História da Grécia
A História da Grécia
tradicionalmente compreende o estudo dos gregos, as áreas por eles governadas e o território da
atual Grécia.
O âmbito da habitação e
governo do povo grego sofreu várias mudanças através dos anos e, como
consequência, a história da Grécia reflete essa elasticidade. Cada era, cada
período, tem suas próprias esferas de interesse.
Os primeiros gregos chegaram à
Europa pouco antes de 1500 a.C., e durante seu apogeu, a civilização grega
governara tudo o que se incluía entre a Grécia, o Egito
e o Hindu Kush. Os gregos estabeleceram
tradições de justiça e liberdade individual, que viriam a se estabelecer como
as bases da democracia contemporânea. A sua arte,
filosofia e ciência tornaram-se fundamentos do pensamento e da cultura ocidentais. Os gregos
da antiguidade chamavam a si próprios de helenos (todos que falavam grego, mesmo que
não vivessem na Grécia), e davam o nome de Hélade a sua terra. Os que
não falavam grego eram chamados de bárbaros. Durante a antiguidade, nunca
chegaram a formar um governo nacional, ainda que estivessem unidos pela mesma cultura, religião e língua.
Do passado remoto grego até o
mundo atual, grande parte das minoridades gregas permaneceram em seus
territórios gregos anteriores (Turquia, Itália, Líbia, Levante), e os emigrantes gregos assimilaram-se a diferentes
sociedades por todo o globo (América do Norte,
Austrália, norte da Europa, África do Sul e outros). Atualmente,
contudo, a maioria dos gregos vive nos Estados da Grécia contemporânea
(independente desde 1821) e do Chipre (independente desde 1960).
Civilização
do Egeu: Grécia pré-histórica
A primeira civilização a
aparecer na Grécia foi a civilização minóica
(ou minoana, ou mínia) no mar Egeu. Essa cultura tomou lugar
aproximadamente entre 2600 a.C. e 1450 a.C. Comparativamente a períodos mais recentes da história grega, pouco se
sabe a respeito dos minoanos, de quem até mesmo o nome é um termo moderno,
provindo de Minos, lendário rei
de Creta. Aparentemente eram um povo pré-Indo-Europeu.
Sua língua, conhecida como Eteocretense
e desprovida de relação com o idioma grego, é provavelmente o que se vê no
sistema de escrita denominado Linear A, encontrado
na ilha, mas que ainda não se conseguiu decifrar.
Os minóicos eram um povo
principalmente mercante, engajados no comércio marítimo, isto é, eram de
cultura talassocrática.
Características da vida religiosa minóica incluem principalmente o simbolismo,
a ausência de templos e a proeminência de divindades femininas.
Apesar das causas da queda
desse povo serem incertas, é sabido que terminaram por serem invadidos pelos micênicos, um povo da Grécia continental.
Período
micênico (Idade do Bronze)
A Grécia Micênica, também
conhecida como "Grécia da Idade do Bronze", é o nome dado à
civilização da Idade do Bronze
do período Heládico
Antigo (este último, geralmente estabelecido como o intervalo
2.500-1.900 a.C.). A cultura grega desse período durou desde a chegada dos
gregos ao Egeu, por volta de 1.600 a.C. até o colapso
de sua civilização da Idade do Bronze por volta de 1.100 a.C.. É a esse período
que refere-se o trabalho épico de Homero, bem como muito
da mitologia grega.
O período Micênico teve seu nome adotado a partir do sítio arqueológico de Micenas, cidade situada no nordeste da Argólida, uma região do Peloponeso (enorme península no sul da
Grécia). Atenas, Pilos, Tebas e Tirinto também são importantes sítios arqueológicos do período micênico grego.
A civilização micênica era
dominada por uma aristocracia
guerreira. Por volta de 1.400 a.C. os micênios estenderam seu
controle a Creta, o centro da civilização Minóica
(cf. item anterior, Civilização do Egeu), e adotaram uma forma da
escrita minóica para que pudessem registrar sua primitiva variante da língua
grega. Ao novo sistema de grafia (símbolos minóicos representando a nova língua
grega), o sistema de escrita micênico, se convencionou chamar de Linear B.
Os micênicos enterravam seus
nobres em θόλοι (thóloi, singular thólos;
literalmente "cúpula" ou "em forma de cúpula"), grandes
câmaras de sepultamento circular com um alto teto abobadado e uma passagem de
entrada aberta em forma retangular, alinhada com as pedras das quais era feito
o sepulcro. Márgio
Giordani define um exemplo clássico de tholos como sendo
"a tumba encontrada em Micenas e conhecida como Tesouro de Atreu."[1] Era comum enterrarem adagas ou qualquer outro equipamento militar com o
falecido. A aristocracia era frequentemente enterrada com máscaras de ouro,
tiaras, armaduras e armas incrustadas de jóias. Os micênios eram enterrados na
posição sentada, e alguns indivíduos da aristocracia foram mumificados.
Por volta de 1.100 a.C. a civilização micênica entrou em
festa pois a vida estava ótima e muito calma. Várias cidades foram saqueadas e
a região entrou no que os historiadores denominam Idade
das Trevas. Durante esse período, a Grécia viveu um declínio tanto populacional como literário. Os próprios gregos costumavam
atribuir a causa desse declínio à invasão duma nova vaga de gregos, os Dórios. Todavia, as evidências arqueológicas que poderiam comprovar esse
ponto de vista são escassas.
