado de fazer todo o processo de racionalização de sua matemática,
contentando-se, tão somente, com sua aplicação.
Neste
período começam a surgir as primeiras divisões nas ciências.
Na Grécia surgem dois grupos distintos de
filósofos: os Sofistas e os Pitagóricos, os quais passam a analisar as ciências
de dois modos diferentes. Os Sofistas abordavam os problemas de natureza
matemática como uma investigação filosófica do mundo natural e moral,
desenvolvendo uma matemática mais voltada à compreensão do que à utilidade. É o
começo da abstração matemática, em detrimento da matemática essencialmente
prática.
Os
Pitagóricos, sociedade secreta criada por Pitágoras de Samos, enfatizavam o
estudo dos elementos imutáveis da natureza e da sociedade. O chefe desta
sociedade foi Arquitas de Tarento. Os Pitagóricos estudavam o quadrivium (geometria, aritmética,
astronomia e música).
Sua
filosofia pode ser resumida na expressão “tudo é número”, com a qual diziam que
tudo na natureza pode ser expresso por meio dos números. Pitágoras dizia que:
“tudo na natureza está arranjado conforme as formas e os números”.
Aos
Pitagóricos (Pitágoras, principalmente) podemos creditar duas descobertas
importantes: o conceito de número irracional por meio de segmentos de retas
incomensuráveis e a axiomatização das relações entre os lados de um triângulo
retângulo (teorema de Pitágoras), que já era conhecido por babilônicos e
egípcios.
Paralelo
a isto, os matemáticos gregos do período clássico começam a trabalhar com o
princípio da indução lógica (apagoge), que é o início da axiomática, a qual foi
desenvolvida por Hipócrates. Os três problemas que deram início ao estudo da
axiomática foram: trissecção de um ângulo, duplicação do volume do cubo
(problema délico) e quadratura do círculo.
Com
as campanhas de Alexandre, o grande, houve um avanço rápido da civilização
grega em direção ao oriente. Assim, a matemática grega sofreu as influências
dos problemas de administração e da astronomia desenvolvidas no oriente. Este
contato entre as duas matemáticas foi extremamente importante e produtivo,
principalmente no período de 350
a 200 a.c..
Neste contexto, Alexandria torna-se o centro cultural e econômico do mundo
helenístico.
Durante
todo o período grego, vários filósofos e matemáticos deram sua contribuição ao
desenvolvimento da matemática. Neste período surgem os cientistas, homens que
dedicavam sua vida à procura do conhecimento e que por isso recebiam um
salário. Será citado, agora, um breve comentário sobre a contribuição dos
matemáticos considerados os mais importantes e influentes deste período.
· Euclides
(306?-283? a.c.)
Seu
trabalho mais famoso é a coleção “Os elementos”, obra em 13 volumes, que contém
aplicações da álgebra à geometria, baseados numa dedução estritamente lógica de
teoremas, postulados, definições e axiomas. Até os dias de hoje, este é o livro
mais impresso em matemática.
· Arquimedes
(287 – 212 a.c.)
É
considerado o maior matemático do período helenístico e de toda antiguidade.
Suas
maiores contribuições foram feitas no campo que hoje denominamos “cálculo
integral”, por meio do seu “método de exaustão”. Arquimedes também deu importante
contribuição na mecânica e engenharia, com o desenvolvimento de vários
artefatos, principalmente militares. Foi morto por um soldado romano quando da
queda de Siracusa.
· Apolônio
de Perga (247-205
a.c.)
Com
Apolônio há uma volta à tradicional geometria grega. Ele escreveu um tratado de
oito livros sobre as cônicas (parábola, elipse e hipérbole), introduzidas como
seções de um cone circular.
· Ptolomeu
(150 d.c.)
Publicou
o “Almagesto”, obra de astronomia com superior maestria e originalidade. Nesta
obra encontra-se a fórmula para o seno e o cosseno da soma e da diferença de
dois ângulos e um começo da geometria esférica.
· Nicómaco
de Gerasa
Publicou
“Introdução à aritmética”, que é a exposição mais completa da aritmética
pitagórica. Muito do que sabemos sobre Pitágoras provém desta publicação.
· Diofanto
Publicou
“Arithmética”, a qual recebeu uma forte influência oriental. Este trabalho
trata da solução e análise de equações indeterminadas.
Com o domínio da Grécia e do oriente pelos
romanos, estas regiões tornaram-se colônias governadas por administradores
romanos. A estrutura econômica do império romano permanecia baseada na
agricultura. Com o declínio do mercado de escravos a economia entrou em
decadência e existiam poucos homens a fomentar uma ciência, mesmo medíocre.
Podemos, então, determinar uma relação entre a
crise da matemática e a crise do sistema social, pois a queda de Atenas
significou o fim do império da democracia escravagista. Esta crise social
influenciou a crise nas ciências que culminou com o fechamento da escola de
Atenas, marcando com isto o fim da matemática grega clássica.
Podemos observar que as descobertas matemáticas
estão relacionadas com os avanços obtidos pela sociedade, tanto intelectuais
como comerciais.
Se no princípio a matemática era
essencialmente prática, visto que as sociedades eram rudimentares, com o
desenvolvimento destas sociedades a matemática também evoluiu, passando de uma
simples ferramenta que auxiliava aos problemas práticos para uma ciência que
serviu como chave para analisar o mundo e a natureza em que vivemos.
Todas as descobertas matemáticas realizadas
pelos povos pré-históricos, egípcios e babilônicos serviram como subsídio para
a matemática desenvolvida pelos gregos.
Esta
matemática grega foi, e continua sendo, a base de nossa matemática. Todo o
desenvolvimento tecnológico obtido em nossos dias tem como ponto de partida a
matemática grega.
Assim, sem a axiomatização desenvolvida pelos
gregos, não haveria o desenvolvimento da matemática abstrata e dos conceitos,
postulados, definições e axiomas tão necessários à nossa matemática.
