História da China
A história da China está registrada em documentos que datam do século XVI a.C. em diante e que demonstram ser aquele país uma das civilizações mais antigas do mundo com existência contínua. Os estudiosos entendem
que a civilização chinesa surgiu em cidades-Estado no vale do rio Amarelo. O ano 221 a.C. costuma ser referido como o momento em que a China foi
unificada na forma de um grande reino ou império, apesar de já haver vários
estados e dinastias antes disso. As dinastias sucessivas desenvolveram sistemas
de controle burocrático que permitiriam ao imperador
chinês administrar o vasto
território que viria a ser conhecido como a China.[1]
A fundação do que hoje se chama a civilização chinesa é marcada pela
imposição forçada de um sistema de
escrita comum, pela dinastia Qin no século III
a.C., e pelo desenvolvimento de
uma ideologia estatal baseada no confucionismo, no século II
a.C. Politicamente, a China,
alternou períodos de unidade e fragmentação, sendo conquistada algumas vezes
por potências externas, algumas das quais terminaram assimiladas pela população
chinesa. Influências culturais e políticas de diversas partes da Ásia, e mais
tarde algumas da Europa levadas por ondas sucessivas de imigrantes, fundiram-se para criar a imagem da atual cultura chinesa.[2]
Este artigo costuma refletir as descobertas arqueológicas mais recentes
e os estudos também por não haver espaço para refletir todas as ideias e
descobertas.
Para a história mais aprofundada da China após a Guerra Civil
Chinesa, ver História da República Popular da China e História de
Taiwan.
Pré-história
Na pré-história, a China foi
habitada, entre 550 mil a 300 mil anos antes de Cristo, pelo Homo erectus, um predecessor e não um antepassado do Homo sapiens cujo espécime mais famoso é o Homem de Pequim, descoberto em 1927 em Zhoukoudian que usava instrumentos de pedra e o fogo. Os
primeiros indícios de fogo são de há 460 mil anos pelo Homo Erectus, sessenta
mil anos depois alimentavam-se de carne, nozes e bagas. Também foram
descobertos restos de alimentos de frutos selvagens, especialmente ginginha do
rei, juntamente com rebentos de plantas e tubérculos, insetos, répteis, aves,
ovos, ratos e grandes mamíferos. Viviam em grutas, abrigos nos rochedos e
acampamentos ao ar livre. Os caçadores-recoletores primitivos de há 200 mil
anos moviam-se duns sítios para os outros aproveitando os vários e diferentes
recursos sazonais[3]Entre 200 mil e 50 mil a.C. o Homo sapiens inicial habitou certas zonas
da China[4] e o mais recente, o Homo Sapiens Sapiens esteve em Zhoukoudian 40 mil
anos a.C.. Também esteve no mesmo sítio Homo Erectus à 1 milhão de anos. Os
homens Sapien fixaram-se no Nordeste da China há cerca de 25 mil anos atrás a
seguir de a parte mais quente do Sul já ter sido explorado.[5]
Neolítico
No dealbar do período Neolítico, que na China é entre 8000 e 2000 a.C, o clima da Ásia Oriental era quente e úmido. O Norte chinês era coberto por densas florestas e a
fauna incluía crocodilos e elefantes. Descobertas arqueológicas recentes
revelaram que várias culturas regionais efetuaram separadamente a transição da
recoleção para a produção de alimentos. Nelas incluem-se as culturas de Yangshao no curso médio do rio Amarelo, que cultivava milho painço e outros cereais a 6500 a.C,[6], talvez 7000[7] e também tinha galinhas e porcos, a Dawenkou em Shandong. Os agricultures do norte chinês tinham de enfrentar secas e cheias
frequentes, apesar dessas dificuldades a sofisticada cultura da aldeia de
Yangshao usava uma forma primitiva de irrigação, estava florescente em 5000
a.C. e tinha 100 casas[8] A Majiabang no curso inferior do rio Yangzi (Iansequião) e a Dapenkeng ao longo da costa sul e de Taiwan. A cultura
Majiabang emergiu no sexto milénio a.C. e caraterizou-se pelo cultivo de arroz à cerca de
6500 a.C.[9], apesar de já o terem aclimatado 1500 anos antes e de se pensar que já
era cultivado em 8500 a.C.. A agricultura chinesa tornou-se bem organizada e
intensiva ao longo dos séculos seguintes, especialmente no sul.[10] já possuindo porcos e búfalos
aquáticos e pelo uso da cerâmica com motivos gravados por incisão.[11]
Perto da costa chinesa o cultivo de tubérculos como o inhame e o taro foi
acompanhado pelo surgimento de alfaias mais complexas para cavar e pintar.[12]
Em Hemudu
No sudeste da China, em Hemudu tinha sido descoberta uma
povoação neolítica de 5000 a.C.. As descobertas incluem peças de terracota, artigos de madeira e osso e ossadas de porcos e búfalo, havia
igualmente apitos feitos com ossos de aves, possivelmente destinados a atrair
pássaros a armadilhas. A descoberta com maior importância foi a de que o povo
de Hemedu se dedicava à orizicultura.[13][14]
Em Bampo
O sítio arqueológico mais conhecido em Bampo, perto de Xi'an e foi
ocupado a partir de 4500 a.C.. até 3750 a.C. Bampo tinha 45 casas e os seus
habitantes cultivavam painço e milho, possuiam porcos e cães e produziam
cerâmica que além de decorada exibia ocasionalmente marcas gravadas.[15]
Cerâmica
Uma vez que marcas iguais têm sido descobertas em cerâmicas em outros
locais da região, foi sugerido que elas não seriam simples marcas de oleiro mas
um estágio inicial da criação de caraters chineses, sugestão algo polémica.