Idade das
Trevas
A Idade das Trevas na Grécia
(c. 1200 a.C.-800 a.C.) refere-se ao período da pré-história grega começando com a presumida invasão dórica, ocasionando o fim da
civilização micênica no século XI a.C., e terminando na ascensão
das primeiras cidades-estados gregas no século IX a.C., com os poemas épicos de Homero e com as
primeiras instâncias da escrita alfabética grega
no século VIII
a.C..
O colapso dos micênicos
coincidiu com a queda de vários outros grandes impérios no Oriente Próximo, especialmente o império hitita e o egípcio. O motivo pode ser atribuído a uma
invasão da população talassocrática de posse de armas de ferro. Quando os
dórios apareceram na Grécia, também eles estavam equipados com armas de ferro
de qualidade superior, facilmente dando cabo dos já fracos micênicos. O período
que se seguiu a esses acontecimentos é chamado de Idade das Trevas na Grécia ou
Idade das Trevas Grega.
A arqueologia mostra que a civilização do mundo grego sofreu um colapso nesse
período. Os grandes palácios e cidades dos micênicos foram destruídos ou
abandonados. A língua grega
deixou de ser escrita. A arte cerâmica da Grécia durante a idade das trevas
mostra desenhos geométricos simplistas, desprovida da rica decoração figurativa
dos produtos micênicos. Os gregos do período da idade das trevas viviam em
habitações menores e mais esparsas, o que sugere a fome, escassez de alimentos
e uma queda populacional. Não foram encontrados em sítios arqueológicos nenhum
artigo importado, mostrando que o comércio internacional era mínimo. O contato
entre poderes do mundo exterior também foi perdido durante essa época,
resultando num progresso cultural vagaroso, bem como uma atrofia em qualquer
tipo de crescimento.
Os reis desse período
mantiveram sua forma de governo até que foram substituídos por uma
aristocracia. Mais tarde, nalgumas áreas, essa aristocracia foi substituída por
um setor aristocrático dentro de si próprio - a elite da elite. As técnicas
militares de guerra tiveram seu foco mudado da cavalaria para a infantaria, e
devido ao barato custo de produção e de sua disponibilização local, o ferro
substituiu o bronze como metal, sendo usado na manufatura de ferramentas e
armas. Lentamente a igualidade cresceu entre os diferentes estratos sociais,
resultando na usurpação de vários reis e na ascensão da família
(γένος, genos).
As famílias (γένοι, génoi)
começaram a reconstruir seu passado, na tentativa de traçar suas linhagens a
heróis da Guerra de Tróia,
e ainda mais além - principalmente a Hércules. Enquanto a maior parte daquelas histórias
eram apenas lendas, algumas foram separadas por poetas da escola de Hesíodo. Alguns desses "contadores de
histórias", como eram chamados, incluíam Hecateu de Mileto e Acusilau
de Argos, mas a maioria desses poemas foram
perdidos.
Acredita-se que os poemas
épicos de Homero contêm um certo montante de tradição preservada oralmente
durante o período da Idade das Trevas. A validade histórica dos escritos de
Homero têm sido disputada vigorosamente (cf. a "questão homérica").
Ao fim desse período de
estagnação (uma das principais características da Idade das Trevas) a
civilização grega foi tomada por um período de renascença que se espalhou pelo
mundo grego chegando até o mar Negro e a península Ibérica.
A escrita foi reintroduzida pelos fenícios, retomada e modificada pelos
gregos e, depois, pelos romanos e pelos gauleses.
Período
arcaico
O período arcaico vai do século XII ao VIII a.C. Geralmente chama-se "Grécia Antiga" a todo o período da
história grega anterior ao Império Romano, enquanto "Grécia
Arcaica", termo usado pelos historiadores, refere-se especificamente a um
dos períodos da antiguidade grega.
Alguns escritores incluem as
eras das civilizações minóica e micênica no período arcaico grego, enquanto
outros defendem a tese de que essas civilizações eram tão diferentes das
culturas gregas posteriores que deveriam ser classificadas separadamente.
Tradicionalmente convencionou-se afirmar que o período arcaico grego teve
início com a data dos primeiros Jogos Olímpicos em 776 a.C., mas a maioria dos historiadores atualmente retrocedem esse intervalo
até o ano de 1.000 a.C.
aproximadamente. A data tradicional para o fim desse período é a morte de Alexandre, o Grande
em 323 a.C., que marcou o início do período classificado como Helenístico.
Todavia, nem todos observam essa regra de distinção entre a Grécia Arcaica e a
Helenística: alguns escritores preferem considerar a civilização grega antiga
como um continuum estendendo-se até o advento do Cristianismo no século III d.C..
A Grécia arcaica é considerada
pela maioria dos historiadores como uma cultura que representou o fundamento da
civilização ocidental. A cultura grega foi
uma influência poderosa no Império Romano, que levou a muitas partes da Europa uma versão dessa cultura. A civilização da Grécia
arcaica foi de influência pujante no mundo moderno, em diversos aspectos
culturais, como língua, política, educação e escolaridade, filosofia, arte e arquitetura, principalmente durante a Renascença na Europa Ocidental, e,
novamente, durante vários revivals néo-Clássicos no séculos XVIII e XIX d.C. tanto
na Europa como nas Américas.
A unidade política básica na
Grécia arcaica era a pólis (πόλις), geralmente
traduzida como cidade-estado. A
própria palavra "política" (em grego, τα πολιτικά, assuntos
públicos ou assuntos do Estado[2]) significa "assuntos da
pólis". Cada cidade era independente, ao menos em teoria. Algumas cidades
poderiam ser subordinadas a outras (como uma colônia tradicionalmente acedendo
à sua cidade-mãe), outras poderiam adotar formas de governo inteiramente dependentes
de outras cidades (os Trinta Tiranos
de Atenas foram
impostos por Esparta ao fim da Guerra do
Peloponeso), mas o título de poder supremo de cada cidade
encontrava-se nelas próprias. Isso significa que quando a Grécia entrava em
guerra (p.ex., contra o Império Persa), era como se uma aliança
entrasse em guerra. Tal característica, por outro lado, também deu ampla
oportunidade para guerras dentro da própria Grécia, entre cidades diferentes.