Da matemática da antiguidade, fundamental a nós
hoje, podemos citar: processos de contagem, numeração, trigonometria,
astronomia, geometria plana e volumes de corpos sólidos, sistema sexagesimal,
equações quadráticas e bi-quadráticas, relações métricas nos triângulos
retângulos, seções cônicas e o método de exaustão, que foi o germe do cálculo
integral.
16 - O NASCIMENTO DO CÁLCULO
Para
realizar um estudo completo sobre as origens, desenvolvimento e conseqüências
do Cálculo, necessitaríamos de uma pesquisa muito extensa cujo resultado final
seria, sem dúvida, um texto longo que estaria além do propósito deste trabalho
como um todo.
O nosso
intuito é o de dar uma apresentação geral que contenha alguns fatos importantes
que permeiam os acontecimentos históricos relacionados com a construção desta
poderosa ferramenta da matemática: o Cálculo.
Além
disso, gostaríamos que ficasse claro que essa construção é o resultado de
diversas contribuições de muitos personagens, como ocorre de modo geral, com o
conhecimento humano.
Convidamos
também o usuário a apreciar alguns fatos interessantes que estão presentes no
site, assim como encorajá-lo na visita às páginas dos matemáticos que aqui
aparecem para conhecer um pouco a história de cada um.
As
contribuições dos matemáticos para o nascimento do Cálculo são inúmeras.
Muitos
deles, mesmo que de forma imprecisa ou não rigorosa, já utilizavam conceitos do
Cálculo para resolver vários problemas - por exemplo, Cavalieri,
Barrow, Fermat e Kepler. Nesse tempo ainda não havia uma sistematização,
no sentido de uma construção logicamente estruturada.
A união das partes conhecidas e utilizadas até
então, aliada ao desenvolvimento e aperfeiçoamento das técnicas, aconteceu com Newton e Leibniz que deram
origem aos fundamentos mais importantes do Cálculo: as Derivadas e as
Integrais.
O
Cálculo pode ser dividido em duas partes: uma relacionada às derivadas ou Cálculo Diferencial e outra parte
relacionada às integrais, ou Cálculo
Integral.
O Cálculo Diferencial: alguns fatos
históricos
O
aparecimento e desenvolvimento do Cálculo Diferencial estão ambos intimamente
ligados à questão das tangentes.
Desde a época dos Gregos antigos, já se conhecia a reta tangente como sendo uma
reta que intercepta uma curva em um único ponto, generalizando a situação
observada no caso da circunferência. Na realidade, essa idéia é muito imprecisa
e precisamos de um tratamento bem mais rigoroso para a questão
da tangente à uma curva.
Arquimedes e Apolônio
utilizavam métodos geométricos, que diferiam entre si, para a determinação de
tangentes a parábolas, elipses e hipérboles. Vários outros métodos para
resolver o problema de encontrar a tangente a uma curva em um ponto foram
desenvolvidos ao longo da história.
Na
realidade, após os Gregos, o interesse por tangentes a curvas reapareceu no
século XVII, como parte do desenvolvimento da geometria analítica. Como
equações eram então utilizadas para descrever curvas, a quantidade e variedade
de curvas estudadas aumentou bastante em comparação àquelas conhecidas na época
clássica.
A introdução de símbolos algébricos como uma
ferramenta para estudar a geometria das curvas também contribuiu para o
desenvolvimento do conceito de derivada. Com o tempo, o tratamento se tornou
mais algébrico e menos geométrico, proporcionando um contínuo progresso no
desenvolvimento dos conceitos de funções, derivadas, integrais e outros tantos
tópicos relacionados ao Cálculo.
Pierre
de Fermat foi o primeiro a considerar a idéia de famílias de curvas. Ele
chamou, por exemplo, de "parábolas maiores", as curvas cujas equações
eram do tipo,
, onde k é constante e n = 2, 3, 4,
etc.
Fermat
elaborou um método algébrico para determinar os pontos de máximo e os pontos de
mínimo de uma função. Ele encontrava geometricamente os pontos onde a reta
tangente ao gráfico tinha inclinação zero, ou seja, buscava os pontos em que o
coeficiente angular da reta tangente era nulo. Escreveu a Descartes
explicando o seu método que é basicamente utilizado ainda hoje. Na realidade,
devido a esse trabalho, que estava intimamente relacionado com as derivadas, Lagrange afirmou considerar Fermat o inventor do
Cálculo.
A
questão de encontrar a tangente a uma curva é, historicamente, de especial
importância, pois, ao que parece, foi o que Newton pensou quando teve um
insight sobre como utilizar tangentes para estudar o movimento dos planetas. O
método para a determinação foi desenvolvido pelo antecessor de Newton, Isaac
Barrow, e consistia no limite de uma corda com os pontos aproximando-se entre
si.
Acredita-se
que um dia, enquanto observava o movimento dos planetas, Newton tenha-se
perguntado porque as órbitas dos planetas eram curvas, pois se fossem formadas
por segmentos de retas seriam muito mais fáceis de serem estudadas. Por que não
considerá-las como um conjunto de pequenas retas que, aproximadamente,
representariam o movimento daquela curva? Este simples, porém genial insight
significou para Newton o começo de uma longa e frutífera produção científica
que englobou, entre outras coisas, as derivadas, as integrais e toda a base da
mecânica clássica.
O
estudo do movimento dos corpos havia começado de maneira sistemática com Galileo. Entretanto ele estudara o movimento
geometricamente, utilizando as proposições de Euclides
e as propriedades das cônicas de Apolônio para chegar a relações entre
distância, velocidade e aceleração, que, hoje em dia, são aplicações básicas da
derivada.
Vários
matemáticos estavam, a essa altura, estudando problemas relacionados ao
movimento. Torricelli e Barrow consideraram o
problema do movimento com velocidades variadas. Já se sabia que a taxa de
variação pontual - derivada - do deslocamento era a velocidade e que a operação
inversa da velocidade era o deslocamento. Isso mostra que já existia uma certa
noção da operação inversa da derivada, sendo que a idéia de que a integral era
inversa da derivada era familiar a Barrow.