Também foram descobertos fragmentos de outro tipo de cerâmica, conhecida como
cerâmica de Longshan, descoberta em Chengziyai, no noroeste da província de
Shadong. Em vez de ser vermelha e ás vezes pintada com representações
estilizadas de pássaros e flores como a de Yangshao, não era pintada, era mais
delicada e elevada numa base circular ou assente em três pés. O provável é que
as duas culturas se densevolveram isoladamente e que a cultura de Longshan, que
se espalhou largamente na Ásia Oriental, se espalhou lentamente até à Planície
Central, onde a tradição da cerâmica pintada já começara a esmorecer.[16]
Abrigos
Os agricultures iniciais do norte da China construíram aldeamentos
semi-permanentes, movendo-se quando precisavam de novas terras e voltando mais
tarde a seguir da terra recuperar a fertilidade. As casas, em concavidades ou
ao nível do solo, redondas ou quadradas, como paredes de taipa e telhados
de colmo feitos de
camadas canas e argila e hastes de painço, sustentados por traves.
Ornamentos de osso
No norte chinês e na Manchúria os primeiros ornamentos pessoais são de há cerca de 7500 a.C.. Os
caçadores que os criaram faziam agulhas e furadores de ossos de tigre, de leopardos, de ursos e de veados e inscreviam desenhos em
bocados de chifre. Perfuravam dentes de texugo e de outros
animais, fazendo colares com eles, medalhões e brincos.[17]
História antiga
Dinastia Xia
Segundo a tradição chinesa os seres humanos tiveram origem nos parasitas
existentes no corpo do criador, Pangu. A seguir a
seu óbito governantes sábios introduziram as invenções e instituições fundamentais
da sociedade humana. O primeiro governante foi Fuxi, que
domesticou os animais e instituiu o casamento. Depois foi Shennong, que introduziu a agricultura, a medicina e o comércio. Mais tarde veio Huangdi, o Imperador Amarelo, a quem foi atríbuida a invenção da escrita, da cerâmica e do calendário. Séculos mais tarde surgiu o imperador Yao que
governou sabiamente e introduziu o controle de cheias. O seu feito mais notório
viria a ser a sua decisão de não eleger o filho como futuro imperador, por não
o considerar digno, mas um humilde sábio de nome Shun. Os
reinados de Shun e Yao seriam mais tarde admirados como uma idade dourada.
Voltando ao tema, Shun nomeou por sua vez o seu fiel ministro Yu como sucessor.
É nesta altura que a pré-história da China se funde com a história. O reinado
de Yu teve segundo a tradição início em 2205 a.C, Yu terá alegadamente fundado
a Dinastia Xia, a primeira das três dinastias da China antiga: Xia, Shang e Zhou.[18]
Quando as escavações arqueológicas se iniciaram, na década de 20 do
século passado, a visão tradicional da dinastia Xia foi questionada e Yu foi
reduzido a figura mítica. Mais recentemente, a posição da dinastia Xia foi
restaurada, não como a primeira de uma série de dinastias mas como o mais
poderoso de muitos pequenos estados existentes ao longo do vale do rio Amarelo,
coexistindo com os estados Shang e Zhou iniciais. O estado Xia que existiu
aproximadamente entre 1900 e 1350 a.C., foi identificado com a localidade de Erlitou, na provínica de Henan, local
onde têm sido escavados edifícios apalaçados e túmulos e os mais antigos
recetáculos de bronze até hoje conhecidos foram encontrados. A árvore genealógica dos seus
governantes foi mantida nos Shiji, os Registos Históricos
compilados por Sima Qian, grande historiador, e mais tarde corroborados por inscrições em ossos
oraculares.[19]
Dinastia Shang
Encontraram-se restos de sociedades avançadas e estratificadas datados
da época da Dinastia Shang no vale do rio Amarelo.