A maioria dos nomes gregos
conhecidos de leitores de mundo atual vem dessa época. Entre os poetas, Homero, Hesíodo, Píndaro, Ésquilo, Sófocles, Eurípedes, Aristófanes e Safo eram
ativos. Políticos famosos incluem Temístocles, Péricles, Lisandro, Epaminondas, Alcebíades, Felipe II da Macedônia e seu filho
Alexandre, o Grande.
Ainda neste período, Sócrates, Platão e Aristóteles deixaram seu legado, bem como Heráclito de Éfeso,
Parmênides, Demócrito, Heródoto, Tucídides e Xenofonte. Quase todo o conhecimento e estudo matemático formalizado em Os Elementos de Euclides, publicado no período Helenístico, foi desenvolvido durante a era
arcaica.
Duas guerras de
importância-mor marcaram o mundo grego antigo: as Guerras Médicas e a Guerra do
Peloponeso. As Guerras Médicas
(500-448 a.C.) são contadas em "Histórias"
de Heródoto. As cidades gregas jônicas revoltaram-se contra o Império Persa e foram apoiadas por algumas cidades do
continente, por fim sendo lideradas por Atenas (as
batalhas mais memoráveis dessa guerra incluem a Batalha de Maratona,
a Batalha das
Termópilas, a Batalha de Salamina
e a Batalha de Platéia).
Em função de levar a cabo a
guerra - e, subsequentemente, de defender a Grécia de ataques posteriores por
parte dos Persas - Atenas fundou a Liga, ou Confederação
de Delos em 477 a.C.. Inicialmente cada cidade da confederação contribuiria com soldados e
navios a um exército grego comum, mas, com o passar do tempo, Atenas permitiu
(e, depois, obrigou) cidades menores a contribuir com capital em vez de
construir navios. Qualquer revolução com o intuito de deixar ou modificar a
confederação seria punida. Após os conflitos com os persas, o tesouro terminou
por ser transferido de Delos para Atenas, o que
resultou no fortalecimento dessa cidade sobre o controle da confederação. A
Liga de Delos terminou sendo referida pejorativamente como "o Império
Ateniense".
Em 458 a.C., mesmo enquanto as
Guerras Médicas ainda tomavam lugar, irrompeu-se a guerra entre a Confederação
de Delos e a Confederação
do Peloponeso, que compreendia Esparta e seus aliados. Depois de
batalhas inconclusivas, os dois lados assinaram um tratado de paz em 447 a.C..
Estipulara-se que o tratado
deveria durar trinta anos, mas, em vez disso, sobreviveu apenas até 431 a.C., quando estourou a temível Guerra
do Peloponeso, que mudaria para sempre o mundo grego. As fontes principais
acerca do ocorrido nessa famosa guerra são a "História
da Guerra do Peloponeso" de Tucídides e a "Helênica"
de Xenofonte.
Tucídides relata que uma das
causas primeiras da guerra foi a disputa entre Córcira e Epidamno.
Essa última era uma cidade de estatura menor, que o próprio Tucídides considera
necessário informar o leitor acerca de onde se localiza. Corinto, que também reclamava controle
sobre a cidade (Epidamno), interveio na disputa, tomando o lado dos
epidamnenses. Receosa de que Corinto pudesse capturar a marinha corciréia (que,
em tamanho, ficava atrás somente da ateniense), Córcira buscou a ajuda de
Atenas, que terminou por intervir, impedindo Corinto de desembarcar na Córcira
durante a Batalha
de Sibota, sitiando Potidéia
e proibindo todo e qualquer comércio de Corinto com Mégara, sua mais próxima aliada (cf. decreto
megárico).
Houve desacordo entre os
gregos quanto a que partido teria violado o tratado entre as confederações de
Delos e do Peloponeso, devido a fato de Atenas estar defendendo uma aliada (que
o próprio tratado de paz permitia). Os coríntios pediram ajuda a Esparta. Com
receio do poder crescente de Atenas, e observando como os atenienses estavam
dispostos a usar-se desse poder para subjugar os megáricos (o embargo ateniense
do decreto megárico teria arruinado o estado), Esparta finalmente declarara que
o tratado de paz havia sido violado, dando início à Guerra do Peloponeso.
A primeira fase da guerra
(conhecida "Guerra
dos Dez Anos" ou, menos frequentemente, como "Guerra de Arquidamo",
devido ao rei espartano Arquidamo
II) estendeu-se até 421 a.C., quando
tomou lugar o Tratado
de paz de Nícias. O general e líder ateniense Péricles afirmava que
sua cidade lutava uma guerra defensiva, evitando a batalha contra as forças
terrestres de força superior dos espartanos, importando todo o necessário
através da poderosa marinha ateniense: o plano era simplesmente resistir por
mais tempo do que Esparta podia lutar - os espartanos temiam ausentar-se de sua
cidade por muito tempo devido às revoltas suscitadas pelos hilotas. Para que essa estratégia
funcionasse, Atenas teve que aguentar sítios regulares, até que em 430 a.C. a cidade sofreu com o aparecimento
duma praga
terrível, que terminou por dizimar aproximadamente um quarto de sua população,
incluindo o próprio Péricles.