Para
Newton, o movimento era a base fundamental para o estudo das curvas e de outros
tópicos relacionados ao Cálculo. Newton escreveu o seu tratado sobre fluxions em 1666. Ele pensou em uma partícula
descrevendo uma curva com duas linhas que se movimentavam e que representavam o
sistema de coordenadas. A velocidade horizontal e a velocidade vertical eram as
fluxões de x e y associadas ao fluxo do tempo. Os fluents
eram x e y. Em linguagem moderna, seria a derivada de x com relação ao tempo,
ou simplesmente x'(t) e seria analogamente a derivada de y com relação ao tempo
ou ainda y'(t).
Tanto os nomes quanto as notações de Newton
foram deixadas de lado ao longo dos anos, prevalecendo a notação criada por Leibniz.
Vale a pena notar, entretanto, que é ainda bastante utilizada pelos físicos
quando a derivada em questão é em relação ao tempo e é dada a função
deslocamento x=x(t); nesse caso, será a velocidade e será a aceleração.
Embora
Newton tenha desenvolvido e revisto o seu Cálculo entre 1666 e 1671, nada foi
publicado até 1736. Ele havia apenas mostrado os seus manuscritos para alguns
colegas e amigos.
Leibniz,
em 1672, enquanto vivia em Paris, encontrou-se com Huygens e com ele aprendeu
muito e recebeu muitos conselhos que constituíram um forte impulso para que
viesse a desenvolver o seu Cálculo Diferencial e Integral. Nesse período, ele
estabeleceu contato com muitos dos matemáticos respeitados da Royal Society e, dentre eles, destaca-se Barrow.
Leibniz teve acesso aos seus trabalhos e estabeleceu um longo período de
correspondências. Seu Cálculo Diferencial tinha uma fundamentação bem diferente
daquele de Newton.
Leibniz
não estudou o movimento para chegar aos conceitos de derivada e integral. Ele
pensou nas variáveis x e y como grandezas que variavam por uma sucessão de
valores infinitamente pequenos. Introduziu dx e dy como a diferença entre esses
valores sucessivos. Embora Leibniz não tenha usado como definição de derivada,
ele sabia que representava o coeficiente angular da tangente.
Há um
capítulo especial na história do Cálculo: uma longa e quase sempre
inescrupulosa disputa entre Newton e Leibniz sobre quem havia
"criado" o Cálculo. Ambos não pouparam acusações picantes para
descrever o outro e os seus feitos e geraram uma discussão acalorada no meio
científico da época sobre quem seria a mais importante autoridade em Cálculo.
Essa situação chegou a tal ponto que os matemáticos que viviam no Reino Unido
se distanciaram durante um período bastante longo dos matemáticos do
continente. Enquanto o Cálculo "Leibniziano" ganhava cada vez mais
adeptos na Europa - entre esses a família Bernoulli - os matemáticos da
"ilha", como dizem alguns historiadores, davam mais atenção às pompas
e circunstâncias criadas para a cerimônia fúnebre de Newton na Abadia de
Westminister. Durante ainda algum tempo, esses matemáticos ficaram um pouco
"ilhados" e, quando voltaram a estabelecer relações com os europeus
do continente, haviam não só perdido parte do avanço do Cálculo como também não
compreendiam muito bem a notação "Leibniziana" então largamente
utilizada.
Carl B.
Boyer, em seu livro A History of Mathematics
, afirma: Como conseqüência da infeliz disputa entre Newton e Leibniz, os
matemáticos britânicos ficaram de certa forma alienados dos trabalhos do
continente (...) e o desenvolvimento da Matemática não conseguiu acompanhar o
rápido progresso dos outros países da Europa ao longo do século XVIII.
Apesar
das diferenças, tanto Newton quanto Leibniz reconheceram até certo ponto a
importância do "adversário". Leibniz disse: Considerando a Matemática
desde o início do mundo até a época de Newton, o que ele fez é sem dúvida a
melhor metade. Newton, por sua vez, na primeira edição do Principia,
admitiu que Leibniz possuía um método semelhante ao seu. Infelizmente, na
terceira edição, após o ápice das desavenças, Newton retirou a referência a
Leibniz.
O
desenvolvimento do Cálculo continuou com muitos outros matemáticos, como, por
exemplo, Jacques Bernoulli, Johann
Bernoulli, MacLaurin, Agnesi,
Euler, d'Alembert, Lagrange e Cauchy.
17 - A MATEMÁTICA NA IDADE MODERNA
Do Renascimento à Revolução Industrial
A
expansão da Matemática – Séculos XV e XVI
A queda de Constantinopla frente aos Turcos, faz com que haja um grande afluxo
de refugiados para a Itália, principalmente. Por este motivo, vários escritos
da civilização grega retornam ao ocidente. Assim, a Europa volta a ter contato
com os originais gregos, agora acrescidos das influências orientais.
Outro fator extremamente importante para a difusão dos conhecimentos
matemáticos foi a invenção da imprensa de tipos móveis. A comercialização dos
livros pode ser aprimorada, o que resultou numa disseminação dos conhecimentos
de uma maneira rápida e significativamente mais barata.
O desenvolvimento dos conceitos matemáticos, aritmética, álgebra e
trigonometria, estavam centrados, em sua maioria, nas cidades italianas e nas
cidades de Nuremberg, Viena e Praga. Estas eram cidades mercantis em
desenvolvimento, propiciando um campo fértil para a expansão matemática.
A população volta a ter interesse pela educação. Começam a aparecer textos
populares de aritmética, em linguagem clássica (latim) para os eruditos e na
língua mãe, com o fim de propiciar o ensino aos jovens que tem interesse em
seguir a carreira comercial.
A expansão matemática foi tão grande neste período que é impossível relatar
todos os avanços obtidos. A matemática passa a ser entendida por especialistas.
·
Nicholas Cusa (1401-1464)
Filho de
um pescador pobre, entrou para a igreja e rapidamente se tornou cardeal. Foi
governador de Roma. Seus trabalhos matemáticos consistem na reforma do calendário
e nas tentativas de quadrar o círculo e trisseccionar o ângulo.
·
Georg Von Peurbach (1423-1463).
Aluno de
Nicholas Cusa. Escreveu tratados de aritmética, astronomia e uma tábua de
senos. Iniciou uma tradução latina, a partir do grego, do “Almagesto” de
Ptolomeu.