O registro mais antigo do passado da China data da
Dinastia Shang, possivelmente no século XIII
a.C., na forma de inscrições
divinatórias em ossos ou carapaças de animais, segundo a tradição chinesa
começou em 1766 e acabou em 1122 a.C.[21]
A dinastia Shang tinha uma série de capitais das quais a mais importante
era Zhengzhou, capital durante o período inicial e intermédio da dinastia que tinha
uma muralha com cerca de 6,4 quilómetro de comprimento e 10 metros de altura
que protegia um grande povoado, e Anyang ocupada
entre 1300 e 1050 a.C..[22] [23][24]
As casas e oficinas ali (em Zhengzhou) encontradas indicam que a sociedade Shang era
altamente organizada e socialmente estratificada. Nos arredores de Anyang, em Xiaotun, foram descoberos indícios do
que teria sido o centro cerimonial e administrativo do estado Shang na sua fase
tardia. Em Xibeigang, 3 quilómetros a norte foram
descobertos 11 grandes túmulos cruciformes que podiam pertencer aos 11 monarcas
Shang, que segundo os registos existentes teriam reinado em Anyang.[25][26]
Governantes Shang
Os governantes Shang faziam um importante papel cerimonial, mas também
se ocupavam da administração do estado e eram servidos por funcionários com
funções especializadas. Eram apoiados por vários clãs com os quais tinham
relações de parentesco ou de matrimónio. A aristocracia dedicava-se a artes militares e lutava com carros puxados a cavalo. A
relação entre os Shang e os clãs era pessoal mas formalizada atráves de
cerimónias de investidura, nos quais o rei podia pedir serviços aos clãs,
laborais e militares. Os Shang bem como os seus apoiantes da aristocracia
levavam a cabo campanhas agressivas contra os vizinhos, obtendo prisioneiro e
saque. Também se expandiam graças a mandatos para a criação de novos povoados e
da disponibilização de novas zonas para a agricultura. Com estes meios o estado
Shang expandiu-se do seu núcleo territorial junto ao rio amarelo até ao vale do
rio Wei até a atual provincia de Shanxi.[27]
Relações dos Shang com outros
Os Shang formaram relações com um estado chamado Shu, o que
talvez signifique que uma cultura se desenvolveu de forma indepedente na
província de Sichuan.[28]
Economia Shang
A base económica do estado Shang era a cultura e a sua colheita mais
importante era o painço. O clima da planície do norte chinês era então mais
quente e húmido e a área muito arborizada, necessitando assim de uma
considerável quantidade de mão de obra para a libertar para a agricultura.
Afirma-se muitas vezes, especialmente por historiadores marxistas, como Guo Moruo, que a mão de obra utilizada
normalmente era escrava e que a sociedade Shang devia ser considerada como o
estágio esclavagista da evolução social chinesa. Tal ideia tem sido motivada
por indícios de sacrifícios humanos que faziam parte das cerimónias funébres da
realeza, e por certas inscrições oraculares. Há pouco tempo Jun Li sugeriu que não a maioria da
população não era composta por escravos, no sentido de serem comprados e
vendidos, e que esta usufría de liberdade individual. No entanto era obrigada a
trabalhos coercivos, como a construção de muralhas e tarefas agrícolas, sendo
também recrutada para serviços militares.[29]
Fragmentos de ossos oraculares
Muita da informação disponível da sociedade Shang chegou até nós graças
a inscrições feitas em omoplatas de bovinos, ou com menos regular em carapaças
de tartarugas. Diziam que eram "ossos de dragão" e era
reduzidos a pó para fins medicinais. Foram descobertos mais 200 mil fragmentos
do ossos oraculares em Xiaotun. Os osso oraculares revelam nos as mais variadas
coisas sobre o estado Shang. Usavam de 3 mil grafemas diferentes e incluíam uma
semana de dez dias e um ciclo de 60 dias.[30]
Metalurgia chinesa Shang
Os indícios acumulados nos últimos anos apoiam a teoria da descoberta
independente da metalurgia na China e da rápida transferência de técnicas cerâmicas para a
manufatura de objetos em bronze. A produção e utilização do bronze era
controlada pelo imperador. A quantidade de objetos encontrados demonstra que a extração de
minério e a manufatura de peças constituíam grandes indústrias. Os recipientes Shang iniciais eram fundidos em moldes distintos sendo
as várias partes posteriormente unidas. Uma indústria em pequena escala surgiu
em Gansu por volta
do ano 2000 a.C.. Este método foi a base sobre o qual se desenvolveu a produção
de bronze em grande escala.[31]
Túmulos
Os reis Shang eram sepultados em grandes túmulos cruciformes, cuja
escavação exigia o trabalho de centenas de pessoas. Os cadáveres eram postos em
caixões de madeira rodeados por objetos funerários. Nas rampas que conduziam ao
fundo do túmulo encontravam-se cadáveres humanos e de cavalos.[32]<[33]
Religião Shang
Graças as provas pode se ter uma ideia da religião Shang. O povo
Shang adorava vários deuses, dos quais muitos eram ascedentes da realeza.