Com a ausência de Péricles no
governo e na liderança militar, elementos menos conservadores ganharam poder e
Atenas partiu para a ofensiva. A cidade capturou cerca de 300 a 400 hoplitas espartanos na Batalha
de Pilos. Essa quantia representava uma fração significante da força
ofensiva espartana, que terminou por decidir que não poderiam se dar ao luxo de
perder. Enquanto isso, Atenas havia sofrido derrotas humilhantes em Decélia
e em Anfípolis.
O Tratado de Nícias foi concluído com a recuperação espartana de seus reféns e
a recuperação ateniense da cidade de Anfípolis. Atenas e Esparta assinaram o
Tratado de Nícias em 421 a.C., prometendo mantê-lo por cinquenta anos.
A segunda fase da Guerra do
Peloponeso teve início em 415 a.C., quando
Atenas embarcou na Expedição
à Sicília (415-413 a.C.) para apoiar Segesta, cidade que pedira a ajuda
ateniense ao ser atacada por Selinonte,
líder da cidade de Siracusa, que tentava
obter a hegemonia sobre a Sicília. Inicialmente, Esparta estava disposta a não
ajudar sua aliada siracusana, da mesma forma que Nícias pedira a Atenas para não se
intrometer no assunto, uma vez que o tratado de paz ainda estava de pé. Porém, Alcibíades, general ateniense de grande
influência entre os jovens da época, terminou por convencer os atenienses a
intervir no conflito, resultando na inflamação de Esparta, que o acusou de atos
ímpios incrivelmente grosseiros e terminou por tomar parte, ela também, no conflito,
uma vez que não poderia permitir que Atenas subjugasse Siracusa (isso
acarretaria no domínio ateniense sobre o mercado ocidental de cereais, além de
abrir caminho para a Etrúria[3]). A campanha terminou sendo um
completo desastre, e provavelmente a maior derrota sofrida pelos atenienses até
então, com Nícias morto e Alcibíades desertando Atenas e juntando forças com
Esparta.
Com o apoio do novo general
espartano Alcibíades, as possessões jônicas de Atenas rebelam-se. Em 411 a.C., por meio duma revolução oligárquica em Atenas, chegou a entrever-se
paz, mas a marinha ateniense, que permanecia fiel ao sistema democrático de
governo, recusou-se a aceitar a mudança e continuou lutando em nome de Atenas.
Alcibíades, que desejava voltar a Atenas, planejava aliar-se aos persas para
derrotar os espartanos, mas, como não havia meios, e, mais tarde, devido à
suposta tentativa de seduzir a mulher do rei Ágis II, rei espartano, terminou deixando
Esparta, dirigindo-se às forças atenienses estacionadas em Samos,
onde foi acolhido como general. A oligarquia em Atenas terminou por ruir e
Alcibíades entrou em marcha para reconquistar o que havia sido perdido.
Em 407 a.C., contudo, Alcibíades seria substituído devido a uma derrota naval na Batalha
de Nótio. O general espartano Lisandro, fortalecendo o poder naval de sua
cidade, conquistou vitória atrás de vitória. Depois da Batalha
de Arginusa, nas ilhas Arginusas, cuja vitória pertenceu aos
atenienses, mas que, devido ao mau tempo, teve suas tropas navais impedidas de
resgatar alguns de seus náufragos e feridos, Atenas cometeu o erro de executar
e ostracizar oito de seus melhores
comandantes. Lisandro obteve uma vitória esmagadora na Batalha
de Egos Potamós (Rio das Cabras) em 405 a.C., que virtualmente destruiu a frota
ateniense. Atenas terminou por render-se um ano depois, finalmente colocando um
fim à Guerra do Peloponeso.
A guerra deixou um rastro de
devastação. Descontentes com a hegemonia espartana que se seguiu (incluindo o
fato de que Esparta havia cedido a Jônia e o Chipre ao Império Persa com o fim da Guerra
Corintiana (395-387 a.C.); cf. Tratado
de Antalcidas), Tebas resolveu atacar. Seu general, Epaminondas, esmagou Esparta na Batalha de Leuctra
em 371 a.C., inaugurando o breve período do dominação tebana na Grécia. Em 346 a.C., incapaz de prevalecer em seu
conflito com a Fócida, que já durava dez anos, Tebas pediu auxílio a Filipe II da
Macedônia, o que resultou no rápido domínio macedônico
sobre grande parte da Grécia, que estava enfraquecida depois de 27 anos de luta
entre si. A unidade política básica daquele momento em diante foi o império, que terminou por dar início ao período helenístico
grego.
Período
helenístico
O período helenístico da
história grega começa com a morte de Alexandre
em 323 a.C. e termina com a anexação da
península e ilhas gregas por Roma em 146 a.C.. Apesar do fato de que o
estabelecimento do governo romano não quebrou a continuidade da sociedade e
cultura helenísticas - que permaneceram essencialmente as mesmas até o advento
do Cristianismo -, ele marcou, contudo, o
final da independência política grega.
Durante o período helenístico,
a importância da Grécia "em si" (ou seja, o território representado
pela Grécia atual) dentro do mundo grecófono delinou nitidamente. Os grandes
centros de cultura helenística eram Alexandria e Antioquia, capitais do Egito ptolemaico e da Síria selêucida
respectivamente. Outros centros importantes eram Esmirna, Selêucida do
Tigre, Éfeso e Pérgamo, todas fora da Grécia continental (cf. Civilização
Helenística para a história da civilização grega fora da Grécia
durante esse período.)