·
Johann Muller (1436-1476)
Conhecido
como “Regiomontanus”. Estudou com Peurbach e tomou para si o trabalho de
traduzir o “Almagesto”. Traduziu também textos de Apolônio, Herão e Arquimedes.
Publicou “De Triangulis Omnimodis”, primeira exposição européia sistemática de
trigonometria plana e esférica, independente da astronomia. Montou um
observatório e, com uma prensa tipográfica escreveu tratados de astronomia.
Segundo historiadores construiu uma água mecânica que batia as asas.
·
Nicolas Chuquet
É
considerado o mais brilhante matemático francês do século XV. Também se dedicou
à medicina. Publicou uma obra de aritmética intitulada: “Triparty em la science
des nombres”. Este trabalho enfoca cálculo com números racionais e irracionais
e teoria das equações.
·
Luca Pacioli (1445-1509)
Luca
Pacioli era um padre franciscano que se dedicou à compilações de álgebra,
aritmética e geometria. Publicou “Summa de arithmetica, geométrica, proportioni
et proportionalita”. Este trabalho, que contém muito dos assuntos encontrados
no “Líber Abaci”, trata de operações fundamentais para a extração de raízes
quadradas, escrituração mercantil, equações quadráticas, álgebra sincopada (p,
para indicar mais). Publicou ainda “De divina proportione”, com ilustrações de
sólidos geométricos feitas por Da Vinci, aluno de Pacioli.
·
Johann Widman (1460-???)
Credita-se
a ele o uso, primeiramente, dos sinais de + e -. Estes símbolos eram usados
para indicar excesso e deficiência.
·
Robert Recorde (1510-1558)
Deixou
pelo menos cinco publicações, sendo “The ground of artes” o seu mais completo
livro de aritmética, o qual atingiu 29 tiragens. Também era médico. Fez
trabalhos sobre astronomia, geometria, medicina e álgebra. Apresentou o
sistema de Copérnico aos ingleses. É dele a introdução do símbolo (=) para a
igualdade.
·
Michael Stifel (1486-1567)
Considerado
o maior algebrista alemão do século XIV e XV. Trabalhou com álgebra, números
racionais e irracionais. Associou uma progressão aritmética a uma progressão
geométrica, antecipando assim a invenção dos logaritmos.
O feito
matemático mais extraordinário realizado no século XVI foi a descoberta, por
matemáticos italianos, da solução algébrica das equações cúbicas e quárticas.
·
Scipione del Ferro (1465-1526)
Professor
de matemática da Universidade de Bolonha. Resolveu algebricamente, baseando seu
trabalho em textos árabes, a cúbica x³+mx=n. Não publicou seu trabalho, mas
revelou seu segredo ao discípulo Antônio Fior.
·
Nicolo Fontana de Brescia (1499-1557)
Mais
conhecido como Tartaglia descobriu a solução para a cúbica x³+px²=n. Aprendeu a
ler e a escrever sozinho com um caderno que roubara. Foi o primeiro a usar
matemática na ciência dos tiros de artilharia. Escreveu a melhor aritmética dos
século XVI com tópicos de operações numéricas e da aritmética mercantil.
Publicou também edições de Euclides e Arquimedes.
·
Girolamo cardano (1501-1576)
Gênio
matemático e médico. Após jurar segredo, conseguiu a fórmula de Tartaglia e
publicou a mesma como sendo sua no livro “Ars Magna”. Cardano ainda conseguiu
apresentar a solução da equação quártica por meios algébricos neste mesmo
livro. Quem resolveu a equação foi seu discípulo Ludovico Ferrari, mas Cardano
publicou a resolução. Publicou vários textos sobre aritmética, astronomia, física,
medicina.
·
François Viéte (1540-1603)
Maior
matemático francês do século XVI. Advogado e membro do parlamento francês.
Dedicava-se à matemática por lazer. Tem uma vasta obra, com trabalhos em
trigonometria, álgebra e geometria. “Cânon mathematicus seu ad triangula”
é o primeiro livro que desenvolve triângulos planos e esféricos. Muito do
simbolismo algébrico se deve a ele. Trabalhou também com teoria das equações.
Ele aplicou álgebra à trigonometria e à geometria. Mostrou que o problema da trissecção
e da duplicação de um ângulo dependem da solução de uma equação cúbica.
·
Christopher Clavius (1537-1612)
Matemático
alemão, publicou uma edição dos “Elementos” de Euclides. Escreveu textos de
aritmética, álgebra, trigonometria e astronomia. Participou na reforma do
calendário gregoriano.
·
Simon Stevin (1548-1620)
Matemático
dos Países Baixos, integrou a armada holandesa. Fez a exposição mais antiga das
frações decimais. Contribuiu para a física na área de estática e hidrostática.
Também contribuiu em engenharia militar. Inventou um veículo movido a vela que
transportava 28 pessoas.
·
Nicolau Copérnico (1473-1543)
Astrônomo
polonês. Estudou leis, medicina e astronomia. Apresentou em 1530 sua teoria
para o universo, ano de sua morte. Para apresentar este trabalho necessitou de
desenvolvimentos na trigonometria. Sua teoria para o universo diferia da usual
para a época, a teoria Aristotélica.
·
Georg Joachim Rhaeticus (1514-1576)
Matemático
teutônico, aluno de Copérnico. Durante doze anos trabalhou na construção de
tábuas trigonométricas notáveis e úteis até hoje. Estas tábuas referem-se as
seis funções trigonométricas atuais. Graças a ele que os trabalhos de Copérnico
foram publicados.
As
realizações matemáticas no século XVI constam de: expansão da álgebra
simbólica, padronização do cálculo com numerais indo-arábicos, uso comum de
frações decimais, resolução de equações cúbica e quárticas por meios
algébricos, aprimoramento da trigonometria e progressão da teoria das equações.
Estava preparado o campo para a grande expansão que viria a ocorrer a partir do
século XVII até o século XIX.
Consolidação
da Matemática – Séculos XVII e XVIII
O século XVII é extremamente importante no desenvolvimento da matemática.