Outros eram espíritos da Natureza, e ainda outros possivelmente derivassem de mitos populares ou de cultos
locais. O culto do ancestrais era praticado por grande parcela da população e
permaneceu uma parte essencial do culto religioso até aos tempos modernos. Um
estudo recente mostra que Di significava "deuses" coletivamente e
apenas com os Zhous surgiria a ideia de um deus principal. Os indícios
descobertos nos túmulos mostra-se clao que acreditavam na vida depois
da morte, e as perguntas oraculares
podem ter sido dirigidas a antepassados falecidos. A corte Shang pode ter sido frequentado por
Xamãs e, possível, o próprio rei fosse um xamã. Se estas opiniões estiverem
certas o caráter da religião Shag era muito diferente da abordagem racional das
escolas filosóficas que tornariam-se prepoderantes durante o período Zhou.[34]
Os historiadores chineses de períodos posteriores habituaram-se à noção
de que uma dinastia sucedia a outra, mas sabe-se que a situação política na
China primitiva era muito mais complexa. Alguns acadêmicos sugerem que os xias
e os shangs talvez fossem entidades políticas que co-existiram, da mesma
maneira que os zhous foram contemporâneos dos shangs.[35]
Alimentação
O soja tinha sido introduzido em 1200 a.C..[36]
Dinastia Zhou
Segundo a tradição a dinastia Zhou reinou entre 1122 e 256 a.C.. Este
período enorme é divido em Zhou Ocidental, de 1122 a 771 a.C., e Zhou Oriental,
estando este ainda subdivido nos períodos de Primavera e Outono, de 771 a 481
a.C., e dos Estados Combatentes, de 481 a 221 a.C..[37]
A capital dos Zhou era perto da atual Xi'an. No apogeu do poder dos Zhou
a China chegava tão a norte como a Mongólia.[38]
Segundo o Shujing, o Livro dos Documentos a queda dos Shang foi devida aos erros do seu último governante, Zhou.[39][40]
Resultante da queda dos Shang o mandato do céu foi-lhes retirado. O rei
Wen passou a ser considerado um expoente de virtude e o seu filho, o rei Wu,
depois de vencer os Shang numa batalha num sítio chamdo Muye. Os documentos
indicam que os Zhou faziam parte uma aliança de oito nações e eles ganharam
porque as tropas Shang se revoltaram por causa da crueldade do seu líder. Tudo
isto se passou cerca de 1045 a.C., cerca de 80 anos depois da data do costume
considerada como a queda dos Shang[41]
Um pouco mais tarde, possivelmente em 1043 a.C., o rei Wu faleceu,
sucedendo-lhe o filho, decisão que ruturou com o passado, pois no estado Shang
a sucessão era feita por um irmão.[42]
Os Zhou tem sido considerados feudais.[43]
Origem e localização
Imenso tempo antes da queda dos Shang, os Zhou apareceram como um estado
poderoso a ocidente do principal centro de atividades Shang. A origem do povo
Zhou não é clara. Segundo Mêncio, um
discípulo de Confúcio, "o rei Wen erá um bárbaro ocidental", a teoria que os Zhou teriam origem turca tem ganho
algum apoio. No entanto não há apoios linguísticos que assinalem uma origem
distantes. Uma teoria mais equilibrada sugere que a sua origem seria o vale do rio Fen, na província de Shanxi,
tendo os Zhou migrado mais tarde para o vale do rio Wei, a oeste de Xi'an, na
adjacente província de Shanxii. Lá, na proximidade do estado Shang, eles
acabaram por adotar muitos apetos da cultura vizinha, um processo que lhes
permitiu adquirir técnicas administrativas que tornou mais fácil a tomada de
poder.[44]
Período das Primaveras e dos Outonos
No século VIII
a.C., o poder político tornou-se
descentralizado, durante o chamado Período das Primaveras e dos Outonos, cujo
nome advém dos Anais das Primaveras e dos Outonos. Naquele período, chefes
militares locais empregados pelos zhous começaram a agir com autonomia e a
disputar a hegemonia. A situação agravou-se com a invasão de outros povos a partir de
nordeste, como os qins (ou chins), o que forçou os zhous a mover sua capital a
leste, para Luoyang. Isto marca a segunda grande fase da Dinastia Zhou: os zhous orientais.
Em cada um das centenas de Estados que vieram a surgir (alguns meros vilarejos
com um castelo), potentados locais detinham a maior parte do poder político e
sua subserviência aos reis zhous era apenas nominal. Por exemplo, tais chefes
locais passaram a envergar títulos reais. Este período viu surgir movimentos
intelectuais e filosóficos influentes como o confucionismo, o taoísmo, o legalismo e o moísmo,
parcialmente como reação às mudanças políticas da época.[45]
Os Reinos Combatentes.
Período dos reinos combatentes
Após um processo de consolidação política, restavam, no final do século V a.C., sete Estados proeminentes. A fase durante a qual estas poucas
entidades políticas combateram umas contra as outras é conhecida como o Período dos Reinos Combatentes. Durante a
época dos Estados Combatentes. Os sete principados que disputaram a supremacia
neste período eram: Zhao, Wei, Han, Qiu, Qi, Yan e Chu.
A figura de um rei zhou continuou a existir até 256 a.C., mas apenas como chefe nominal, sem poderes concretos. A fase final
deste período começou durante o reinado de Ying Zheng, rei de Qin. Após lograr a unificação dos outros seis Estados e anexar
outros territórios nos atuais Zhejiang, Fujian, Guangdong e Guangxi em 214 a.C., proclamou-se o primeiro Imperador (Qin Shi Huangdi).
Qin Shihuang, primeiro imperador da China.
Dinastia Qin: o início da China imperial
Os historiadores costumam denominar de China Imperial o período entre o
início da Dinastia Qin (século III
a.C.) e o fim da Dinastia Qing (no começo do século XX). Embora seu reinado sobre uma China unificada tenha durado apenas doze
anos, o imperador qin logrou subjugar grande parte do que se constitui no cerne das terras hans chinesas e
uni-las sob um governo altamente centralizado com sede em Xianyang (a atual Xian). A
doutrina do legalismo, pela qual se orientava o
imperador, enfatizava a observância estrita de um código legal e o poder
absoluto do monarca. Tal filosofia, embora muito eficaz para expandir o império
pela força, mostrou-se inservível para governar em tempo de paz. Os qins
promoveram o silenciamento brutal da oposição política, cuja epítome foi o
incidente conhecido como a queima de livros e o sepultamento de acadêmicos
(vivos).