Atenas e suas aliadas (todas
as populações da Grécia Central e do Peloponeso, com exceção de Esparta), ao
receberam notícia da morte de Alexandre, revoltaram-se contra a Macedônia, mas foram derrotadas dentro de
um ano, na Guerra
Lamíaca. Enquanto isso, uma contenda pelo poder deixado por
Alexandre irrompeu entre seus generais, resultando no desmembramento de seu
império e no estabelecimento dum número de novos reinos (cf. Diádocos). Ptolomeu ficou com o Egito, Seleuco com o Levante,
a Mesopotâmia e algumas cidades a leste. O
controle da Grécia, Trácia e Anatólia foi contestado, mas por volta de 298 a.C. a dinastia dos Antigônidas suplantara
a antipátrida.
O controle macedônio das
cidades-estados gregas foi intermitente, com o aparecimento de revoltas. Atenas, Rodes, Pérgamo e
outros estados gregos mantiveram uma independência substancial, juntando-se à Confederação
da Etólia (ou "Liga da Etólia") com a intenção de defender
essa independência. A Confederação da Acaia (ou "Liga da Acaia") ainda que
teoricamente sujeita à dinastia ptolemaica
(também chamada de dinastia dos Lágidas),
agia, de fato, independentemente, controlando a maioria do sul da Grécia. Esparta também continuou independente, mas
recusou-se a fazer parte de confederações.
Em 267 a.C., Ptolomeu II persuadiu as cidades gregas a revoltarem-se contra a Macedônia,
resultando na Guerra
de Cremônides, assim chamada devido ao líder ateniense Cremônides.
As cidades gregas foram derrotadas e Atenas perdeu sua independência, bem como
suas instituições democráticas. Isso marcou o fim de Atenas como agente
política, ainda que continuasse sendo a maior, mais rica e mais cultivada
cidade da Grécia. Em 255 a.C., a
Macedônia derrotou a frota egípcia em Cós
e estendeu seu domínio à todas as ilhas do Egeu, com exceção de Rodes.
Esparta continuou hostil aos Aqueus, e em 227 a.C. terminou por invadir a Acaia,
ganhando o controle da Confederação. Os aqueus restantes preferiram
distanciar-se da Macedônia e aliar-se a Esparta. Em 222 a.C., o exército macedônio derrotou os
espartanos e anexou a cidade - era a primeira vez que Esparta era ocupada por
um poder estrangeiro.
Filipe V da
Macedônia foi o último governante grego
a dispor tanto de talento como de oportunidade para unir a Grécia e preservar
sua independência contra o poder de Roma, mas morreu com um machucado que não
parava de crescer. Sob seus auspícios, a Paz
de Naupacte (217 a.C.) Nesse momento ele possuía o controle de toda a Grécia, excetuando-se
Atenas, Rodes e Pérgamo.
Em 215 a.C., contudo, Filipe forjara uma aliança com o inimigo romano, Cartago. Imediatamente, Roma seduziu as
cidades aqueias, fazendo com que abandonassem a
antiga lealdade a Filipe, e fez alianças com Rodes e Pérgamo - esse último, o
maior poder da Ásia Menor. A Primeira
Guerra Macedônica eclodiu em 212 a.C., terminando inconclusivamente em 205 a.C.. A Macedônia, contudo, havia sido
marcada como inimigo de Roma.
Em 202 a.C., Roma derrotou Cartago, ficando livre para dar atenção ao
oriente. Em 198 a.C. estourou a Segunda
Guerra Macedônica - por razões ainda obscuras, mas basicamente
porque Roma via a Macedônia como um aliado em potencial dos Selêucidas, o maior
poder do oriente. Os aliados de Filipe na Grécia deserdaram-no, e em 197 a.C. ele foi finalmente derrotado na Batalha de
Cinoscéfalos pelo cônsul romano Titus Quinctius Flaminius.
Para a sorte dos gregos,
Flaminius era um homem de moderação e um confesso admirador da cultura grega,
além de conhecer e falar o idioma - razão pela qual, na verdade, muitos dos
aliados de Filipe haviam se aliado a Flaminius. Filipe teve que capitular sua
frota e tornar-se um aliado romano, de forma que foi poupado. Durante os Jogos Ístmicos, realizados no istmo de Corinto em 196 a.C., Flaminius declarou, em meio ao entusiasmo geral, a independência das
cidades gregas, tornando-as livres, apesar de guarnições romanas ainda se
encontrarem em Corinto e na Calcídica. A liberdade prometida por Roma,
contudo, era uma ilusão. Todas as cidades, exceto Rodes, faziam parte duma nova
Confederação controlada pela própria Roma, e a democracia foi substituída por
regimes aristocráticos aliados a Roma. A partir deste momento, rei Estefen
Genaro passou a dominar a Grécia.
Domínio
romano
Militarmente a Grécia havia
entrado num declínio tal que os romanos
conquistaram todo o seu território (168 a.C. em diante) - ainda que a cultura
grega, em contrapartida, houvesse conquistado os romanos.
Apesar do início do governo
romano sobre a Grécia ser datado convencionalmente com o saque de Corinto por Lúcio Múmio em 146 a.C., a Macedônia
já havia caído sob o controle romano com a derrota de seu rei, Perseu, por Aemilius Paullus
na cidade de Pidna
em 168 a.C. Os romanos dividiram a região em quatro repúblicas menores, e em 146 a.C., a
Macedônia se tornou oficialmente uma província romana, fazendo de Tessalônica sua capital. O restante das
cidades-estados gregas gradualmente, e por fim, prestaram homenagem a Roma,
finalmente enterrando sua autonomia de jure. Os romanos deixaram a
administração local ao encargo dos gregos sem nem tentar abolir o padrão de
política tradicional. A ágora em Atenas continuou a ser o centro da vida civil e
cultural.