Tivemos o desenvolvimento dos logaritmos, por Napier; contribuição para notação
e codificação da álgebra, por Harriot e Ougthred; fundação da ciência da
dinâmica por Galileu; Kepler anunciou suas leis do movimento planetário;
Desargues e Pascal inauguraram um novo campo da geometria pura; Descartes
desenvolveu a geometria analítica; Fermat desenvolveu os fundamentos da teoria
dos números; Huygens contribuiu para a teoria das probabilidades; e no final do
século, Newton e Leibniz contribuíram para o desenvolvimento do cálculo.
Este grande desenvolvimento da matemática neste período foi partilhado por
todas as atividades intelectuais e só foi possível graças aos avanços
políticos, econômicos e sociais da época.
Com a política mais favorável no norte da Europa e a superação da barreira do
frio e da escuridão durante os longos meses de inverno, há um deslocamento da
atividade matemática da Itália para a França e Inglaterra.
Começa uma crescente pesquisa matemática, fora do alcance do leitor comum, pois
a maior parte da matemática desse período só pode ser entendida por
especialistas.
A astronomia, a navegação, o comércio, a engenharia e a guerra fizeram com que
as demandas por cálculos rápidos e precisos crescessem rapidamente. Quatro
invenções contribuíram muito para este progresso: notação indo-arábica, frações
decimais, logaritmos e modernos computadores.
Serão analisadas as contribuições de vários matemáticos deste período para o
desenvolvimento da matemática.
·
John Napier (1550-1617)
Grande
parte de sua vida foi dedicada a combater o catolicismo. Publicou um artigo
intitulado “A plaine discouery of the whole reuelation of saint John”, propondo
provar que o papa era o anticristo. Profetizou também sobre máquinas de guerra,
acompanhado de projetos e diagramas. A metralhadora, o submarino e o tanque de
guerra concretizaram estas previsões.
Napier
deixou como legado quatro produtos de seu gênio: os logaritmos, um dispositivo
para reproduzir fórmulas usadas na resolução de triângulos esféricos, fórmulas
trigonométricas úteis na resolução de triângulos esféricos obliquângulos e um
instrumento usado para multiplicações, divisões e extrair raízes quadradas de
números.
Os
logaritmos foram criados com o fim de transformar multiplicações e divisões em
adições e subtrações. Esta abordagem foi publicada em 1614 em “Mirifici
logarithmorum canonis descriptio”. Este trabalho foi complementado e aprimorado
por Henry Briggs, professor de geometria de Gresham College de Londres. Os
logaritmos de Briggs são, essencialmente, os logaritmos decimais. Logaritmo
significa “número de razão”. Esta invenção de Napier foi utilizada por toda a
Europa, em especial pelos astrônomos que necessitavam de uma maneira rápida e
fácil de desenvolver seus cálculos extremamente lentos e complicados.
·
Thomas Harriot (1560-1621)
Matemático
inglês que viveu no século XVI, mas teve sua obra publicada somente no século
XVII. Foi o fundador da escola de algebristas dos ingleses. Publicou “Artis
analyticae práxis”, o qual analisa a teoria das equações de primeiro, segundo,
terceiro e quarto graus. Este assuntos também estão na obra de Viéte, mas
Harriot dá um tratamento mais completo. Também foi astrônomo, sendo ele o descobridor
das manchas solares e observado os satélites de júpiter, independente de
Galileu.
·
William Ougthred (1574-1660)
Clérigo
inglês, publicou “Clavis mathematicae”, no qual dá ênfase aos símbolos
matemáticos, contribuindo com mais de 150 deles. São adotados por nós hoje: o
símbolo de multiplicação (x), os quatro pontos das proporções e o de diferença
(-). Também tentou introduzir abreviações para as funções trigonométricas na
obra “The circles of proportion”.
·
Galileu Galilei (1564-????)
Astrônomo
italiano. Começou seus trabalhos matemáticos ao observar o balanço de um lustre
em uma igreja. Observou que o período de oscilação do pêndulo independe da
amplitude do arco de oscilação e da massa oscilante e sim do comprimento de sua
haste. Formulou
“a bíblia não é e nunca pretendeu ser um
texto de astronomia, biologia ou outra ciência qualquer”. (EVES, 2004) Para
Galileu “a bíblia não foi criada para nos ensinar verdades científicas que
podemos descobrir por conta própria, foi concebida como um livro para revelar
verdades espirituais.” (EVES, 2004).
·
Johann Kepler (1571-1630)
Astrônomo
alemão. Queria ser ministro luterano, mas um profundo interesse pela astronomia
o levou a mudar de planos. Foi assistente do astrônomo sueco Tycho Brahe.
Quando o mesmo faleceu subitamente, ele herdou a coleção de dados astronômicos
sobre o movimento dos planetas de Brahe. Durante 21 anos ele trabalhou com zelo
e paciência para conseguir formular, por meio de cálculos suas leis do
movimento planetário. Essas lei são:
i) os planetas movem-se em torno
do sol em trajetórias elípticas com o sol num dos focos;
ii) o raio vetor que liga um
planeta ao sol varre áreas iguais em intervalos de tempo iguais, e
iii)o quadrado de tempo para que
um planeta complete sua revolução orbital é diretamente proporcional ao cubo do
semi-eixo da órbita.
Essas
leis são marcos fundamentais na história da astronomia e da matemática, pois
para justificá-las, Newton foi levado a criar a mecânica celeste moderna. Além
do que, 1800 anos depois que Apolônio desenvolveu as seções cônicas, foi
determinada uma aplicação prática para as mesmas. Kepler também foi precursor
do cálculo, pois para formular sua segunda lei ele necessitou de noções
fundamentais do que hoje conhecemos como cálculo infinitesimal.
·
Gerard Desargues (1591-1661)
Engenheiro
e Arquiteto francês, oficial do exército. Escreveu um tratado original sobre
seções cônicas, nove anos após a morte de Kepler. Seu trabalho foi
negligenciado e acabou sendo esquecido, junto com suas cópias, que foram
destruídas. Em 1845, Michel Chasles encontrou uma cópia manuscrita do tratado,
feita por Philippe de La Hire, discípulo de Desargues. Desde então este
trabalho é considerado um clássico do desenvolvimento da geometria projetiva
sintética. Este trabalho foi muito utilizado por Poncelet em suas teorizações.