A Dinastia Qin é famosa por ter iniciado a Grande Muralha da China, que foi
posteriormente ampliada e aperfeiçoada durante a Dinastia Ming. Incluem-se entre as demais contribuições dos qin a unificação do direito, da linguagem
escrita e da moeda da China,
bem-vindas após as tribulações dos períodos da Primavera e do Outono e dos
Reinos Combatentes. Até mesmo algo tão prosaico como o comprimento dos eixos
das carroças teve que ser uniformizado de modo a permitir um sistema comercial
viável que abrangesse todo o império.
Dinastia Han: uma fase próspera
A Dinastia Han emergiu em 202 a.C., como a primeira a adotar a filosofia do confucionismo, que se tornou a base ideológica de todos os regimes chineses até o fim da China Imperial. Durante esta
fase dinástica, a China logrou grandes avanços nas artes e nas ciências. O Imperador Wu consolidou e ampliou o império ao expulsar os xiongnus (que alguns identificam com os hunos) para as estepes do que é hoje a Mongólia
Interior, tomando-lhes o território
correspondente às atuais províncias de Gansu, Ningxia e Qinghai. Isto permitiu abrir as primeiras ligações comerciais entre a China e o
Ocidente: a Rota da Seda.
Entretanto, as aquisições de terras pelas elites gradualmente causaram
uma crise tributária. Em 9 d.C., o usurpador Wang Mang fundou a breve Dinastia Xin ("nova") e deu início a um amplo programa de reformas agrária e econômica. As famílias proprietárias de terras jamais apoiaram as
reformas, que favoreciam os camponeses e a pequena nobreza, e a instabilidade causada por sua oposição levou
ao caos e a rebeliões.
O Imperador Guangwu reinstituiu a Dinastia Han,
sediada agora em Luoyang, próximo a Xian, com o apoio das famílias proprietárias e mercantis. Alguns denominam
este período Dinastia Han
Oriental. O poder dos hans declinou em
meio a aquisições de terras, invasões e rixas entre clãs consortes (isto é,
clãs a que pertenciam a consorte do imperador) e eunucos. A Rebelião do Turbante Amarelo, protagonizado pelos camponeses,
estalou em 184 e resultou
numa era de chefes guerreiros. No caos subseqüente, três Estados buscaram a
preeminência durante o chamado Período dos Três Reinos.
Dinastia Jin
Embora os três grupos tenham sido temporariamente unificados em 278 pela Dinastia Jin, os grupos
étnicos não-hans controlavam
boa parte do país no início do século IV e provocaram migrações de hans em grande escala para a margem sul do YangTzé. Em 303, o povo di
revoltou-se, capturou Chengdu e estabeleceu o Estado de Cheng Han. Os xiongnus, chefiados por Liu Yuan, rebelaram-se também e fundaram o Estado de Han
Zhao. Seu sucessor, Liu Cong, capturou e executou os dois últimos imperadores
jins ocidentais. O Período dos Dezesseis Reinos assistiu a uma pletora de
breves dinastias não-chinesas que, a partir de 303, governaram o norte da
China. Os grupos étnicos ali presentes incluíam os ancestrais dos turcos, mongóis e tibetanos. A maioria daqueles povos nômades, relativamente pouco numerosos, já havia sido achinesada muito antes de
sua ascensão ao poder. Na verdade, alguns deles, em especial os chiangs e os xiongnus,
já habitavam as regiões de fronteira no interior da Grande Muralha desde o final da Dinastia Han, com o consentimento desta.
Dinastia Sui: reunificação
A Dinastia Sui logrou reunificar o país em 581, após quase
quatro séculos de fragmentação política na qual o norte e o sul se
desenvolveram independentemente. Do mesmo modo que os soberanos qin haviam
unificado a China após o Período dos Reinos Combatentes, os suis uniram
o país e criaram diversas instituições que terminaram por ser adotadas por seus
sucessores, os tangs. Da mesma forma que os qins, porém, os suis sobrecarregaram seus
recursos e caíram.
Dinastia Tang: a volta da prosperidade
Em 18 de junho de 618, Gaozu tomou o poder e estabeleceu a
Dinastia Tang. Iniciou-se então uma era de prosperidade e inovações nas artes e na
tecnologia. O budismo, que se havia instalado gradualmente na China a partir do século I, tornou-se a religião predominante e foi adotada pela família imperial e pelo povo.
Os tangs, da mesma forma que os hans, mantiveram
abertas as rotas comerciais para o Ocidente e para o sul; diversos comerciantes estrangeiros fixaram-se na China.
A partir de cerca de 860, a Dinastia Tang começou a declinar, devido a uma série de rebeliões
internas e de revoltas de Estados clientes. Um chefe guerreiro, Huang Chao, capturou Guangzhou em 879 e executou
a maioria dos seus 200.000 habitantes. Em 880, Luoyang caiu-lhe nas mãos e, em 881, Changan. O Imperador Xizong fugiu para Chengdu e Huang estabeleceu um governo que, embora posteriormente destruído por
forças tangs, lançou o país num novo período de caos político.