O édito de Caracala em 212 d.C., chamado de Constitutio
Antoniniana, concedia a cidadania romana a pessoas nascidas fora da Itália
a todos os adultos do sexo masculino em todo o Império Romano, de forma que populações
provinciais tiveram seu status igualado ao da própria cidade de Roma.
A importância desse decreto é histórica, mais que política: ele serviu de base
para a integração onde os mecanismos econômicos e judiciais do estado poderiam
ser aplicados através de todo o Mediterrâneo
da mesma forma como houvera sido com o Lácio em toda a península Itálica.
Na prática, naturalmente, a integração não ocorreu de maneira uniforme. As
sociedades já integradas a Roma, como a Grécia, foram favorecidas pelo edito,
comparadas às sociedades mais distante, às muito pobres ou às que simplesmente
eram muito diferentes, como a Britânia,
a Dácia e a Germânia.
O édito de Caracala não
colocou em movimento o processo que levou à transferência de poder da Itália e
do ocidente à Grécia e ao oriente, mas sim, acelerou-o, estabelecendo a base
para a ascensão da Grécia como poder maior na Europa e no Mediterrâneo durante a Idade Média.
Idade Média
A história do Império
Bizantino é descrita pelo acadêmico August
Heisenberg como a história "do Estado romano da nação grega que
tornou-se cristão." A divisão do império em ocidente e oriente e o
subsequente colapso do Império
Romano do Ocidente foram desenvolvimentos que acentuaram
constantemente a posição dos gregos no império e terminaram permitindo que fossem
identificados com ele de forma completa. O papel principal de Constantinopla começou quando Constantino, o
Grande transformou Bizâncio na nova capital do Império Romano, cujo nome veio a ser mudado
para Constantinopla. A cidade, localizada no coração do helenismo, tornou-se um
ponto de referência para os gregos até a era moderna.
Os imperadores Constantino e Justiniano exerceram seu domínio sobre Roma
durante o período de 324 a 610. Assimilando a tradição romana, os imperadores
buscavam prover a base para subsequente melhorias e para a formação do Império
Bizantino. Esforços para salvaguardar as fronteiras do império e para restaurar
os territórios romanos marcaram os primeiros séculos. Ao mesmo tempo, a
formação definitiva e o estabelecimento da doutrina ortodoxa, bem como uma série de conflitos
resultantes de heresias desenvolvidas nas fronteiras do império, marcaram o
período inicial da história bizantina.
No primeiro período da metade
da era bizantina (610-867) o império foi atacado tanto por antigos inimigos (persas, lombardos, ávaros e eslavos) como por novas parestas que apareciam pela primeira vez na história (árabes, búlgaros). A principal característica desse período consiste no fato de que os
ataques inimigos não se resumiam às áreas fronteiriças do estado, mas
estendiam-se muito além, chegando a ameaçar a própria capital. Ao mesmo tempo,
tais ataques perdiam seu caráter periódico e temporário, transformando-se em
instalações permanentes que se tornavam novos estados - claro, hostis a
Bizâncio. Mudanças também podiam ser observadas na estrutura interna do
império, ditadas por condições tanto externas como internas. A predominância
dos pequenos agricultores livres, a expansão dos estados militares e o
desenvolvimento do sistema de temas deram o toque final
ao processo evolutivo que começara no período anterior. Mais mudanças também
podiam ser vistas no setor administrativo: a administração e a sociedade tinham
se tornado gregas de forma imiscível, enquanto o processo de restauração da
ortodoxia após o movimento iconoclástico
permitiu com sucesso a retomada de ações missionárias entre os povos vizinhos e
seus posicionamentos na esfera de influência cultural bizantina. Durante esse
período o Estado foi geograficamente reduzido e economicamente prejudicado, uma
vez que haviam perdido regiões produtoras de riquezas; o Estado obteve,
contudo, uma homogeneidade linguística, dogmática e cultural muito maior.
O ano de 1204
marca o início do período bizantino tardio, quando teve lugar o acontecimento
de maior importância para o Império. Constantinopla foi perdida pelos gregos
pela primeira vez, e o império houvera sido conquistado por cruzados do mundo latino,
sendo substituído por um novo império onde o latim
seria a língua do governo, período que perdurou por 57 anos. Além disso, o
período de ocupação latina influenciou de forma definitiva os desenvolvimentos
internos do império, uma vez que elemento feudais começaram a fazer parte do
modo de vida bizantino.
Em 1261, o império grego
encontrava-se dividido entre os membros da antiga dinastia comnena
greco-bizantina (Épiro) e entre a dinastia Paleólogos (a última dinastia até a queda
de Constantinopla). Após o enfraquecimento gradual das estruturas do estado
grego bizantino e a redução de seu território devido às invasões dos turcos, o Império Bizantino Grego veio
finalmente ao fim nas mãos dos otomanos, em 1453,
data considerada como o fim do perído bizantino.
É importante notar que o termo
"bizantino" é uma idéia contemporânea, convencionado por
historiadores. O povo da época costumava chamar o império do século XX em diante simplesmente como
"Império Grego", bem como "Império Romeo-Grego" antes
disso. Por esta razão, os gregos às vezes chamam-se a si próprios de
"Romioí" (Ρωμιοί) numa forma coloquial. O termo "romeo"
('relacionado a Roma') era por vezes usado devido à tradição legada a muitos
aspectos da administração política do império. Deve-se dizer também que muitos
impérios em toda a Europa usaram-se do termo, além dos bizantinos gregos, como
por exemplo os Carolíngios ou o Sacro Império Romano-Germânico (Latin
Sacrum Romanum Imperium) germânico, que se consideravam como herdeiros
legítimos do Império Romano.