·
Blaise Pascal (1623-1662)
Foi um
dos poucos contemporâneos de Desargues que soube apreciar sua obra. Pascal foi
matemático francês. Tinha uma saúde muito frágil e veio a falecer com 39 anos
de idade. Durante sua curta vida apresentou muitas contribuições para o
desenvolvimento da matemática. Aos 16 anos publicou um trabalho sobre seções
cônicas, o qual Descartes duvidou de que fosse de sua autoria. Aos 19 anos
inventou a primeira máquina de calcular. Aos 21 anos interessou-se sobre os
trabalhos de Torricelli sobre pressão atmosférica. Com este interesse, deixou
para a física “Principio da hidrodinâmica de Pascal”. Conduziu experiências
sobre pressão dos fluidos e junto com Fermat lançou os fundamentos da teoria das
probabilidades.
Desargues
e Pascal abriram o campo da geometria projetiva. Ao mesmo tempo, Descartes e
Fermat abriam o campo da geometria analítica. Qual a diferença entre as duas? A
geometria projetiva é um ramo da geometria, enquanto a geometria analítica é um
método da geometria.
·
René Descartes (1596-1650)
Matemático
e filósofo francês. Teve uma carreira militar durante vários anos, junto ao
príncipe Mauricio de Orange. Em Paris, após sair da vida militar, se dedicou a
construção de instrumentos ópticos. Depois, mudou-se para a Holanda, onde veio
a se dedicar inteiramente à matemática e à filosofia. “Le monde” contém uma
descrição física do universo. Abandonou a mesma, pois soube da condenação de
Galileu pela igreja. Depois escreveu “”Discurso do método para bem conduzir a
razão e procurar a verdade nas ciências”. Este tratado tinha três
apêndices: La diptrique, Lês météores, la geometrie. Neste último se encontra a
base de todo o desenvolvimento da geometria analítica.
·
Pierre de Fermat (1601?-1665)
Matemático
francês, que juntamente com Descartes, desenvolveu os fundamentos da geometria
analítica. Em “Isogoge ad lócus planos et sólidos” encontramos a equação geral
da reta e da circunferência e uma discussão sobre parábolas, elipses e
hipérboles. Ao contrário de Descartes, Fermat partia de uma equação e então
estudava o lugar geométrico correspondente. Fermat usou a notação de Viéte para
escrever seu trabalho, o que acarretou em prejuízo para si. Fermat deixou
muitos teoremas que foram comprovados com o passar dos anos. Atualmente, o
“último teorema de Fermat” é o único que ainda não foi comprovado. xn+yn=zn
para n>2. Este teorema é o que mais demonstrações erradas apresenta em todos
os tempos.
·
Christiaan Huygens (1629-1695)
Matemático
Holandês. Aos 21 anos publicou um trabalho questionando argumentos falsos
usados para demonstrar a quadratura do circulo. Junto com seu irmão resolvereu
muitas questões de astronomia de observação. Isto o levou a inventar o relógio
de pêndulo, para ter meios mais precisos de medir o tempo. Escreveu o primeiro
tratado formal sobre probabilidade e introduziu o conceito de esperança
matemática.
A EXPANSÃO DA MATEMÁTICA – O CÁLCULO
De todas as descobertas e desenvolvimentos obtidos pela matemática neste
período, a mais notável e mais importante foi a invenção do cálculo por Newton
e Leibniz. Com esta descoberta, a matemática passou a um plano superior e a
história da matemática elementar, terminou.
É interessante observar que o desenvolvimento do cálculo foi feito em ordem
inversa ao modo como é ensinado nas universidades hoje. Primeiro desenvolveu-se
o conceito de integração originado em processos somatórios ligados ao cálculo
de áreas, volumes e comprimentos. Depois trabalhou-se com o conceito de
diferenciação, baseado em problemas sobre tangentes à curvas, máximos e
mínimos. Somente depois de algum tempo observou-se que integração e
diferenciação eram operações inversas.
Mesmo que estes conceitos tenham sido desenvolvidos, basicamente, no século
XVII é necessário lembrar que a base deste desenvolvimento começou no século V
a.C. com os gregos.
·
Paradoxos de Zenão
Há
evidências de que na Grécia antiga se desenvolveram escolas de raciocínio
matemático que abraçavam as seguintes premissas:
i)uma grandeza pode ser subdividida
indefinidamente, e
ii)uma grandeza é formada de um
número muito grande de partes atômicas indivisíveis.
O
filósofo Zenão de Eléia chamou a atenção para as dificuldades ocultas nestas
premissas através de paradoxos desenvolvidos, os quais influenciaram
profundamente a matemática. Dois destes paradoxos, os quais tem a ver com o
cálculo, são assim apresentados:
i)Dicotomia: se um segmento de
reta pode ser subdividido indefinidamente, então o movimento é impossível, pois
para percorrê-lo é preciso primeiro alcançar seu ponto médio;
ii)A flecha: se o tempo é
formado de instantes atômicos indivisíveis, então uma flecha em movimento está
sempre parada.
Qualquer
que tenha sido a motivação para estes paradoxos, eles excluíram os
infinitesimais.
·
Método de Exaustão de Eudoxo
Consta
que Antífon teria antecipado a idéia de que, por sucessivas duplicações do
número de lados de um polígono regular inscrito em um círculo, a diferença
entre o círculo e o polígono, por fim terminaria. Mesmo muito contestada, esta
abordagem apresentava o início do método de exaustão. O método de exaustão foi
uma resposta da escola platônica aos paradoxos de Zenão e foi desenvolvido por
Eudoxo. Este método consiste em admitir que uma grandeza possa ser subdividida
indefinidamente.