Cinco dinastias e dez reinos
Ao interregno entre a Dinastia Tang e a Dinastia Sung, caracterizado pela fragmentação política, dá-se o nome de Período das Cinco Dinastias e dos Dez Reinos. Com duração de pouco mais de meio século, entre 907 e 960, esta fase
histórica viu a China tornar-se uma pluralidade de estados. Cinco regimes
sucederam-se rapidamente no controle do tradicional coração territorial do
país, no norte, enquanto que dez regimes mais estáveis ocupavam porções do sul
e do oeste da China.
Divisão política: os liaos, os sungs, os xias ocidentais, os jins
Em 960, a Dinastia Sung (960-1279) logrou controlar a maior parte da China e escolheu Kaifeng para sua capital, dando início a um período de prosperidade econômica,
enquanto que a Dinastia Liao dos khitans governava a Manchúria e a Mongólia. Em 1115, subiu ao poder a Dinastia Jin (1115-1234), dos
jurchens[46] e, em dez anos, aniquilou a Dinastia Liao. Tomou a China setentrional e
Kaifeng das mãos da Dinastia Sung, forçando-a a transferir sua capital para Hangzhou e a reconhecer os jins como soberanos. A China encontrava-se, então,
dividida entre a Dinastia Jin, ao norte, a Dinastia Sung Meridional, ao sul e
os xias ocidentais, a oeste. Os sungs meridionais passaram por um período de
grande desenvolvimento tecnológico, possivelmente devido, em parte, à pressão
militar que sofriam na sua fronteira setentrional.
Os mongóis e a Dinastia Yuan
O Império Jin foi derrotado pelos mongóis, que em seguida subjugaram os sungs meridionais ao cabo de uma guerra longa e cruenta, a primeira na qual as armas de fogo desempenharam um papel importante. Com isto, a China foi mais uma vez
unificada, mas agora como parte de um vasto Império Mongol. Neste período, Marco Polo visitou a corte imperial em Pequim. Os mongóis
dividiam-se então entre os que preferiam manter sua base nas estepes e aqueles
que desejavam adotar os costumes dos chineses hans. Um destes
era Cublai Cã, neto de Gêngis Cã e fundador da Dinastia Yuan, a primeira a governar toda a China a partir de Pequim.
Dinastia Ming: nova hegemonia dos hans
O forte sentimento popular hostil ao governo "estrangeiro"
levou a rebeliões camponesas que terminaram por repelir os mongóis de volta às estepes e a instituir a Dinastia Ming em 1368.
Durante o governo mongol, a população havia sido reduzida em 40 por cento, para um total estimado em 60
milhões de pessoas. Dois séculos depois, a população dobrara de tamanho, o que
deu causa a uma maior urbanização e à maior complexidade da divisão do
trabalho. Surgiram pequenas indústrias, dedicadas à produção de papel, seda, algodão e porcelana, em especial em grandes centros urbanos como Pequim e Nanquim. Prevaleciam, porém, as pequenas cidades com mercados que comerciavam
principalmente comida mas também alguns itens manufaturados, como alfinetes e azeite.
Apesar da xenofobia e da introspecção intelectual característica do neo-confucionismo, uma escola
crescentemente popular, a China do início da Dinastia Ming não se isolara. O comércio
exterior e outros contatos com o mundo
externo, em especial com o Japão, cresceram
bastante. Mercadores chineses exploraram todo o Oceano Índico e atingiram a África Oriental com as viagens de Zheng He.
Zhu Yuanzhang (ou
Hongwu), fundador da Dinastia Ming, lançou as bases de um Estado menos
interessado em comércio do que em extrair recursos do setor agrícola. Talvez devido ao passado camponês do imperador, o sistema econômico
ming enfatizava a agricultura, ao contrário do que fizeram as Dinastias Sung e Mongol, cujas finanças se baseavam no comércio. As grandes propriedades rurais
foram confiscadas pelo governo, divididas e arrendadas. Proibiu-se a escravidão privada, o que fez com que os camponeses com a posse da terra
predominassem na agricultura, após a morte do Imperador Yongle. Tais
políticas permitiram aliviar a pobreza causada pelos regimes anteriores.
A dinastia possuía um governo central forte e complexo que unificou o
império. O papel do imperador passou a ser mais autocrático, embora Zhu
Yuanzhang precisasse lançar mão dos chamados "Grandes Secretários"
para auxiliá-lo a lidar com a enorme burocracia, a qual mais tarde causaria o declínio da dinastia, por impedir o
governo de se adaptar às mudanças sociais.
O Imperador Yongle procurou ampliar a influência da China além de suas
fronteiras, ao exigir que outros governantes lhe enviassem embaixadores para
pagar tributo. Construiu-se uma grande marinha, inclusive navios de quatro
mastros com deslocamento de 1.500 t. Criou-se
um exército regular de um milhão de homens. As forças chinesas conquistaram
parte do que é hoje o Vietnã, enquanto que a frota imperial navegava pelos mares da China e o Oceano
Índico, chegando até a costa oriental da África. Os chineses estenderam sua
influência até o Turquestão. Diversas nações asiáticas pagaram tributo ao imperador. Internamente, o Grande Canal foi ampliado, com impacto positivo sobre o comércio. Produziam-se mais
de 100.000 t de ferro por ano. Imprimiam-se livros com o uso da tipografia. O palácio imperial da Cidade Proibida atingiu então ao seu atual esplendor. Enfim, o período ming parece ter
sido um dos mais prósperos para a China. Também foi naquela época que o
potencial do sul da China veio a ser totalmente explorado. O período ming
testemunhou a última ampliação da Grande Muralha da China.