Dominação
otomana e ascensão da Grécia moderna
Quando os otomanos chegaram, duas migrações gregas
tiveram lugar. A primeira compreendia a camada intelectual grega, que migrou
para a Europa ocidental, influenciando o advento da Renascença. A segunda migração foi a dos
gregos deixando as planícies da península da Grécia e instalando-se nas
montanhas. O país, formado, em sua maior parte, por terrenos montanhosos,
impediu a conquista pelos otomanos de toda a península grega, uma vez que não
chegaram a desenvolver uma presença militar ou administrativa nas montanhas.
Houve muitos clãs gregos das montanhas por toda a península e pelas ilhas. Os
esfaquiotas de Creta, os suliotas do Épiro e os maniotas do Peloponeso estavam entre os clãs das
montanhas mais resilientes durante toda o período do Império Otomano. Entre
final do século XVI e o século XVII, muitos gregos começaram a
migrar das montanhas para as planícies. O sistema
do millet contribuiu para a coesão étnica dos gregos ortodoxos ao
segregar a população do império otomano de acordo com a religião de cada um. A Igreja Ortodoxa
Grega, uma instituição etno-religiosa, prestou auxílio aos gregos de
todas as áreas geográficas da península (i. é, montanhas, planícies e ilhas)
para que preservassem sua herança étnica, cultural, linguística e racial
durante os severos anos de domínio otomano. Os gregos que viviam nas planícies
durante a ocupação otomana eram ou cristãos que sofriam com o governo
estrangeiro ou criptocristãos
(muçulmanos gregos que praticavam em segredo a fé da igreja ortodoxa). Muitos
gregos tornaram-se criptocristãos com o intuito de evitar pesadas taxações,
enquanto, ao mesmo tempo, expressavam sua identidade por manter relações com a
igreja ortodoxa grega em segredo. Contudo, os gregos que convertiam-se ao Islã e que não eram criptocristãos eram
considerados turcos aos olhos dos gregos ortodoxos, ainda que não adotassem a
língua turca. Por outro lado, a camada convertida teve imenso papel na criação
da cultura grega moderna, uma vez que tradições e costumes turcos foram
aprendidos durante todo o período ocupacional. Os traços mais óbvios da
influência turca sobre a cultura grega atual pode ser vista na música e na
cozinha gregas.
Criação do
Estado grego moderno
Os otomanos dominaram a Grécia
até o início do século XIX. Em 1821
os gregos insurgiram-se, declarando sua independência na Guerra
de Independência da Grécia, apesar de só conseguiram real
emancipação em 1829. As elites das nações europeias viram
a guerra de independência grega - devidamente acompanhada dos exemplos de atrocidades
cometidas pelos turcos - de modo romântico (cf. o quadro "Massacre
de Quios" de 1824, por Eugène Delacroix).
Uma grande quantidade de voluntários não-gregos lutaram pela causa (incluindo,
por exemplo, Lord Byron) e, ainda assim, por vezes os otomanos encontravam-se a ponto de
suprimir a revolução grega de maneira quase total, não fosse a intervenção da França, Inglaterra e Rússia. Ioánnis
Kapodístrias, o ministro russo de relações
exteriores, ele próprio um grego, retornou à pátria-mãe como presidente da nova
república, após a oficialização da independência grega. A república desapareceu
alguns anos depois, quando poderes ocidentais ajudaram a transformar a Grécia
numa monarquia, cujo primeiro rei veio da Baviera, e o segundo, da Dinamarca. Durante o século XIX e o começo
do XX, numa série de guerras contra os
otomanos, a Grécia buscou estender suas fronteiras a fim de incluir a população
étnica grega do Império Otomano,
lentamente alargando seu território e população até alcançar sua configuração
atual em 1947. Na Primeira Guerra
Mundial a Grécia juntou-se aos poderes da Tríplice Entente
para lutar contra o Império Otomano e a Tríplice Aliança.
Depois da guerra foram concedidas a Grécia partes da Ásia Menor, incluindo a cidade de Esmirna, cuja população era, em grande
parte, grega. Na época, porém, os nacionalistas turcos liderados por Mustafa Kemal Atatürk derrubaram o governo
otomano, organizaram um ataque militar às tropas gregas e derrotaram-nas.
Imediatamente, centenas de milhares de turcos vivendo no território da Grécia
continental deslocaram-se, indo para a Turquia, numa troca de centenas de milhares de gregos
vivendo na Turquia, que deveriam ser mandados à Grécia.
Apesar das forças armadas do
país serem numericamente pequenas e mal equipadas, a Grécia contribuiu de forma
decisiva com os Aliados
na Segunda Guerra
Mundial. No início da guerra, a Grécia juntou-se aos Aliados e
recusou-se a atender as exigências italianas. Em 28 de outubro de 1940, a Itália
invadiu a Grécia, mas as tropas gregas expulsaram os invasores após sangrenta
batalha (cf. Guerra
Greco-Italiana), marcando a primeira vitória dos Aliados na guerra. Hitler envolveu-se relutantemente, com o objetivo
principal de garantir o domínio sobre o seu flanco sul: tropas da Alemanha, Hungria, Bulgária e Itália invadiram a Grécia com sucesso, obtendo triunfo sobre as unidades
gregas, britânicas, australianas e neo-zelandesas.