De todos
os matemáticos da antiguidade, quem melhor aproveitou este conceito em seus
trabalhos foi Arquimedes. Em suas abordagens de áreas e volumes ele chegou a
resultados muito próximos a algumas integrais definidas hoje, as quais estão
presentes nos vários livros de cálculo.
·
O Método do Equilíbrio de Arquimedes
O método
de exaustão é rigoroso, mas extremamente trabalhoso. Parte do princípio de que
conhecida a fórmula, o método de exaustão é o caminho para prová-la.
No livro
“O método”, descoberto em 1906, tratado escrito por Arquimedes, mostra que para
determinar a área ou o volume, deve-se cortar a região correspondente num
número muito grande de tiras planas ou fatias paralelas finas e (mentalmente)
pendurar esses pedaços numa das alavancas dadas, de tal maneira a estabelecer o
equilíbrio com uma figura de área ou volume e centróide conhecidos. Por este
método, Arquimedes descobriu a fórmula do volume da esfera.
·
A Integração na Europa Ocidental
Somente
por volta de 1450 os trabalhos de Arquimedes chegaram à Europa, através de uma
tradução descoberta em Constantinopla e revisada por Regiomontanus e impressa
em 1540.
Johan Kepler foi um dos primeiros europeus ocidentais a utilizar o trabalho de
Arquimedes. Kepler tinha pouca paciência com o rigor exigido pelo método de
exaustão e para ganhar tempo e economizar trabalho começou a desenvolver meios
de aprimorar este método.
Bonaventura Cavalieri, aluno de Galileu, matemático brilhante, elaborou uma
vasta obra que abrangia matemática, óptica e astronomia. Foi o responsável pela
introdução dos logaritmos na Europa. No tratado “Geometria Indivisibilibus” ele
apresenta o seu método dos indivisíveis. Este método cita Arquimedes e
Demócrito, mas teve como inspiração o trabalho de Kepler para determinar áreas
e volumes. Cavalieri apresentou alguns princípios:
i)se duas porções planas são
tais que toda reta secante a elas e paralela a uma reta dada determina nas
porções segmentos de reta cuja razão é constante, então a razão entre as retas
dessas porções é a mesma constante;
ii)se dois sólidos são tais que
todo plano secante a eles e paralelo a um plano dado determina nos sólidos
secções cuja razão é constante, então a razão entre os volumes desses sólidos é
a mesma constante.
Estes princípios
representam ferramentas poderosas para o cálculo de áreas, volumes e
comprimentos.
·
A Diferenciação
A
diferenciação originou-se dos problemas relativos ao traçado de tangentes a
curvas e problemas envolvendo máximos e mínimos. A exposição clara do método
diferencial só é exposta de maneira mais precisa em 1629, por Pierre de Fermat.
Baseado
na idéia de Kepler de que os incrementos de uma função tornam-se infinitesimais
nas vizinhanças de um ponto de máximo ou de mínimo, Fermat transformou esse
fato em um processo para determinar este pontos de máximo ou de mínimo. Este
processo de Fermat tinha alguns pontos falhos: não distinguia entre valor
máximo ou mínimo e que a condição da derivada de f(x) se anular não é
suficiente para se ter um máximo ou um mínimo.
·
Wallis e Barrow
Estes
dois matemáticos foram os predecessores imediatos de Newton na Inglaterra.
John
Wallis (1616-1703) foi um dos matemáticos mais capazes de seu tempo. Ele foi o
primeiro a ensinar um sistema de ensino para surdos. Na sua publicação
“Arithmetica infinitorum” ele sistematiza e estende os métodos de
Descartes e Cavalieri. Wallis foi o primeiro a explicar de maneira satisfatória
o significado dos expoentes zero, negativos e fracionários, bem como a
introdução do símbolo de infinito (¥).
Isaac
Barrow (1630-1677) é considerado o maior especialista em grego de seu tempo. Extremamente
produtivo em matemática, física, astronomia e teologia. Foi o primeiro ocupante
da cátedra lucasiana de Cambridge. Ao renunciar à cátedra, para se tornar o
capelão de Carlos II, indicou para seu lugar, seu discípulo: Isaac Newton.
Neste
momento do desenvolvimento do cálculo, muito já havia sido feito: integrações,
cubaturas, quadraturas, inicio de processos de diferenciação, idéia inicial de
limites e o teorema fundamental já estava desenvolvido. Faltava ainda a criação
de um simbolismo geral com um conjunto sistemático de regras analíticas formais
que fundamentasse a matéria. É neste ponto que surgem Newton, Leibniz e Cauchy.
Newton e Leibniz criaram um cálculo manipulável e proveitoso, enquanto Cauchy
fez o redesenvolvimento dos conceitos fundamentais em bases aceitáveis.
·
OS “CRIADORES” DO CÁLCULO
Isaac
Newton(1642-1727) desde jovem possuía habilidade para projetar miniaturas
mecânicas. Consta que ele construiu um moinho de brinquedo para moer farinha
usando a força motriz de um rato. Construiu ainda um relógio de madeira movido
a água. Foi no período em que esteve em Cambridge que escreveu seus maiores
trabalhos. Durante o desenvolvimento do cálculo se viu envolvido em discussões
de baixo nível, alimentadas por terceiros, com Leibniz. Os matemáticos ingleses
tomaram o partido de Newton e voltaram as costas ao continente, razão pela
qual, por cem anos, o progresso matemático foi retardado na Inglaterra. São
trabalhos por ele desenvolvidos:
* teoria
ondulatória da luz;
* álgebra
e teoria das equações;
* lei da
gravitação;
*
mecânica celeste;
*
justificação das leis do movimento planetário de Kepler.
Gottfried Wilhelm Leibniz
(1646-????) é considerado um gênio universal do século XVII e rival de Newton
no desenvolvimento do cálculo. Com 12 anos dominava todo o conhecimento
matemático, filosófico, teológico e de direito corrente no período. Nesta idade
começou a escrever “Characteristica generalis”, que envolvia matemática
universal, que foi ponto de partida para a álgebra simbólica de Boole.
Trabalhou durante sua vida no serviço diplomático na corte de Hanover. Leibniz
desenvolveu o teorema fundamental do cálculo, grande parte da notação para o
assunto e fórmulas elementares de diferenciação.