Dinastia Qing
A Dinastia Qing (1644-1911) foi
fundada após a derrota dos mings, a última
dinastia han chinesa,
pelas mãos dos manchus. Estes, anteriormente conhecidos como jurchens, invadiram a
China a partir do norte no final do século XVII. Embora os manchus fossem conquistadores estrangeiros, adotaram
rapidamente as tradicionais regras de governo confucianas e terminaram por governar na mesma linha das dinastias nativas
anteriores.
Os manchus obrigaram os hans a adotar o seu estilo de penteado e de
vestimenta, sob pena de morte.
O Imperador Kangxi ordenou a criação do mais completo dicionário de caracteres
chineses até então. Durante o reinado
do Imperador Qianlong, compilou-se um catálogo das obras mais importantes sobre cultura
chinesa.
Para evitar uma assimilação completa pela sociedade chinesa, os manchus
estabeleceram um sistema de "oito estandartes" (ou
"bandeiras"), divisões administrativas - oriundas de tradições
militares manchus - nas quais as famílias manchus se distribuíam. Os manchus na
China empregavam a sua própria língua, mantinham suas tradições, como o tiro com arco e o hipismo, e detinham privilégios econômicos e legais nas cidades chinesas.
Ao longo do meio século seguinte, os manchus consolidaram o seu controle
sobre o território antes pertencente aos mings e ampliaram sua esfera de
influência para incluir Xinjiang, o Tibete e a Mongólia.
O século XIX testemunhou o enfraquecimento do governo qing, em meio a grandes
conflitos sociais, estagnação econômica e influência e ingerência ocidentais. O interesse britânico em continuar o comércio de ópio com a China
colidiu com éditos imperiais que baniam aquela droga viciante, o que levou à Primeira Guerra do Ópio, em 1840. O Reino Unido e outras potências ocidentais, inclusive os Estados Unidos, ocuparam "concessões" à força e ganharam privilégios
comerciais. Hong Kong foi cedida aos britânicos em 1842 pelo Tratado de
Nanquim. Também ocorreram naquele
século a Rebelião
Taiping (1851-1864) e o Levante dos
Boxers (1899-1901). Em muitos
aspectos, as rebeliões e os tratados que os qings se viram forçados a assinar com potências imperialistas são sintomáticos da incapacidade do governo chinês em reagir
adequadamente aos desafios que enfrentava a China no século XIX.
O declínio da monarquia
As duas Guerras do Ópio e o tráfico daquela droga foram custosos para a Dinastia Qing e o povo chinês. O tesouro imperial quebrou duas vezes, por conta do
pagamento de indenizações devidas às guerras e à grande evasão de prata causada
pelo tráfico de ópio. A China sofreu duas fomes extremas vinte anos após cada uma das
Guerras do Ópio nos anos 1860 e 1880, quando a Dinastia Qing se mostrou incapaz de acudir a população. Tais
eventos tiveram um profundo impacto ao desafiar a hegemonia de que os chineses
gozavam na Ásia há séculos
e mergulharam o país no caos.
Uma vasta revolta, a Rebelião
Taiping, fez com que cerca de
um-terço do país passasse ao controle de um movimento religioso pseudo-cristão
chefiado pelo "Rei Celestial" Hong Xiuquan. Somente ao cabo de catorze anos é que as forças qings lograram
destruir o movimento, em 1864. Estima-se que a rebelião teria causado entre vinte e cinqüenta milhões
de mortos.
Os líderes qing suspeitavam da modernidade e dos avanços sociais e
tecnológicos, que viam como ameaças ao seu controle absoluto sobre a China. Por
exemplo, a pólvora, que havia sido largamente empregada pelos exércitos das Dinastias Sung e Ming, fora proibida pelos qings ao assumirem o controle do país. Por este e
outros motivos, a dinastia encontrava-se despreparada para lidar com as
invasões ocidentais. As potências ocidentais intervieram militarmente para reprimir o caos
doméstico, como nos casos da Rebelião Taiping e do Levante dos
Boxers.
Nos anos 1860, a Dinastia Qing logrou sufocar revoltas, com enorme custo
e perda de vidas. Isto minou a credibilidade do regime qing e contribuiu para o
surgimento de senhores da guerra locais. O Imperador Guangxu procurou lidar com a necessidade de modernizar o país por meio do
Movimento de Auto-Fortalecimento. Entretanto, a partir de 1898, a
Imperatriz regente Cixi manteve Guangxu preso sob a alegação de "deficiência mental",
após um golpe militar por ela orquestrado com o apoio da facção conservadora, contrária às
reformas. Guangxu faleceu um dia antes da imperatriz regente (segundo alguns,
por ela envenenado). Os "novos exércitos" qings (treinados e
equipados conforme o modelo ocidental) foram fragorosamente derrotados na Guerra
Sino-Francesa (1883-1885) e na Guerra
Sino-Japonesa (1894-1895).