Contudo, quando os alemães
tentaram tomar Creta
num ataque maciço de paraquedistas - com o objetivo de reduzir a ameaça dum
possível contra-ataque das forças aliadas no Egito
- os Aliados, bem como os cretenses, ofereceram feroz resistência. Apesar da
resistência cretense terminar vindo por terra, a batalha retardou os planos
alemães de maneira significativa, de modo que a invasão alemã direcionada à União Soviética
teve seu início fatalmente próximo do inverno. Um viés alternativo recente
acerca do acontecimento é que as tropas alemãs envolvidas na batalha de Creta
não eram tão numerosas a ponto de trazerem impacto ao ataque de proporções
muito maiores contra a União Soviética.
Durante muitos anos da
ocupação nazista, milhares de gregos morreram em
combate direto, em campos de concentração ou por pura inanição. Os ocupantes
assassinaram grande parte da comunidade judaica apesar das tentativas da Igreja Ortodoxa
Grega e de muitos gregos cristãos de proteger os judeus. A economia
assumiu ares de landuidez. Após a libertação, a Grécia viveu uma guerra civil
- entre comunistas e realistas (monarquistas) - igualmente
cruel, que durou três anos (1946-1949).
Durante as décadas de 1950 e 1960 a Grécia continuou em lenta evolução,
primeiramente com o auxílio dos Estados Unidos, mediante doações e
empréstimos do Plano Marshall,
e, posteriormente, com o aumento do setor turístico. Em 1967,
as forças armadas gregas tomaram o poder através dum golpe de estado, derrubando o governo de
direita de Panayiotis
Kanellopoulos e estabelecendo a junta militar grega de 1967-1974, que viria
a se tornar um regime de coronelismo.
Suspeito-se inclusive que a Agência
Central de Inteligência (CIA) estaria envolvida no golpe, e o novo
regime em Atenas foi apoiado pelos Estados Unidos. Em
1973,
o regime aboliu a monarquia grega.
Em 1974, o ditador Papadopoulos
negou ajuda aos Estados Unidos, conjecturando-se que, como resultado, este
país, através da cooperação de Henry Kissinger, teria organizado um
segundo golpe de estado. O coronel Demétrios
Ioannides foi apontado como novo chefe de estado.
Muitos consideram Ioannides
responsável pelo golpe contra o presidente Makarios III do Chipre - o golpe
seria um pretexto para a primeira onda de invasões turcas ao Chipre em 1974
(cf. a crise
de 1974 entre Grécia e Turquia). Os acontecimentos no Chipre e as
manifestações que se seguiram à violenta repressão da insurreição
da Politécnica (Η Εξέγερση του Πολυτεχνείου) de Atenas levaram à
eclosão dum regime militar.
Um carismático político exilado, Konstantínos
G. Karamanlís, retornou de Paris
como primeiro-ministro interino e depois ganhou nas re-eleições para dois
mandatos como líder do partido conservador Nova Democracia
(Νέα Δημοκρατία). Em 1975, após o plebiscito que confirmou a
deposição do rei Constantino II,
uma constituição republicana democrática foi estabelecida. Outro político
previamente exilado, Andreas Papandreou,
também retornou à Grécia e fundou o partido socialista PASOK,
que ganhou as eleições em 1981, dominando o curso
político do país por quase duas décadas.
Desde a restauração da
democracia a estabilidade e a prosperidade econômida da Grécia tem crescido. O
país tornou-se parte da União Europeia em 1981 e adotou o Euro
como moeda em 2001. Novas infraestruturas, fundos da UE e
rendimentos turísticos em ascensão, sua marinha mercante, seus serviços, suas
indústrias elétrica e de telecomunicações trouxeram aos gregos um padrão de
vida sem precedente. Tensões continuam a existir entre a Grécia e a Turquia acerca do Chipre e da delimitação
de fronteiras no mar Egeu, mas as
relações entre esses dois países degelaram consideravelmente depois de uma
série de terremotos - primeiro na Turquia e depois na Grécia - e de frequentes
amostras de simpatia e generosa assistência pela parte de ambos os lados.
Bibliografia
http://pt.wikipedia.org
- ↑ Giordani, Mário Curtis. História da Grécia - Antigüidade Clássica I, 3ª edição, editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1984.
- ↑ cf. A República de Platão, 407d.
- ↑ Giordani, Mário Curtis. História da Grécia - Antigüidade Clássica I, 3ª edição, editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1984, p. 126.
- Chadwick, John. The Mycenaean World, Cambridge UP. ISBN 0-521-29037-6.
- Mountjoy, P.A. (1986). Mycenaean Decorated Pottery: A Guide to Identification, Studies in Mediterranean Archaeology 73. Göteborg: Paul Åströms Forlag. ISBN 91-86098-32-2.
- Mylonas, George E. (1966). Mycenae and the Mycenaean Age, Princeton UP. ISBN 0-691-03523-7.
- Latacz, J. Between Troy and Homer. The so-called Dark Ages in Greece, in: Storia, Poesia e Pensiero nel Mondo antico. Studi in Onore di M. Gigante, Rome, 1994.
- Podzuweit, Christian (1982). "Die mykenische Welt und Troja". In: B. Hänsel (ed.), Südosteuropa zwischen 1600 und 1000 v. Chr., 65-88.
- Ramou-Hapsiadi, Anna. Από την Φυλετική Κοινωνία στην Πολιτική. Εκδόσεις Καρδαμίτσα, Atenas, 1982.
- Taylour, Lord William (1964). The Mycenaeans, Revised edition (1990). London: Thames & Hudson. ISBN 0-500-27586-6.
Comentários
Postar um comentário
Este espaço é seu! Deixe aqui suas observações e perguntas, logo que puder, responderei a todos!
Divirtam-se!!!