Com a invenção do seu cálculo, entre 1673 e 1676, ele utilizou pela primeira vez o símbolo de integral
Com a invenção do seu cálculo, entre 1673 e 1676, ele utilizou pela primeira vez o símbolo de integral
derivado da primeira letra latina Summa (soma), que tinha por objetivo indicar uma soma de indivisíveis. Logo depois ele já escrevia diferenciais como conhecemos hoje.
Também é
creditado a Leibniz a criação da teoria dos determinantes, apesar de que Seki
Kowa, japonês, dez anos antes, já havia feito considerações importantes sobre o
assunto.
O
primeiro texto de cálculo foi publicado em 1696 pelo marquês de L’hospital
(1661-1674) com lições que recebera de seu professor particular Johann
Bernoulli.
·
Exploração do Cálculo
Depois
que Newton e Leibniz definiram as regras para o cálculo, vários matemáticos
concentraram sua aplicação na mecânica. Muitos destes matemáticos estavam
ligados à filósofos do iluminismo.
A
família Bernoulli
Desde o
final do século XVII até a época atual esta família tem produzido cientistas em
todas as gerações. Nikolaus Bernoulli (1623-1708), Jakob (1654-1705), Nikolaus
(1662-1716), Johann (1667-1748), Nikolaus I (1687-1759), Nikolaus II
(1695-1726) e Daniel (1700-1782) fizeram grandes contribuições ao
desenvolvimento da matemática. Dentre elas, podemos citar: cálculo diferencial
e integral, equações diferenciais ordinárias, coordenadas polares, estudo da
catenária, estudo da lemniscata, da espiral logarítmica e da isócrona, figuras
isoperimétricas, permutações, combinações e distribuições binomiais. Além
disto, apresentaram trabalhos nas áreas de astronomia, física, fisiologia e
hidrodinâmica. Teoria das cordas vibrantes e séries trigonométricas.
·
Leonhard Euler
Euler foi
aluno de Johann Bernoulli. Euler, matemático suíço, considerado o maior
escritor de textos matemáticos. Suas publicações totalizam 886 artigos, textos
e livros matemáticos. Muitos deles escritos quando Euler já estava parcialmente
cego ou mesmo cego. Escreveu textos em matemática pura e aplicada. Seus textos
trazem publicações sobre todos os assuntos matemáticos conhecidos na época.
Laplace, Lagrange e Gauss conheceram e seguiram Euler em todos os seus
trabalhos.
Existem
livros de Euler sobre hidráulica, construção de navios e sobre artilharia, bem
como sobre ciência natural. Mesmo com Euler sendo o principal matemático neste
período, na França vários matemáticos viram a trazer perfeição às teorias de
Newton.
·
Pierre de Maupertius
Matemático
francês, conhecido como “o grande aplanador”, pois em 1736-1737 comandou uma
expedição ao Peru e outra à Suíça onde mediram um arco de meridiano e um arco
de longitude, vindo a validar a teoria de Newton de que a terra é achatada nos
pólos. Maupertius tentou formular um princípio geral pelo qual as leis do
universo pudessem ser unificadas. Combinou sua formulação como uma prova da
existência de Deus, sendo ridicularizado pelo filósofo Voltaire.
·
Aléxis Claude Clairaut
Aos 18
anos de idade publicou um tratado na tentativa de tratar a geometria analítica
e diferencial das curvas espaciais e um tratado sobre o equilíbrio dos fluidos
e a atração dos elipsóides de revolução. Também fez contribuições para os
integrais de linha e equações diferenciais.
·
Jean Lê Rond D’Alembert
Matemático
brilhante, escreveu tratados sobre vários assuntos na matemática, dentre estes
podemos destacar: método de reduzir a dinâmica dos corpos sólidos à estártica,
hidrodinâmica, aerodinâmica, teoria das cordas vibrantes, teoria das equações
diferenciais às derivadas parciais e noções de limites.
·
Joseph-Louis Lagrange
Matemático
francês, que nasceu em Turim, Itália. Apresentou contribuições muito
importantes em cálculo das variações, partindo dos trabalhos de Euler. Usando a
formulação dele aplicou a sua teoria em problemas de dinâmica. Em 1767
apresentou métodos para separar raízes reais de uma equação algébrica e para
aproximá-las, por meio de frações contínuas. Trabalhou em equações de grau
n>4.
·
Pierre Simon Laplace
É considerado
o último dos matemáticos do século XVIII, mas não menos importante que os
demais. O seu tratado “Mecanique céleste” foi o culminar dos trabalhos de
Newton, Clairaut, D’Alembert, Euler e Lagrange. No texto “Theorie analytique
des probabilités” Laplace apresenta toda a estruturação dos conceitos que
envolvem o cálculo das probabilidades.
Muitos
matemáticos, ao final do século XVIII expressaram o sentimento de que as
descobertas matemáticas estavam saturadas. Segundo eles, os matemáticos das
gerações vindouras apenas iriam desvendar problemas de menor envergadura. Desde
a antiga babilônia até Laplace e Euler, a astronomia guiou e inspirou as mais
sublimes descobertas na matemática. No fim do século XVIII este desenvolvimento
parecia ter atingido seu máximo. Mas, uma nova geração, inspirada pela
revolução francesa e impulsionada pela revolução industrial veio demonstrar que
este pessimismo era infundado.
BIBLIOGRAFIA
Fonte: Dicionário Enciclopédico Conhecer - Abril Cultural
BARBEIRO, Heródoto. Et alli. História.
Ed. Scipione. 2005
BERUTTI,
Flávio. História. Ed. Saraiva. 2004.
BOYER,
Carl B. História da matemática. 2º ed. SP. Edgard Blucher, 2003.
EVES, Howard. Introdução à história da matemática.
2º ed. UNICAMP, 2002.
STRUIK, História concisa das matemáticas.
Gradiva. 1989.
LINTZ, Rubens G. História da matemática. FURB. 1999.
http://www.somatematica.com.br/historia.php
http://usematematica.blogspot.com
www.brasilescola.com
www.boaaula.com.br

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