No início do século XX, o Levante dos Boxers, um movimento conservador anti-imperialista que pretendia fazer o país regressar a um estilo de vida tradicional,
ameaçou o norte da China. A imperatriz regente, provavelmente com o fito de
garantir o seu controle sobre o governo, apoiou os boxers quando estes
avançaram sobre Pequim. Em reação, a chamada Aliança dos Oito Estados invadiu a China.
Composta de tropas britânicas, japonesas, russas, italianas, alemãs, francesas, norte-americanas e austro-húngaras, a aliança derrotou os boxers e exigiu mais concessões do governo qing.
A República da China
Frustrados com a resistência da corte qing em reformar
o país e a fraqueza da China, jovens funcionários, oficiais militares e
estudantes - inspirados nas idéias revolucionárias de Sun Yat-sen - começaram a defender a derrubada da Dinastia Qing e a proclamação da república. Um levante militar, conhecido como Levante Wuchang, iniciou-se
em 10 de outubro de 1911 em Wuhan, e levou à
formação de um governo provisório da República da
China em Nanquim, em 12 de março de 1912. Sun
Yat-sen foi o primeiro a assumir a presidência, mas viu-se forçado a entregar o
poder a Yuan Shikai, que comandara o Novo Exército (tropas chinesas treinadas e equipadas à
maneira ocidental) e fora primeiro-ministro durante a era qing, como parte do
acordo para a abdicação do último monarca da dinastia. Nos anos seguintes,
Shikai aboliu as assembléias nacional e Provinciais e declarou-se imperador em 1915. Suas
ambições imperiais encontraram forte oposição por parte de seus subordinados,
de modo que terminou por abdicar, morrendo em 1916 e deixando
um vácuo de poder na China. Com o governo republicano em frangalhos, o país
passou a ser administrado por coligações variáveis de chefes militares
provinciais.
Um evento pouco notado, ocorrido em 1919 - o Movimento do Quatro de Maio -, haveria
de ter repercussões a longo prazo para o restante da história da China no século XX. O movimento teve início como uma resposta ao que teria sido um insulto
imposto à China pelo Tratado de
Versalhes, que encerrara a Primeira Guerra Mundial, mas
tornou-se um movimento de protesto contra a situação interna do país. Entre os
intelectuais chineses, a adoção de idéias mais radicais seguiu-se ao descrédito
da filosofia liberal ocidental, o que resultaria no conflito irreconciliável entre a esquerda e a direita na China que dominaria a história do país pelo restante do século.
Nos anos 1920, Sun Yat-sen estabeleceu uma base revolucionária no sul da China e
lançou-se à unificação de seu fragmentado país. Com auxílio soviético, ele aliou-se ao Partido Comunista da China (PCC). Após
a sua morte em 1925, um de seus
protegidos, Chiang
Kai-shek, assumiu o controle do Kuomintang (Partido Nacionalista, ou KMT) e logrou reunir sob seu governo a maior
parte do sul e do centro da China numa campanha militar conhecida como a
Expedição do Norte. Após derrotar os chefes guerreiros daquelas regiões, Chiang
obteve a fidelidade nominal dos líderes do norte. Em 1927, voltou-se
contra o PCC e expulsou os exércitos comunistas e seus chefes de suas bases no sul e no leste da China. Em 1934, as tropas
do PCC empreenderam a Longa Marcha, através da região mais inóspita da China a noroeste, onde
estabeleceram uma base guerrilheira em Yan'an, na
província de Shanxi.
Durante a Longa Marcha, os comunistas reorganizaram-se sob um novo
chefe, Mao Tse-tung. O conflito entre o KMT e o PCC continuou, aberta ou clandestinamente,
ao longo dos catorze anos da invasão japonesa, apesar da aliança nominal entre ambos os partidos para opor-se aos
japoneses em 1937. A guerra civil
chinesa continuou após a derrota do
Japão na Segunda Guerra Mundial em 1945. Em 1949, o PCC já
ocupava a maior parte do país.
Chiang Kai-shek refugiou-se, com o resto de seu governo, em Taiwan, onde
declarou Taipé a capital
provisória da República da
China e afirmou seu propósito de
reconquistar a China continental.
A China do presente
Com a proclamação da República Popular da China (RPC) em 1 de outubro de 1949, o país
viu-se novamente dividido entre a RPC, no continente, e a República da
China (RC), em Taiwan e outras
ilhas. Cada uma das partes se considera o único governo legítimo da China e
denuncia o outro como ilegítimo. Desde os anos 1990, a RC tem procurado obter maior reconhecimento internacional, enquanto
que a RPC se opõe veementemente a qualquer envolvimento internacional e insiste
na "Política de
uma China".
Politicamente, o governo deixou de ser heterodoxamente comunista após a
morte de Mao Zedong em 1976, apesar do Partido Comunista continuar no poder. Deng Xiaoping, mesmo não sendo o presidente de direito, foi de fato quem comandou a
China durante a década de 1980. Em 1991 Jiang Zemin assumiu a presidência do país, governando até 2003, quando entregou o
poder ao seu sucessor, Hu Jintao.[47]

Comentários
Postar um comentário
Este espaço é seu! Deixe aqui suas observações e perguntas, logo que puder, responderei a todos!
Divirtam-se!!!